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 Entrevista: Eduardo Buscariolli.

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Eduardo Buscariolli
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MensagemEnviada: Sex Out 08, 2010 11:16 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Julio Paiva escreveu:
E aí Eduardo, tudo certo?
Muito bacana a entrevista, muito conteúdo, vários posicionamentos, posturas. Comentários que se vê, partem de quem dedica tempo à leitura. Tá de parabens.

Da apreciação sublinhei algumas coisas, uma delas explicito aqui como algo que me interesso particularmente.


"...fotografar não é um ato natural, ninguem nasce sabendo..." Muito interessante esse trecho. Dele eu derivo:

Somos educados durante a vida através de imagens mas quase nunca nos dedicamos a compreender seus procesos, quase um "analfabetismo fotográfico" (mesmo por parte de quem fotografa), muita gente só repete clichê sem saber porque. Em sua opinião a fotografia poderia ser uma disciplina incorporada desde cedo? Ou melhor dizendo: Estudar a imagem, sobretudo em tempos onde a fotografia ocupa tanto espaço em nossa educação, não seria interessante?


Tudo joia Julio? É bom saber que temos amigos que compartilham idéias. Mas vê lá... sou só um curioso...

Deixe-me contar uma estória rápida: um sábado à tarde a pouco tempo atrás, dei uma passada na sede do Fotoclube Amigos da Fotografia . Eu vi sobre a mesa uma pilha de impressões em negativo. Eu perguntei para a coordenadora, Elza Rossato, o que era aquilo e ela respondeu que eram a fotos do curso de pinhole ministrado numa fundação de amparo a menores carentes: “...é lindo, Eduardo, a criançada adora...”. Por causa do custo proibitivo do papel fotográfico, ela prepara a emulsão e ensina a garotada a sensibilizar o papel. Eu fiquei pensando: a garotada aceita e aprecia um negativo como registro do mundo deles. Sem contar que eles “dominam” o artesanato da imagem...

Quando ia começar essa resposta eu ia escrever que o aprendizado sobre arte tinha prioridade sobre fotografia. Mas mudei de ideia. Acontece que fotografia não depende de coordenação motora, fotografia depende da percepção e avaliação de cena. O Ronaldo Entler, no Icônica , por ocasião da morte do Levi Strauss escreveu um texto muito bacana, relacionando a fotografia com a bricolagem, de onde destaco:

Citação:
O que vemos na imagem são como peças que o bricoleur toma emprestado para dar-lhes um novo sentido, ao mesmo tempo em que seu sentido original ainda permanece visível. Ele não aceita de modo neutro aquilo que lhe chega, mas também não o renega, não o esconde.

O sentido da fotografia, como toda bricolagem, é uma negociação entre uma necessidade de um pensamento e uma disponibilidade do mundo (no nosso caso, uma necessidade estética, não propriamente utilitária)


Para mim, o grande passo na evolução de um fotografo é perceber isso que ele coleta fragmentos do mundoe os usa conforme a sua necessidade. Mas para isso ele tem que percebê-lo.

Assim, eu concordo com você, seria muito interessante o apredizando em fotografia, aprender um pouco do seu “artesanato”, ter ciência que fotografia não é a coisa que ela mostra, mas que ela é construção artificial(1) –quanto mais nos aproximamos do “belo”, mais distantes do olho, mais mentirosos(2) ficamos. Se por um lado ela é falível quanto a veracidade, por outro ela pode conter mais do que mostra e ultrapassar os limites do que foi impresso – para o bem ou para o mal. E a sua prática é quase um caminho-zen(3) para cortar essa anestesia, porque exige ativar a percepção para o que nos rodeia. Parece exagerado?

Uma pergunta que ficou enquanto preparava essa respota: seria boa parte do flickr um resultado da nausea existencialista?

(1)Porque você acha que assino “isto não é um cachimbo”?...rs...
(2) Mentira pode ser um termo forte, mas beleza e verdade não andam juntas...
(3) “feel the force, luke”

peridapituba
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MensagemEnviada: Sex Out 08, 2010 7:34 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Eduardo Buscariolli escreveu:
Eu vi sobre a mesa uma pilha de impressões em negativo. Eu perguntei para a coordenadora, Elza Rossato, o que era aquilo e ela respondeu que eram a fotos do curso de pinhole ministrado numa fundação de amparo a menores carentes: “...é lindo, Eduardo, a criançada adora...”. Por causa do custo proibitivo do papel fotográfico, ela prepara a emulsão e ensina a garotada a sensibilizar o papel. Eu fiquei pensando: a garotada aceita e aprecia um negativo como registro do mundo deles. Sem contar que eles “dominam” o artesanato da imagem...


Como início de um processo até acho legal e super válido e dá uma base aos moleques.
Mas é remar contra a maré.

Fotografar com filme é cada vez mais desestimulante pra mim.

Vc não acha?

Pinhole?
Pô ... entrar nesta é algo como voltar à idade média. Mr. Green

Veja bem, não estou desmerecendo (até acho muito válido estas iniciativas).
É só um comentário mesmo. yeah

Citação:
Para mim, o grande passo na evolução de um fotografo é perceber isso que ele coleta fragmentos do mundoe os usa conforme a sua necessidade. Mas para isso ele tem que percebê-lo.


Júlio ... olha o autoral aqui. Wink

Abs, yeah

Eduardo Buscariolli
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MensagemEnviada: Sáb Out 09, 2010 1:00 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

peridapituba escreveu:
Como início de um processo até acho legal e super válido e dá uma base aos moleques.
Mas é remar contra a maré.


Seria mais fácil dar um "celular MP10" de balaio e tentar ensinar composição? Duvido que ia rolar. Mas o que e atrai a garotada é o domínio, o processo, o artesanato. Isso é tanto verdade, que eles aceitam a cópia negativa.


Citação:
Fotografar com filme é cada vez mais desestimulante pra mim.

Vc não acha?


Para mim também não rola. Tentei, usei filme, gostei. Mas processar, onde moro é inviável, só tem um senhor que faz bem feito e é na base do favor. Pode até ser, se for possível processar o negativo em casa.

Citação:
Pinhole?
Pô ... entrar nesta é algo como voltar à idade média. Mr. Green


Sim é tosco. Mas há algo de subversivo nesse conceito, não é a estética que interessa, mas o dominio sobre uma parte do processo.

peridapituba
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MensagemEnviada: Sáb Out 09, 2010 7:10 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Sobre o Pinhole eu acho que é um tosco que tem um valor maior.

Para fotografias autorais e desenvolvimento de linguagens mais específicas acredito que seja algo a funcionar bem.

Um uso específico nas mãos de quem sabe, mais pro lado artísitico da coisa.

Eduardo, o que vc tem achado desta onda retrô?

Chegou a acompanhar algo legal, mas algo legal de agora com estes lançamentos de "novas" câmeras Lomo e todo aquele sortilégio de acessórios, e etc?

gmazza
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MensagemEnviada: Sáb Out 09, 2010 9:28 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Eduardo Buscariolli escreveu:

Seria mais fácil dar um "celular MP10" de balaio e tentar ensinar composição? Duvido que ia rolar. Mas o que e atrai a garotada é o domínio, o processo, o artesanato. Isso é tanto verdade, que eles aceitam a cópia negativa.


Parece que quanto mais (primitivo/caro/trabalhoso de processar) é o método, mais cuidado é tomado antes de cada imagem, e funcionam muito bem para progressão de cliques somente por reflexo do punho para cliques pensados. No entanto em um nível seguinte, para fotografia experimental, placas e filme são mais limitados até pela dificuldade de processamento, pára quem já domina o básico, as tecnologias novas oferecem muito.

Talvez seja assim, não sei vc concorda com esse pensamento ?

jpaiva
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MensagemEnviada: Sáb Out 09, 2010 1:59 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

E aí! Eduardo

Eu compartilho da postura do ensinamento. Particularmente acho bacana aprender fotografia desde cedo. E mais que abordar a questão técnica e os mecanismos envolvidos – assim como a escolha de um recorte do que se vê -, penso que talvez se exercitaria também o entendimento da forma como alguns modelos são repetidos para passar determinadas sensações, por isso o estudo da imagem, antes do estudo da foto em si, assim o sujeito não fica tão a mercê das imagens. Tem muito convencionalismo pictorico. Esses modelos começam a adquirir caráter de única forma de trasmitir tal ou tal idéia, essa coisa Flusseriana que diz que o hoem já não descifra mais suas imagens e sim vive em função delas. De repente eu escolho (4) todas as anteriores ou (5) muito das anteriores, pode?

Sobre os processos artesanais, é certo o que diz o gmazza quando fala do cuidado com a foto. Quando o suejeito volta ao rolo ele também vê crescer esse cuidado, quando volta pra antes do rolo, mais ainda, penso. Fazer pinhole dá trabalho mas é bem bacana, preparar emulsão sensível dá mais trabalho ainda mas recompensa. Salgar o papel, ou albuminar, comprar nitrato de prata, diluir, sensibilizar etc etc etc. Fica faltando só o santinho do Talbot pendurado no pescoço.

Citação:
Citação:
Para mim, o grande passo na evolução de um fotografo é perceber isso que ele coleta fragmentos do mundoe os usa conforme a sua necessidade. Mas para isso ele tem que percebê-lo.


Júlio ... olha o autoral aqui. Wink


Eu vi, mas na verdade o “autoral “ que debato lá no f.c.a. é o termo “fotografía autoral” como categoría histórica. Os processos de autoria são inerentes à cada um, são difíceis de separar, mas a categoría é algo bem marcado.

Voltando ao processos artesanais, creio que a maior dificuldade não é ter acesso ao método, e sim aos produtos envolvidos. Aqui em Córdoba eu não acho mais “película gráfica” (não sei como se chama no Brasil, é uma folha transparente sensibilizada, como um papel pra ampliação manual, mas translúcida), revelador kodak demora uma cara pra chegar. Demora, mas chega, daí pra frente é só ir provando que uma hora sai.

jpaiva
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MensagemEnviada: Dom Out 10, 2010 6:48 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Cara eu vou seguir com perguntas, pode ser? Tenho aqui minhas curiosidades anotadas.

Em um momento você comenta sobre método. Como você estabelece a dose de disciplina no processo de criação? "Consistência e constância?" Ou não tem tanto isso e metodo não tem necessariamente a ver com ritmo?

Principalmente em tempos de digital, pra fazer uma ponte desse papo que a gente tava levando sobre processos artesanais com nosso momento tecnológico.

Eduardo Buscariolli
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MensagemEnviada: Seg Out 11, 2010 11:36 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

peridapituba escreveu:
Eduardo, o que vc tem achado desta onda retrô?

Chegou a acompanhar algo legal, mas algo legal de agora com estes lançamentos de "novas" câmeras Lomo e todo aquele sortilégio de acessórios, e etc?


gmazza escreveu:
Parece que quanto mais (primitivo/caro/trabalhoso de processar) é o método, mais cuidado é tomado antes de cada imagem, e funcionam muito bem para progressão de cliques somente por reflexo do punho para cliques pensados. No entanto em um nível seguinte, para fotografia experimental, placas e filme são mais limitados até pela dificuldade de processamento, pára quem já domina o básico, as tecnologias novas oferecem muito.

Talvez seja assim, não sei vc concorda com esse pensamento ?


Tudo passa por estar ciente do que se procura ou das necessidades relacionadas ao “projeto” fotográfico de cada um. Nenhum processo é melhor que outro, cada um se encaixa dentro de uma proposta de trabalho.

Partindo dessa premisa, certamente que concordo com sua linha de pensamento, Gustavo, para determinado tipo de trabalho, como por exemplo, suas belíssimas macros, faz sentido tirar proveito das ferramentas que a tecnologia oferece. Não faria sentido você adotar um caminho distinto, por exemplo uma processo alternativo, só porque é mais complicado ou porque é “cult”.

Assim, como Lomo, que você Peri cita. Mas Lomo tem uma componente adcional um tanto óbvio, que é o modismo. A priori, diria que esse modismo é bom, pois torna possível a aceitação de outras linguagens, entretanto, não creio que haja tal impacto.




Image
Santacroce ,

Mas em resumo é isso, penso que a necessidade de cada um, determina o caminho a ser seguido e qual o sistema/processo que lhe atende melhor. O grande problema está em se chegar nesse ponto, entender o que se deseja.


Editado pela última vez por Eduardo Buscariolli em Seg Out 11, 2010 5:06 pm, num total de 1 vez

Eduardo Buscariolli
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MensagemEnviada: Seg Out 11, 2010 11:38 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Julio Paiva escreveu:
Eu vi, mas na verdade o “autoral “ que debato lá no f.c.a. é o termo “fotografía autoral” como categoría histórica. Os processos de autoria são inerentes à cada um, são difíceis de separar, mas a categoría é algo bem marcado.


Pode explicar sua tese sobre categoria histórica? Fiquei curioso.

jpaiva
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MensagemEnviada: Seg Out 11, 2010 3:34 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Ei Eduardo, só pra confirmar: você pergunta sobre o termo em si ou sobre essa categoria especificamente? porque a pergunta conduz para o termo, é isso mesmo?

inté

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MensagemEnviada: Qua Out 13, 2010 11:20 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Julio Paiva escreveu:
Cara eu vou seguir com perguntas, pode ser? Tenho aqui minhas curiosidades anotadas.


Puxa, claro que sim, né...

Citação:
Em um momento você comenta sobre método. Como você estabelece a dose de disciplina no processo de criação? "Consistência e constância?" Ou não tem tanto isso e metodo não tem necessariamente a ver com ritmo?

Principalmente em tempos de digital, pra fazer uma ponte desse papo que a gente tava levando sobre processos artesanais com nosso momento tecnológico.


Julio, suponho que a mencionar "ritmo" você queria dizer repetibilidade. Seria isso? Ou você se refere a "ritmo de trabalho"

Penso que devemos manter um olho na repetibilidade e consistência. Consistência signfica a fidelidade aos propósitos ou linha mestra do trabalho. Repitibilidade é intrinseco ao processo em si.

De certa forma, a consistência vem naturalmente, a medida que aprendemos a cercar e desenvolver e explorar os temas/motivos que nos interessam. Essa disciplina, para mim, é um pouco mais fácil, pois exceto em fotografias ou projetos com status secundário, estou sempre as voltas com o mesmo tema que vem sendo aprimorado ao longo do tempo.

Consistência não é algo complicado, é mais relacionado com a compreensão do tema e em como ele será abordado. A exploração conceitual do assunto, o planejamento, evitam as armadilhas: durante esse processo de aprimoramento, ao pretender ir além com a fotografia, observei que é muito fácil cair em armadilhas e se iludir com alguns resultados que são interessantes visualmente, mas não casam com a proposta do trabalho, é aí que verificamos as inconsistências.

A repetibilidade é outro aspecto que preocupa-me. Dentro do conjunto de técnicas que adoto, tenho que ser capaz de repetir os resultados. Se os resultados não se repetirem, não é possível explorar adequadamente a idéia, e portanto não será uma técnica válida. Não acredito muito na estética do aleatório. Já acreditei, mas mudei de opinão, porque o aletório impõe limites. Além disso, o fortuíto, é um tanto insatisfatório. Não dá para você estudar uma coisa que aparece como sendo fruto do acaso. Se não é possivel tal avaliação, não será possiível determinar-se se está no caminho correto.

Falando em caminhos errados: as digitais junto com conversores RAW e o PS são um excelentes meios para se perder rapidamente.

Até agora, só estive falando do processo de captura e tratamento, não me desenvolvi em termos de processos alternativos. Por hora tento caber-me em cópias de minilab, porque essa é a realidade da fotografia. A impressão por processo alternativo será um dos próximos passos, o aspecto mediativo destes processos, se encaixam dentro do que gosto. Entretanto, existem alguns problemas sérios e serem resolvidos ( fornecimento de químicos), embora já tenha verificado que está no campo das possibilidades.

Creio ser importante fazer uma ressalva muito importante: apesar de levar fotografia com muita seriedade, ela é diversão, é fonte de prazer e caminho para a felicidade. Assim, embora ache que foto boa é foto preconcebida, é preciso estar “fotográfico” – não existe acaso – gosto de me divertir fotografar bobagens como tudo mundo.

Eduardo Buscariolli
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MensagemEnviada: Qua Out 13, 2010 11:21 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Julio Paiva escreveu:
Ei Eduardo, só pra confirmar: você pergunta sobre o termo em si ou sobre essa categoria especificamente? porque a pergunta conduz para o termo, é isso mesmo?

inté


O que você quer dizer sobre categorias históricas?

jpaiva
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MensagemEnviada: Sex Out 15, 2010 11:10 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Quando comento categoria histórica posso também fazer referência a “gênero”. A fotografia autoral como um gênero específico dentro do que é a produção fotográfica no decorrer da história. Fotografia documental, fotografia publicitaria, jornalistica, autoral, uso artístico da fotografía e etc.

Necessariamente não queria importar o debate pra cá pra tua entrevista mas pra poder esclarecer o porque da inserção do termo por aqui posso comentar que o debate iniciou-se em uma recente postagem no setor foto crítica avançado autoral. E que o uso dessa categoria para nomear a sala gera um certo tipo de limitação teórica, não necessariamente prática porque no final se publica de tudo, mas que induz a pensar que o avançado ou é técnico (a outra sala) ou é autoral. Eu mesmo não pratico “fotografia autoral” no sentido estrito. Não possuo nem tenho procurado impregnar minhas fotos com uma marca que me identifique, onde posto então? Esse era o debate.

E inclusive o gênero “fotografia autoral” também sofreu alguns processos de assimilação mezclando-se com outros campos a partir dos anos 80. Se eu falar de David Lachapelle por exemplo se dissovem os limites entre autoral-publicidad-uso artístico.

Mas enfim, volto pra tua entrevista, última pergunta anotada

Interessante quando você comenta que a “fotografía funciona como uma espécie de alívio para a memória” (ou algo mais ou menos com essas palavras). Daí eu pergunto: O turista entra nessa? Em algum lugar vi que o turista fotografa para recordar e possuir aquele espaço, aquela memória. Como se ele estivesse mais interessado na foto que “garante” que ele esteve ali do que curtir aquele lugar. Ou seja, a gente fotografa pra esquecer ou possuir? Ou nada a ver e o não é bem por aí?

E pronto cara, depois dessa eu paro de te alugar tanto kkk, e desde já agradeço enormemente sua disposição em responder com tanta dedicação e “buena onda” como se diz por aqui. Particularmente, pra mim, foi um prazer.

“...Não acredito muito na estética do aleatório ... Além disso, o fortuíto, é um tanto insatisfatório....” – Genial.

Aquele abraço.

peridapituba
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MensagemEnviada: Ter Out 19, 2010 9:11 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Sabendo do seu envolvimento c a música, se vc fosse fazer uma correlação, que banda se assemelharia ao seu estilo fotográfico? Mr. Green

Essa é bem provocativa, mas não vale falar Frank Zappa. - rs.

Abs, yeah

Eduardo Buscariolli
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MensagemEnviada: Ter Out 19, 2010 9:47 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Julio Paiva escreveu:
Quando comento categoria histórica posso também fazer referência a “gênero”. A fotografia autoral como um gênero específico dentro do que é a produção fotográfica no decorrer da história. Fotografia documental, fotografia publicitaria, jornalistica, autoral, uso artístico da fotografía e etc.

Necessariamente não queria importar o debate pra cá pra tua entrevista mas pra poder esclarecer o porque da inserção do termo por aqui posso comentar que o debate iniciou-se em uma recente postagem no setor foto crítica avançado autoral. E que o uso dessa categoria para nomear a sala gera um certo tipo de limitação teórica, não necessariamente prática porque no final se publica de tudo, mas que induz a pensar que o avançado ou é técnico (a outra sala) ou é autoral. Eu mesmo não pratico “fotografia autoral” no sentido estrito. Não possuo nem tenho procurado impregnar minhas fotos com uma marca que me identifique, onde posto então? Esse era o debate.

E inclusive o gênero “fotografia autoral” também sofreu alguns processos de assimilação mezclando-se com outros campos a partir dos anos 80. Se eu falar de David Lachapelle por exemplo se dissovem os limites entre autoral-publicidad-uso artístico.

Mas enfim, volto pra tua entrevista, última pergunta anotada

Interessante quando você comenta que a “fotografía funciona como uma espécie de alívio para a memória” (ou algo mais ou menos com essas palavras). Daí eu pergunto: O turista entra nessa? Em algum lugar vi que o turista fotografa para recordar e possuir aquele espaço, aquela memória. Como se ele estivesse mais interessado na foto que “garante” que ele esteve ali do que curtir aquele lugar. Ou seja, a gente fotografa pra esquecer ou possuir? Ou nada a ver e o não é bem por aí?

E pronto cara, depois dessa eu paro de te alugar tanto kkk, e desde já agradeço enormemente sua disposição em responder com tanta dedicação e “buena onda” como se diz por aqui. Particularmente, pra mim, foi um prazer.

“...Não acredito muito na estética do aleatório ... Além disso, o fortuíto, é um tanto insatisfatório....” – Genial.

Aquele abraço.


Com relação ao turista, a coisa é por aí. A fotografia de turismo era um recorte do espaço-tempo que atestava tanto para o autor como para os infelizes convidados a verem tais fotos como para o próprio fotografo, a sua experiência. Coloque no passado, porque as digitais desvalorizaram a fotografia de turismo tal como um dia conheci. Hoje em qualquer viagem, suspeito que turma mais conservadora faça 50-70 fotos por dia, os mais prolíficos, talvez, 150-200. Depois de uma semana visitando qualquer lugar, serão 1500-2000 fotos. Definitivamente, fotos de viagem adquiriram outro status, onde é dificil falar em possuir algo.




Image

Essa “ajuda para memória”, que foi um dos motivos para comprar uma câmera, talvez seja um pouco distinta. Os lugares e situações não tem o mesmo peso que uma viagem de lazer ou turismo, eram lugares parte da rotina, aliás, quanto mais rotina melhor. Inegavelmente havia um desejo de posse, não a posse de souvenir, mas a posse sobre uma pequena fatia do tempo que compõe a rotina.

O interessante somente depois de muito tempo ponho esse projeto, nem dá para chamar de projeto, dada a despretensão só uma coleção de fatias de tempo.




Image

A propósito, como muitos dos rótulos que se aplicam a fotografia, esse negócio de autoral, é uma simplificação muito grosseira.
yeah


Editado pela última vez por Eduardo Buscariolli em Ter Out 19, 2010 10:03 pm, num total de 1 vez
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