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 Entrevista: Silvia Linhares

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Marcos Borges Filho
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Registrado em: Sábado, 29 de Setembro de 2007
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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 7:45 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo


Oi Pessoal, passei dois dias só nisso...ufa...como mulher fala e escreve viu...se eu ler de novo vou acrescentar mais trucentas coisas Mr. Green
Espero que tenha ficado bacana.
Obrigada mesmo
Vai ser um hiper presentão de aniversário (dia 28)...


1 - Fale um pouco de você e de sua atividade enquanto fotógrafa, e nos brinde com uma foto sua para que possamos conhecê-la melhor.

Imagina que honra de ser entrevistada aqui. Agradeço também ao Celso pela existência do Digiforum. Eu me sinto sentada em um barzinho batendo papo com os amigos quando estou por aqui. Amigos virtuais e nem tanto, alguns já são reais e espero que muitos outros venham a ser. Sempre dou as boas vindas na sala Clube DSLR - Ex-integrantes do Clube Canon Série S/SX , dizendo tipo isso - "Aqui aprendemos e ensinamos sem preconceito de marca, cores, contrastes, câmera ou preferências pessoais. Apenas compartilhamos conhecimento e sonhos..."

E como mulher temo falar demais...natural isso, né? I Cant Stop I Cant Stop I Cant Stop

Precisa dizer a idade ? Bom, ainda não fiz meio século juntando minhas duas vidas. Como assim? Eu nasci duas vezes, antes de sofrer um AVC em 2002 e depois disso. Minha vida mudou radicalmente depois dessa ocorrência. Meu anjo da guarda iluminou 3 pessoas que salvaram a minha vida: meu marido, a minha amiga, quase irmã Laura e o seu marido João que é médico. Mas pra melhor, muito melhor. Tenho um site especializado em esporte a motor: www.retrovisoronline.com.br (conceito do nome: o mundo por trás dos carros). Sou a web tudo dele.





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2 - Como se define:
- fotografa profissional,
- profissional amador,
- amador profissional.

Vamos fazer uma análise desses termos. Muito se tem debatido sobre o que é ser profissional e o que é ser amador. Esse excelente trecho do blog da Fotógrafa Cris Motta traduz bem o significado: " Às vezes vejo uma concepção estragada da definição de “profissional” e “amador”. Vejo pessoas se referindo ao profissional como aquele que sabe fazer boas fotos e o amador como aquele que ainda não sabe. Isso não faz sentido! A palavra profissional, como é de se imaginar, vem de Profissão. Já a palavra amador vem do latim amator, que significa Amante. Nos sentidos originais da palavra o profissional é simplesmente aquele que faz da Fotografia a sua profissão, enquanto o amador é aquele que faz da Fotografia um hobbie, porque é o que ele ama fazer. No passado poderia existir alguma diferença de qualidade entre um e outro, mas hoje com o acesso facilitado às possibilidades de fotografar isso não existe mais. Hoje tanto o profissional quanto o amador têm as mesmas chances de fazer lindas fotos. A diferença é que um deles também é empresário e vende a fotografia." Ou seja, profissional é aquele que consegue ganhar alguma remuneração pelo seu trabalho, independente de possuir estúdio ou equipamento de ponta. Gilson Lorenti diz que " Em comunidades carentes, é normal pessoas oferecerem serviços fotográficos nas igrejas e usar uma compacta para fazer o serviço."

Sendo assim, eu me considero uma fotógrafa amador-profissional.

3 - E por quê?

Eu sou uma fotógrafa amador-profissional (e bancária administrativa nas horas vagas) rs rs rs antes era ao contrário. Minha mestra Glória Flügel diz que a gente descobre que é fotógrafo de verdade quando começa a fotografar rodapés...partindo desse princípio então sou fotógrafa sim...I Cant Stop Sou primeiro "amadora" porque em primeiro lugar amo a arte da fotografia, e profissional, porque tenho recebido remuneração por alguns trabalhos.

Posso considerar essa uma foto de rodapé?



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4 - O que você gosta de fotografar e o que você fotografa profissionalmente, ou as duas coisas são coincidentes?

Primeiro: Gosto de automobilismo desde criança, época de Emerson Fittipaldi na F1, opalões da Stock, etc. Mas fotografar esse segmento quase que foi por acaso. Meu marido trabalha com marketing de automobilismo, fatalmente entre idas e vindas de Interlagos, os bastidores do mundo automobilístico se desvendaram prá mim e passei a registrá-los com as minhas lentes.Tenho uma obsessão: buscar sempre imortalizar os momentos (esse é o maior legado da Fotografia, o que compartilho de forma integral com o pensamento do colega Tiago Degaspari). Hoje quando avisto algo, a mente já transforma aquilo num retângulo fotográfico e fica testando mentalmente qual seria o melhor ângulo, enquadramento, composição, etc.

Voltando à pergunta: minha vida é voltada para o esporte a motor e tudo que rodeia este esporte. Por exemplo: fotografar turismo na Patagônia partiu de uma revista cujo público alvo tem tudo a ver com motores, no caso especificamente, com o glamour “Ferrari Life Style”. É óbvio que estou sempre ampliando meus caminhos e experimentando outros ares. Pessoalmente eu gosto de fotografar de tudo um pouco, mas estou me especializando em fotografias de automobilismo e eventos correlatos (festas, premiações, camarotes, feiras, Salões da Motocicleta, do Automóvel, etc).

5 - Quais fotógrafos que te influenciaram, e o porque?

No início, ninguém famoso fora do mundo dos motores, mas não menos especiais do que um Bresson. Teve meu grande amigo Rodrigo Ruiz, que já militou mais aqui no Digiforum. Ele me ajudou a dar os primeiros passos para fotografar nas pistas. Tipo onde ficar, quais os requisitos básicos de segurança, como fazer panning, etc. Devo muito ao meu amigo e fotógrafo André Lemes que sempre me acompanha pelos autódromos mostrando os melhores lugares para se fotografar.

Quero citar o meu fotógrafo preferido no mundo automobilístico chamado Miguel Costa Junior. Ele sabe tudo, é um gentleman, e fotografa muito...mas muito mesmo...ele faz fotos inusitadas e tem uma humildade incomum para alguém com a capacidade dele.

Os grandes fotógrafos só fui conhecer a partir de estudos e cursos envolvendo a história da fotografia.

Alguém que me marcou muito foi a retratista Glória Flügel, com quem aprendi as primeiras noções de estúdio e me fez tomar gosto por retratos (SESC Oficina de Retratos jan 2009). Ela é nota 1000. Eu sempre curti o lado humano dos boxes (já estou fazendo escola nisso), pilotos, mecânicos, famílias, sempre adorei registrá-los com minhas lentes. Mas faltava algo nisso, eu só fazia fotos tipo coluna social de revista. Hoje me sinto mais à vontade até para dirigir os pilotos em fotos nos Pits sem aquele infeliz dedão sinalizando positivo na frente da minha lente. Mas ainda curto muito o estilo natural, capturar sem a pessoa perceber...tipo o que o Bresson chamava de momento mágico.

No mesmo curso conheci o fotógrafo e professor Marcos Issa, que me apresentou ao "Laitirrum", isso operou mudanças radicais no meu fluxo fotográfico que era muito desorganizado. Também me convenceu a fotografar em raw, já que eu não conseguia ver vantagem. Hoje entendo a diferença.

6 - Duas fotos suas que te deixam de queixo caído (esquece a modéstia), e qual a razão da força dessa foto?

Cara! Que difícil! Mais de 50 mil fotos...Ainda nem consegui selecionar as melhores para o meu portfólio...I Cant Stop I Cant Stop I Cant Stop A cada descarregada das câmeras, eu sempre fico babando em alguma...até a próxima...não sou muito apegada...

Tem momentos que me marcaram não pela foto, mas pelo momento em si.
Gosto dessa da TNT Superbike. Esse panning é especial, a roda da frente subiu quando o piloto arrancou...




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Essa do Lamborghini nº8 é uma que eu curti muito quando vi na tela...olha o foguinho saindo...




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Essa é meu #momento Cartier-Bresson, em Holambra.




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7 - Duas fotos suas que deixam a galera em geral de queixo caído (esquece a modéstia), e qual a razão da força dessas fotos?

Em geral acidentes deixam todos extasiados...eu acho legal pegar o momento...mas me causa desconforto...pois alguém pode ter se machucado e não gosto de ver ninguém sofrendo.

Essa foto ganhou como a melhor foto da etapa e a do ano de 2009 num concurso cultural da F-Truck promovido pela Volkswagen. Fui premiada com duas câmeras: na etapa foi uma "saboneteira" Olympus X845 e na do ano foi uma compacta Olympus SP-590UZ, uma conta "pro" no Flickr e um fotolivro com todas as fotos premiadas em 2009. Eu estou curtindo muito usar a compacta em passeios onde não posso levar as "filhotonas". A S3 foi repassada para um amigo que estava iniciando.




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Essas são tão procuradas quanto as de carro...I Cant Stop I Cant Stop I Cant Stop
Garotas como estas levam a galera ao delírio...




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8 - Duas fotos de terceiros que te derrubam o queixo, e qual a razão da força dessa foto?

1 – David LaChapelle
Sou fã da irreverência tresloucada das produções do David LaChapelle. Se um dia eu ganhar na mega-sena quero ser fotografada por ele...ele lê a sua alma e escreve a sua personalidade num cenário surreal. Minha chefe diria que ele “cheira meia” com muito chulé...




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2 – Annie Leibovitz
Ela é uma estrela. Adoro suas fotos e mega produções. Foge do trivial clic clic clic...
Acho esta, de uma simplicidade gritante, extremamente expressiva. Foi feita para um editorial da National Geographic.




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Resumindo: Eu não gosto de apenas uma foto deles, mas do estilo, atemporal, colorido, fantasioso, surreal. São fotos que não se dão ao acaso, são criadas na mente, planejadas e executadas.

9 - Duas fotos da turma do digiforum que te derrubam o queixo, e qual a razão da força dessa foto?

Quer me deixar enrascada né? Pois saiba que essa eu vou pular, pois cometeria injustiça com meus queridos amigos e colegas... Tem muita gente talentosa por aqui, e eu jamais conseguiria escolher uma ou outra foto.

10 - Em uma das edições da Fotografe Melhor (Ed. Europa) você foi um dos destaques. Fale-nos sobre essa oportunidade e quais as consequências dessa exposição para seu trabalho.

Foi na edição de dezembro/2009. Vou reproduzir um trecho do que postei no Clube DSLR - Ex-integrantes do Clube Canon Série S/SX

"A mudança com a reportagem na Fotografe se deu em dois patamares, um interno e outro externo. Comecei a sentir mais segurança no meu desempenho e vontade de ir além. De repente eu não estava mais ali só por hobby, eu criei uma responsabilidade para com os meus seguidores na web e no mundo automobilístico. E também vi que tinha muito que caminhar. E tenho ainda...

O respeito e admiração aumentou no meio, eu não era mais considerada só mais uma aventureira ali, mas um par com talento e disposição, ou para os mais infelizes, mais um concorrente, um adversário. Alguém que poderia roubar seus clientes.

Lógico que, além disso tudo tem o tal de network, e amigos nos lugares certos. Mas não pensem que eles me favorecem só pela amizade. Exemplo disso é a editora que me convidou para a Patagonia. Somos amigas sim, mas ela tinha confiança que eu ia fazer um bom trabalho, à altura da revista sob a responsabilidade dela.

Profissionalmente falando, os trabalhos começaram a pingar. Um convite aqui outro ali. Nada ainda que pague meus investimentos, mas é melhor que nada. Para mim, investir tempo e "money" nisso tem a ver com satisfação pessoal. Há pessoas que adoram comprar sapatos, outras jóias, algumas adoram reformar a cozinha e o banheiro. Eu gosto de fotografia e amo isso com muita paixão. Sempre amei, mesmo antes de me "renomear" como fotógrafa. Então considero um investimento em felicidade.

E por isso que eu falo, se você só pensa em ganhar dinheiro com fotografia, eu não sou um bom exemplo, mas se você busca algo para sua realização pessoal e felicidade, então me siga.”

11 - Conte-nos também, sobre o trabalho que você realizou na Patagônia.

Prefiro transcrever trechos do meu diário de bordo...
“Se alguém me dissesse que um dia eu iria fotografar a região mais austral do planeta, eu não acreditaria. Mas isso aconteceu...Fui surpreendida pelo convite da minha amiga Camila - editora da Revista Cavallino e Chefe de Equipe CRT (GT3) para acompanhá-la em um cruzeiro de expedição à Patagônia (Terra do Fogo) com a finalidade de produzir fotos para a revista.

A simples ideia de viajar por rotas marítimas lendárias, onde os oceanos Atlântico e Pacífico se encontram e se misturam às histórias de marinheiros, naufrágios, povos desbravadores e paisagens de tirar o fôlego me fez ficar ansiosa e cheia de expectativas.

No dia 24/03/10 embarcamos no Navio Mare Australis, da Companhia de Navegação Cruceros Australis (www.australis.com), percorrendo a rota que vai de Ushuaia/Patagônia Argentina até Punta Arenas/Patagônia Chilena e vice-versa.

Navegando pelo Estreito de Magalhães e Canal Beagle, o Mare Australis passou por intricados fiordes onde magníficas paisagens se revezavam num esfuziante conjunto de formas e cores.

Passeios especiais, pré-programados, eram realizados durante o trajeto por meio de botes infláveis, onde podíamos apreciar de perto todas as maravilhas da Terra do Fogo, incluindo fauna e flora inigualáveis.

Os melhores momentos da nossa viagem estão registrados no meu fotolivro, imortalizando, dessa forma, as belíssimas paisagens e as fascinantes experiências que desfrutamos ao longo de todo o percurso. Um banquete divino para os meus olhos e minhas lentes!"

O próximo trecho é inédito, foi escrito em Ushuaia...

"Saímos de São Paulo com muito calor. Foi uma novela na Receita Federal, o atendente estava de plantão desde as 21h do dia anterior. Eram 8 da manhã e ele estava totalmente de mau-humor. Ficou irritado comigo porque eu tinha uma mala de equipamentos, quando todo mundo só tinha um lap top e uma “saboneteirinha”. Sério, o cara era muito chato. Só havia um para atender todo mundo.

Mas não havia nada errado com meus equipamentos e ele foi obrigado a verificar um por um. O último equipamento a ser verificado da minúscula declaração que mal cabia a descrição e número de série, era meu hiperdrive Colorspace. Necessitava abrir um parafusinho para ver o nº de série por dentro, eu esqueci disso e o atendente não tinha ferramenta para abri-lo. Como ele estava a fim de criar confusão prá mim, tratei logo de pensar num jeito ... lembrei da fina chavinha de um cadeado porcaria que eu tinha (tinha porque ele acabou quebrando) e não é que abriu...ufa...nos livramos do chato, e nos preparamos para o embarque...Fiquei pensando se seria assim em toda as aduanas, mas só no Brasil mesmo é que fui tratada dessa forma.

Chegamos em Buenos Aires, cidade muito bonita vista do avião. Outro “problemito” surgiu, a mala com equipamentos pesava 12 kg (sem o note book) e o permitido para embarque doméstico em mãos era 5kg...O supervisor foi chamado e Camila negociou com ele. O supervisor, um senhor muito educado, acabou permitindo o embarque da mala na mão, lógico sob a ameaça da minha amiga dele ser obrigado a assinar uma declaração de ressarcimento de 20 mil dólares ocorrendo extravio ou danos caso a mala não pudesse subir a bordo comigo.

Lembra daquele quadro da TV Cultura: senta que lá vem história ... O resto eu conto depois , se me for permitido, e não parecer presunçoso da minha parte, abrir um tópico específico com o relato geral da minha viagem regado a belas fotos como essas abaixo.




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A matéria foi publicada na Revista Cavallino e suas páginas estão escaneadas no meu Flickr.

12 - Você recebeu uma premiação do site da Ana Maria Braga, dá para nos mostrar a foto premiada e contar um pouco de como a coisa se passou?

Tem uma história linda por trás dessa foto e engraçada também. Para participar de um concurso interno de fotografia da minha empresa, resolvi fotografar uma família de amigos. O casal possui duas lindas crianças adotivas (saiba mais sobre a história aqui). O tema era: Eu penso no Futuro! E o futuro daquelas duas crianças estava sendo mudado por aquele casal maravilhoso. Achei que minha idéia era genial e que eu seria a ganhadora, mas nem menção honrosa eu recebi. Mas meu trabalho não foi perdido. Meu primeiro ganho foi a felicidade da família com aquelas lindas fotos (tem posters espalhados pela casa e pela família inteira).

Aí surgiu um e-mail da Ana Maria com o concurso "Se você fosse fotografar o amor, como ele seria?" (sou cadastrada no site lá com o e-mail silvia.faustino - sobrenome de solteira). Usei essa foto da família, feita com a Canon S3.




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Preenchi o cadastro com o nome inteiro e o e-mail de silvia.linhares...passou 1, 2 meses, 3 meses e eu até havia me esquecido. Recebi um e-mail do staff da Ana Maria no e-mail silvia.faustino perguntando se eu era a Silvia Linhares (óbvio que todos os e-mails no silvia.linhares voltaram, pois não existia naquele provedor). E se acaso eu tivesse inscrito uma foto no concurso X mandasse o original para eles conferirem. Mandei e descobri que eu havia sido premiada com uma pequena digital da Kodak (o $ da venda virou insumo prá DSLR). Nem acreditei. A minha amiga que serviu de modelo espalhou pra meio mundo, que o mais puro e verdadeiro amor do mundo havia sido captado por mim com perfeição, por isso o prêmio era mais do que merecido.




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13 - Qual seu equipamento, e porque esse equipamento?

Vou ter que contar mais uma historinha pra chegar lá (aaaaaaaai meu Deus, isso vai virar um jornal). Vamos aos primórdios dos tempos. Na pré-adolescência, meu pai, advogado, recebeu em pagamento de um cliente uma Yashica Mat 1957. Ninguém sabia mexer nela. Para fotos da família, na época, contratava-se um fotógrafo de um dos dois únicos Fotos da cidade (sou nascida em Presidente Prudente).




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Eu comecei a fuçar e achei numa revista um manual básico de fotografia da Escola Universal Brasileira, que a gente pedia por reembolso postal, que tenho até hoje.




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Li ele todo e fui futricando na Yashica. Passei ser a única da família a saber manusear a danada. Já um pouco mais velha, lá pelos meus 18, ganhei do meu pai uma Olympus Trip 35 - Vide foto acima. E com ela passei minha vida toda fotografando família, passeios e amigos até o advento da era digital.

Na entrada do segundo milênio, meu marido comprou uma Samsung 1.3 megapixel (uau!!! resolução 340xalguma coisa). Acompanhando-o ao autódromo fiz as primeiras fotos de carros. O pessoal da equipe que ele trabalhava gostou das fotos e ele achou que eu precisava de uma câmera melhor. Após ler um review no Digiforum sobre a Fujifilm FinePix S5100, achei que ela era ideal para mim: zoom ótico de 10x e 4 MP. No início de 2006 eu era proprietária de uma “potente” S5100.

Fiz fotos muito legais com ela (pelo menos na época eu as achava o máximo). Passei a estudar e a entender um pouco mais de fotografia. Ela quebrou e o conserto não valia a pena. Resolvi que deveria trocar de câmera e mais uma vez o Digiforum foi crucial nessa aquisição. Eu me rendi aos encantos da Canon PowerShot S3 no início de 2007. E com ela, comecei a participar ativamente da Sala das Canon S Clube das Canon S (S1 S2 S3 S5, SX1 SX10 SX20...).

Com ela fiz essa belíssima foto onde ganhei uma miniatura de Porsche do Programa Curva do S (Speed Channel)




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Peguei o jeito no panning com ela que vou contar... igualzinho às feras de Interlagos com suas poderosas DSLRs...Mr. Green Mr. Green Mr. Green Mr. Green




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Em maio de 2008 eu decidi que precisava de uma DSLR. Entrei em milhões de sites, fóruns, salas do Digiforum, li centenas de reviews, baixei manuais e levando em conta a facilidade dos comandos que eu já estava familiarizada optei pela Canon XSi 450D, embora eu tivesse ficado muito tentada por uma Nikon. Comprei ela na BH e mais duas lentes, Canon 55-250 f/5.6 IS e Tamron 17-50mm f/2.8 XR Di II LD, um Flash Canon Speedlite 430X, filtros, bateria extra, cartões. Depois veio a EF 28-135mm f/3.5-5.6 IS USM comprada de um colega aqui no DF e uma apaixonante 50tinha 1.8 na BH. Fiz cursos no SENAC, no SESC, participei de muitos workshops, comprei livros e assinei revistas especializadas. Passei então a participar com freqüência quase que diária do Clube DSLR - Ex-integrantes do Clube Canon Série S/SX , onde aprendi muito com meus queridos amigos de lá.

Quando no início do ano pintou o convite para a Patagônia, senti que precisava de um equipamento mais potente. E o DF foi de novo minha salvação. Adquiri do colega Nelson uma Canon EOS 7D e uma lentona, a Canon 70-200mm f/2.8L IS. Comprei na B H um Extender II 2x EF. E me senti a própria.

Após o curso com a retratista Gloria Flügel sobre retrato e um curso específico de Retrato e Book no SENAC, fiquei tão empolgada que improvisei, com a ajuda do maridão, um fundo infinito com canos de PVC. Ficou legal, mas, instável demais. Aí ele resolveu me presentear com um kit mini estúdio da Lumitec e agora fico comprando tranqueiradas no E-Bay para complementar o meu estúdio em casa. Sem parar de estudar é lógico...

Enfim, como fotografia vicia mesmo, já está em fase de planejamento as próximas aquisições...

14 - Como o equipamento que você usa influi no tipo de foto que você faz?

No meu caso específico, os objetos em alta velocidade (carros e motos) requerem controle total da velocidade e isso só uma boa DSLR pode proporcionar. A 7D faz 9 cliques por segundo. O foco é mais preciso e a nitidez é absurda. ISO alto não granula tanto as fotos. E ela ainda filma...

Mas foto se faz com mente e coração, então não basta um super equipamento se você não tiver imbuído de paixão na hora de clicar. Já fiz fotos sensacionais com a minha “saboneteirinha” – apelido que dei a minha câmera de bolsa, uma Canon SD 1000.

Então não se desespere se você não tem uma DSLR. Apenas procure explorar os controles da sua câmera, por menor que seja, saia do automático. Seja dono absoluto do seu clique. Em matéria de equipamento só eu e meu Flash TTL 430X não entramos num acordo...não o domino e isso me chateia. Livro que estou lendo atualmente? Flash Dedicado de Neil van Niekerk. Minha filosofia: se não sei, aprendo! Seja estudando, perguntando ou experimentando...

15 - Cite alguns fotógrafos que estão te impressionando, e nos diga porque!!!

Acho que já respondi na oitava pergunta.

16 - Qual a importância da edição para suas fotos?

Compartilho da resposta do Celso Rogério. Em qualquer edição nunca deixar de lado a ética e estética. Sou contra modificações radicais em pessoas.

Todas as minhas fotos passam pelo "Laitirrum". "Fotoxópi" quando muito necessário. kkkkkkkkkk Já tive que retirar uma pessoa de uma foto, eu precisava fotografar o Memorial do Albatroz, e o tempo era curto. Nunca conseguia uma imagem limpa, sempre tinha um turista posando ao lado...aí o jeito foi apelar e reconstruir parte do fundo no Photoshop. Já descobriu qual de lado eu retirei a pessoa?




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Liquify do Photoshop só em casos de extrema necessidade ou por farra mesmo...mas confesso já ter diminuído a bochecha de uma amiga que estava muito saliente...kkkkkkk tão de leve que ninguém percebeu, nem ela (psiu, fala baixo, é segredo)...

Um dos meus momentos preferidos é a hora que transponho minhas fotos para o Lightroom. Fico horas curtindo o processo todo. Primeiro bandeira preta nas ruins (sigo o fluxo preconizado no Livro Lightroom 2 do Clício Barroso). Aí vou mais a fundo: calculo o percentual rejeitado para ver se houve melhoria na qualidade dos meus cliques (coisa de virginiano mesmo). Depois começam as estrelas.

Trabalho os metadados para que a foto quando for para o site já esteja legendada (foto sem legenda perde o valor histórico).

Gosto de tratamentos artísticos tipo essa foto abaixo: Sapatos cinza prateado viram vermelho sangue via Photoshop.




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17 - Sabemos que idealmente sensibilidade e técnica devem andar juntas, mas como é complicado alcançar o ideal sempre se tende mais para um lado ou para o outro. Então: o que é mais forte em sua fotografia: sensibilidade ou técnica?

Sensibilidade domina todo o meu ser, como virginiana eu sou muito racional e detalhista e adoro conhecer e dominar a técnica de um processo. Mas tenho uma sensibilidade sem igual. Meu marido diz que eu choro até em inauguração de supermercado. Já viu alguém morrer de chorar no final de Toy Store 3? Eu! Mas não espalha tá...

Procuro aprimorar a técnica sempre. É a única constante na minha vida: a busca pelo saber! Mas se eu não praticar, me ferro toda, pois embora meus olhos sejam fotográficos, minha memória não é. I Cant Stop I Cant Stop I Cant Stop

Esqueço tudo com muita facilidade. Uns dizem que é problema de DNA (data de nascimento antiga)...o problema é que sempre fui assim, estabanada, esquecida, por isso tenho que ter anotações, manuais e livros sempre à mão.

18 - Vais em busca da foto ou a foto te encontra no meio do caminho?

As duas coisas. Gosto do planejado e do inusitado. Juntos fazem um combinação sem igual. Exemplo: saio para fotografar carros na pista e dou de cara com uma corujinha me observando, lógico que ela vai ser clicada inúmeras vezes.




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Com o tempo, as fotos vão ficando muito iguais e você quer tentar algo novo. As curvas de Interlagos tem poucos mistérios para mim, então vivo procurando inovar, buscar novos ângulos, luzes incidindo em lados diferentes...

Adoro brincar com a câmera, principalmente, quando estou dentro do carro e meu marido dirigindo: chamo isso de diversão e arte...




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19 - Gostas de ser fotografada? Ou em casa de ferreiro o espeto é de pau?

Desde criança. Tanto gosto que já fiz meu Auto-book. Todas feitas com controle remoto... Mantenho meus álbuns de fotos em papel em ordem cronológica desde a primeira vez que fui fotografada. É minha vida passada em fotografia. Minhas tias me "odeiam" pois eu vivia roubando fotos delas, ainda bem que hoje os arquivos são digitais... Eu digitalizei centenas de fotos antigas da família e hoje todos compartilham das mesmas fotos. Era muito egoísmo só um ser detentor de fotos históricas da família.

Duas do auto-book




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20 - Algo mais que vc gostaria de falar que não lhe foi perguntado?

Um monte de coisa... Dancing Dancing Dancing mas depois de tantas historinhas acho que chega, né?

21 - Silvia, se você achar que algo que é importante não foi questionado, faça o favor de levantar você mesmo a questão e já vai respondendo.

Você pediu, então senta que lá vem a história...
Uma tristeza: não tenho tantas fotos minhas jogando volei durante os 20 anos que pratiquei este esporte. E as do meu casamento são em meio papel...

Saia justa: Esse foi o meu maior mico, nem vou contar as vezes que saí sem cartão sobressalente ou apenas com uma bateria..."descarregada" kkkkkkkk. Mas essa aconteceu com uma das minhas melhores amigas, a Carla. Eu morava em Brasília. Minha amiga ia comemorar o aniversário de 30 anos a bordo de um barco para 50 pessoas no lago da cidade. Pediu que eu fizesse as fotos. Ela sabia que eu gostava de fotografar, mas também sabia que eu não era fotógrafa. A câmera era a Olympus Trip de filme. Pedi para ela comprar um monte de filme e ela esqueceu. Peguei um de 36 meu e levei na bolsa. Chegando lá, comecei a tomar vinho e fazer um monte de fotografia dela. Ela até sentou-se na amurada do barco para eu fotografá-la e quase caiu...vinho demais...bem...cheguei em casa e fui retirar o filme para mandar revelar...e cadê ele? Eu esquecera de colocar o filme...ela quase me matou, falou pra todo mundo que quase se afogara no lago para eu tirar uma foto dela (exagerada), e no final não tinha uma foto sequer da grande festa. Ainda bem que éramos amigas e ficou tudo na brincadeira. Até hoje a gente se mata de rir quando relembramos a história. Ela sempre avisa nossos amigos para não me darem vinho quando eu for fotografar...sabe-se lá...

Tem três coisas que me dão dor de cabeça (e no corpo também) rs rs rs
1 - o peso do equipamento, principalmente a combinação 7D, extensor, 70-200 e flash (odeio monopé e tripé)

2 - precificar trabalho...principalmente para amigos...eu fico naquela: será que é muito, será que é pouco...

3 - frescura com as nuances do direito à própria imagem. O que seria do Bresson nos dias de hoje, heim? Comprei até um livro, mas como toda lei nacional, o texto legal é lacunoso e obscuro deixando a bel-prazer do Judiciário. (falo com propriedade, pois além de fotógrafa, bancária, sou advogada). Houve um caso engraçado, aconteceu um dia no Ibirapuera...um "aborrescente" metido a besta para se aparecer perante sua turminha, ficou berrando "Ei dona, ei dona, tira uma foto minha? Eu fiquei olhando prá cara dele, e ele completou, tira, põe na internet e eu te processo por uso da minha imagem. Fiquei com "instinto adolescenticida" na hora...só lembro de ter respondido algo como "Não fotografo gente feia como você". E bem feito, todos ficaram zoando na cara dele. I Cant Stop I Cant Stop I Cant Stop I Cant Stop I Cant Stop

Bom, gente, agora fim, mas estou à disposição para responder quaisquer questionamentos.


Editado pela última vez por Marcos Borges Filho em Sáb Mai 21, 2011 8:31 am, num total de 2 vezes

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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 8:52 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

A Silvia, com certeza não podia ficar de fora dessa sala de entrevistas do Digifórum...
Ela é uma pessoa magnífica, sempre ajudando, dando conselhos e risadas....
Já conhecia um pouco de sua história por causa da matéria da Fotografe, mas foi muito legal conhecer um pouco mais sobre ela..
Infelizmente ainda não a conheço pessoalmente, mas espero, brevemente conhecê-la junto com outros participantes da sala ''Clube DSLR - Ex-integrantes do Clube Canon Série S/SX''...

Sílvia, qual conselho você deixaria para quem está iniciando na fotografia?

Vou deixar aqui meus parabéns a todos os administradores desse maravilhoso site e, um grande abraço a Silvia...

Abraços,
Fernando.


Editado pela última vez por fernandohp em Ter Ago 24, 2010 9:50 am, num total de 2 vezes

Felipe Augusto
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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 9:04 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Oi Silvia, muito legal essa entrevista. Parabéns pela carreira de Fotógrafa, e pelas Lindas fotos que vc sempre faz. Você, junto com Rodrigo Ruiz e André Lemes, são meus ídolos da Fotografia.
E lhe agradeço do fundo do meu Coração pela força e Ajuda que vc me dá.


Qual programa, vc usa para editar as imagens???


Beijos!!!!!!

Silvia Linhares
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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 9:21 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

fernandohp, Obrigada pelas suas palavras...Finalmente irei conhecer você e as gêmeas. Nos vemos no sábado.

Meu conselho é ter muita paciência e persistência. Fundamental sair do modo automático e "ter um caso de amor" com sua câmera. Conheça seus detalhes, experimente, sinta-a, saiba o que ela pode lhe proporcionar e com certeza terá gratas surpresas. O resto vem com o tempo.


Felipe Augusto, Obrigada também. Para quem não sabe o Felipe Augusto é o "guardião" da minha amada Canon S3. Tomara que ela traga tantas alegrias prá ele quanto para mim. A meu convite hoje ele é um participante do Clube das S.

Felipe, eu sempre usei o Photoshop até conhecer o Lightroom (LR). Hoje eu uso o Photoshop apenas para coisas que o LR não dá conta. Mas no trabalho (Caixa Federal), como não tenho e não posso instalar nada eu, numa emergência, uso o Microsoft Officce Picture Manager, ele corrige até olhos vermelhos.


Editado pela última vez por Silvia Linhares em Ter Ago 24, 2010 10:01 am, num total de 1 vez

peridapituba
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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 9:44 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

1- Sílvia, como é ser mulher e trabalhar em um ambiente predominantemente masculino?Você sofre ou já sofreu discriminação para fazer seu trabalho e já foi ridicularizada ou desacreditada em função de ser mulher?

2- Olhando as fotos que vc postou na entrevista e lendo seu comentário me veio uma questão, "mulheres x pilotos".

Existe assédio, e como funciona isto?
Já flagrou algo indiscreto, ou alguma situação, que possa contar?

3- Como você concilia sua profissão com a fotografia?

4- Lendo sua entrevista dá para perceber o enorme avanço em tão pouco tempo.

Em coisa de 2 anos vc sai de uma DSLR de entrada para a Patagônia.
É uma comparação exdrúxula, mas isto é proposital. Mr. Green

Qual a sensação de se sair de um ambiente semi-amador e mais "hobbista" (uma vez que você não era tão crua assim em fotografia) para a responsabilidade de fazer uma matéria como esta em tão pouco tempo?A que vc atribui este avanço?

Silvia Linhares
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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 10:36 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

peridapituba escreveu:
1- Sílvia, como é ser mulher e trabalhar em um ambiente predominantemente masculino?Você sofre ou já sofreu discriminação para fazer seu trabalho e já foi ridicularizada ou desacreditada em função de ser mulher?

2- Olhando as fotos que vc postou na entrevista e lendo seu comentário me veio uma questão, "mulheres x pilotos".

Existe assédio, e como funciona isto?
Já flagrou algo indiscreto, ou alguma situação, que possa contar?

3- Como você concilia sua profissão com a fotografia?

4- Lendo sua entrevista dá para perceber o enorme avanço em tão pouco tempo.

Em coisa de 2 anos vc sai de uma DSLR de entrada para a Patagônia.
É uma comparação exdrúxula, mas isto é proposital. Mr. Green

Qual a sensação de se sair de um ambiente semi-amador e mais "hobbista" (uma vez que você não era tão crua assim em fotografia) para a responsabilidade de fazer uma matéria como esta em tão pouco tempo?A que vc atribui este avanço?


peridapituba

R1 - No início, não é o fato de ser mulher que pega, mas o fato de você não ser parte daquilo. Você se sente meio intruso. Imagina então tendo só uma S3 ao lado daquelas poderosas DSLR e lentes de quase um metro de cumprimento...Com o passar do tempo, seu trabalho é reconhecido e você passa a fazer parte do meio (paciência e persistência são fundamentais). Aí tudo muda e o que manda é seu jeitinho de lidar com as pessoas. Hoje de piloto renomado à mocinha da limpeza e o rapaz da segurança, todos me vem como parte daquilo e me dão bom dia, falam comigo, me pedem alguma foto especial.

R2 - A sua segunda pergunta me deixou em dúvida...seriam mulheres que pilotam, esposas dos pilotos, ou qualquer mulher convivendo no meio dos pilotos?
Em relação às mulheres pilotos, linko duas reportagens com mulheres que eu adoro, super respeitadas no meio. Graziela Fernandes, hoje com mais de 70 anos foi a primeira piloto do Brasil. Imagino quanto ela não passou disputando Mil Milhas e outras provas com os machões da época. A segunda, a Michelle J. é a estrela do Regional Paulista. Cito aqui um trecho da reportagem: "É ciente que no mundo do automobilismo, predominantemente masculino, sempre existirão dificuldades. Mas tais dificuldades atingem tanto homens quanto mulheres, tudo depende de que forma se encara o problema. Mas o que observamos é que existe muito respeito entre os pilotos e ela não é discriminada de forma alguma. Muito pelo contrário, ninguém alivia só por que ela é uma legítima representante do sexo feminino. "

Já a minha experiência como mulher x piloto é tranquila. Existe muita amizade entre eu e eles. Até o Ingo Hoffmann, lenda viva da Stock Car, alemão de cara carrancuda, hoje pára e me dá um beijinho de bom dia. Nunca fui assediada, até por dois motivos: não dou brecha para isso e meu marido trabalha no meio e somos amigos de MUITA gente por lá...

R3 - Conto os segundos para aposentar da Caixa (3 anos e meio). Tudo o que quero é respirar fotografia o dia todo. É mais difícil conciliar a vida particular com a fotografia. Sobram poucas horas livres, então tenho que dividir com o marido, com a Naná (filha canina), com a administração da casa, do site, compromisso com os amigos, vida cultural (TV, cinema, teatro, exposições, etc) e comigo. E o pior, sobra pouquíssimo tempo para estudar e por em prática os ensinamentos. O ruim da história é que para peregrinar com todo o equipamento pelo autódromo, tenho que aumentar a malhação...faço isso pela manhã, mas se passo perto do micro, ele faz psiu e toda a minha manhã disponível vai abaixo...Virou vício mesmo...

R4 - Tem o lado bom e o lado ruim...o bom é a satisfação pessoal e o início do retorno do investimento. O ruim é a coisa da obrigação e a expectativa do cliente. Chovendo ou fazendo sol o trabalho tem que sair...

O avanço se deve a muita perseverança e divulgação do meu trabalho. Meu site é referência no meio e isso ajuda muita.


Editado pela última vez por Silvia Linhares em Ter Ago 24, 2010 11:40 am, num total de 1 vez

peridapituba
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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 10:47 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Sílvia Linhares escreveu:
A sua segunda pergunta me deixou em dúvida...seriam mulheres que pilotam, esposas dos pilotos, ou qualquer mulher convivendo no meio dos pilotos?


Falo de mulheres que se lançam na badalação de uma prova para retirar dali algo em proveito próprio.

No futebol chamaríamos "marias-chuteiras".

Como se comportam, o que rola nos bastidores que leigos como eu não sabem e que possa ser curioso contar sem prejudicar alguém?

Silvia Linhares
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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 11:25 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

peridapituba, Eu acho que seria "Maria Gasolina" Mr. Green Mr. Green Mr. Green

O ambiente de corrida é um lugar propício para pessoas belas se mostrarem. As grid girls e umbrellas girls são meninas muito bonitas, novinhas e devem receber muitas cantadas. Também devem sonhar em ter um namorado bacana. Deve funcionar meio como numa balada. Muitas paqueras, muitas tratativas, troca de e-mail e fone, etc. Muitos pedem para eu fotografá-los ao lado das gatinhas, outros evitam alegando que dá divórcio por justa causa... Mr. Green Resumindo: se rola algo é fora dali, pois nunca vi nada que extrapolasse os bons costumes...

Marcos Borges Filho
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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 12:07 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Automobilismo é sua paixão na fotografia, ou é trabalho? Tem outra abordagem fotográfica que você goste mais????

Não foge dessa: Qual a categoria do automobilismo que você não gosta de fotografar, e por que??

Silvia Linhares
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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 12:25 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Marcos Borges Filho, Automobilismo sempre foi paixão (canal speed channel é o nº 1 aqui em casa)...fotografar automobilismo foi uma oportunidade dada por Ele lá em cima e virou trabalho por consequência. Eu gosto muito de fotografar pessoas, parques, flores, borboletas, bichinhos, enfim, natureza e paz...Eu consigo isso no autódromo quando estou na pista... Meu sonho mesmo é viajar e fotografar lugares...viajar muito ...!

No meio do autódromo encontrei essa...olha o guard-rail no fundo...



Image

Categoria que não gosto? Difícil! Posso falar as que mais gosto...A dos sonhos é Nascar, no Brasil o GT Brasil (Lamborghini, Porsche, Ferrari, Viper, Ford GT, Audi R8, Maserati). Pensa tudo isso num único grid...

Kart é muito chatinho de fotografar...não curto muito. Dá medo de ser atropelada pelos meninos...as pistas de kart não tem tanta segurança quanto as de carro...pelo menos para os fotógrafos...

Mas qualquer corrida é emocionante. Gosto de todas...

Régis da Silva Presser
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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 2:04 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Boa tarde, Silvia. Primeiro, parabéns pela entrevista. Além da facilidade para se comunicar clara e objetivamente, teus conhecimentos e experiências certamente são muitos e muito interessantes.

Fiquei com uma curiosidade em especial, quando li que estás lendo o livro do Neil Van Niekerk (flash dedicado...). Estou muito a fim de comprar esse livro, mas não sei se vale a pena. Mas é que preciso aprender a usar decentemente meus flashes...rsrs...te importarias de dizer o que estás achando do livro, onde compraste etc e se tens algum outro referencial no aprendizado com os speedlights?

Obrigado pela atenção e mais uma vez parabéns pela excelente entrevista.

Abraço,

Régis.

RONALD_INHO
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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 2:43 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Olá amiga, parabéns pelo reconhecimento
=D> =D>
agora vai minha pergunta:

Qual o motivo que fez você mudar de equipamento, a limitação da XSi pra algum tipo de foto ou porque os outros fotógrafos usavam equipamentos mais robustos e vc sentiu a necessidade de se equiparar? (ou por qualquer outra coisa) Mr. Green

Um abração do amigo Ronaldo

yeah

Silvia Linhares
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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 2:45 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Régis da Silva Presser, obrigada pelos elogios.

Vamos ao livro. No dia do Photo Image Brazil, fui no estande da Editora Photo ver as novidades, perguntei do livro, aí a moça falou que se eu fizesse 3 anos de assinatura de revistas eu ganhava ele de brinde. Como gosto muito dos livros da Editora Photo, eu fiz a assinatura.

Só o livro está a venda no site da editora por R$ 89,00 http://www.editoraphotos.com.br/comprar.asp?cod_produto=2773

O livro Flash Dedicado - Técnicas para fotografia de casamento e retrato de Neil van Niekerk é um "Sucesso de vendas no mercado norte-americano, trata-se de uma obra de referência, onde o autor apresenta vários exemplos que mostram como moldar, acrescentar e modificar a luz com flashes Canon e Nikon."

Regis, ainda estou no meio da primeira leitura. Eu leio a primeira vez e grifo o que acho importante, depois releio praticando. É impressionante como eu sou um zero a esquerda com o meu flash. Em geral coloco a câmera no modo P e ele no modo TTL e faço as fotos. O pouco que já absorvi pude sentir no resultado prático no meu último trabalho domingo (fotografia em camarote vip). O que mais gostei é a forma didática com que ele trata do assunto. Bem prático mesmo. Quero ver se desencanto dessa vez e passo a usar meu flash de forma adequada.

Mas importante destacar: o livro sozinho não esgota o aprendizado, sempre será necessário o auxílio de quem entende e aqui no DF está cheio de fera no assunto.

Régis da Silva Presser
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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 2:53 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Silvia Linhares, muito obrigado pela resposta. Ajudaste-me a decidir pela compra do livro. yeah

Silvia Linhares
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MensagemEnviada: Ter Ago 24, 2010 3:12 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

RONALD_INHO, Obrigada, meu querido amigo!

Citação:

Qual o motivo que fez você mudar de equipamento, a limitação da XSi pra algum tipo de foto ou porque os outros fotógrafos usavam equipamentos mais robustos e vc sentiu a necessidade de se equiparar? (ou por qualquer outra coisa) Mr. Green


kkkkkkkkkkkkkkkkkk...um pouco dos dois...mas eu queria algo que filmasse, como a S3 fazia... e a 7D é o bicho...

Eu queria algo mais rápido, mais robusto, pois eu imaginava que iria pegar na Patagônia condições climáticas muito adversas e a XSi poderia travar e eu ficar na mão. É muita responsabilidade quando você vai a trabalho...Não teria como improvisar, estando num navio, sem celular, sem TV ou internet.

E juntou a fome com a vontade de comer...fotografia vicia, e a gente sempre quer mais...
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