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 Entrevista: Rogério Reis

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Marcos Borges Filho
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MensagemEnviada: Sex Jun 03, 2011 7:57 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo




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Entrevista: Rogério Reis


O Digiforum tem a honra de trazer a público uma entrevista com um dos mais importantes foto jornalistas do Brasil. Rogério Reis trabalhou no Jornal do Brasil, O Globo, Veja, participou do grupo F4 de Fotógrafos Independentes, e é um dos fundadores da Agência Tyba. Esteve presente fotografando nos mais marcantes episódios que definiram a história recente de nosso país, como a Anistia e o movimento Diretas já. Desenvolveu projetos fotográficos com reconhecimento dentro e fora do Brasil.

O vídeo Av. Brasil 500 mostra uma volta de Rogério Reis ao seu antigo ambiente de trabalho, o Jornal do Brasil. Além de apresentar as imagens que o fotógrafo fez do prédio decadente, o vídeo repassa importantes fotos que Reis realizou no período de JB.

Abaixo link para Av. Brasil 500.
Direção e realização: Fabio Garcia

http://www.mesadeluz.org/archives/278

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- O que despertou em você o interesse pela fotografia?

Por curiosidade nos anos 70 comecei a mexer na câmera fotográfica do meu pai, uma Nikkormat. Logo vi que se tratava de uma ferramenta que produzia informação visual de forma rápida e direta. A idéia de congelar o tempo com enquadramentos variados foi me entusiasmando. Mais adiante, com o fotógrafo e prof. George Racz nas oficinas de artes do MAM, Museu de Arte Moderna, fiz laboratório e fui apresentado a alguns autores clássicos como Cartier-Bresson, Robert Doisneau e Eugene Smith, guru do nosso Sebastião Salgado. Amigos que viajaram para o exterior me presentearam com Diane Arbus e seu aspecto bizarro da sociedade americana, Larry Clark com seu livro autobiográfico (Tulsa-1971) de imagens
explícitas da intimidade da juventude americana e a narrativa documental do Robert Frank no projeto The Americans . Seguindo o meu caminho cruzei com o fotógrafo Dick Welton que formou muita gente da minha geração e me fez perceber e controlar a luz. Na universidade tive o amplo incentivo do Prof Dante Gastaldoni , um entusiasta da fotografia documental que até hoje faz a cabeça de muita gente.



- Em que momento você se descobriu como fotógrafo?

Foi um processo gradual através dos livros e dos cursos. Em 1977 por ocasião do meu primeiro estágio no Jornal do Brasil tive a oportunidade de respirar o ambiente profissional, trabalhar próximo a fotojornalistas de carreira como Evandro Teixeira, Almir Veiga, Rubens Barbosa e Ari Gomes. A equipe de fotografia do JB chefiada pelo Alberto Ferreira era tinhosa, referência nacional, com linguagem despojada e autoral voltada para a notícia.



- Quais suas influências na fotografia?

Meu interesse vai do fotojornalismo ao contemporâneo. Assim como pesquiso meu passado para montar histórias também revisito autores. Minhas influências são transitórias. No momento estou atento à proposta lúdica do espanhol Chema Madoz , do humor sutil do inglês Martin Parr, da autenticidade despudorada do japonês Nobuyoshi ARAKI e da elegância dos portraits de pessoas mutiladas do francês George Dureau.



- Encaminhe-nos pelo menos duas fotos suas que você admire muito, e qual a razão da força dessas fotos?




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Essa imagem faz parte do ensaio Na Lona e, feita no carnaval 1992 , remete à Eco92, Forum Internacional sediado no Rio de Janeiro naquele ano, para discussão do Meio Ambiente. É uma imagem da fusão do homem com a árvore.





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Surfistas de Trem, feita em 1989, é minha preferida dessa série. Gosto da combinação da composição com o momento decisivo. A luz também me agrada.





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E outra é um retrato feito com Rolleiflex da minha família na segunda metade dos anos 50 que me remete a histórias do meu passado onde, eu garoto e minha irmã, estamos com os nosso pais no quintal da nossa casa. É uma imagem recorrente que fala de amor.



Duas fotos de terceiros que te derrubam o queixo, e qual a razão da força dessas fotos?





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foto: Alberto Ferreira

Bicicleta do Pelé (02/06/65, BrasilxBélgica, no Maracanã), do fotógrafo Alberto Ferreira. Sem dúvida essa é a melhor foto do Pelé. Alberto foi um gigante do fotojornalismo, um sujeito ousado por natureza com quem tive a honra de trabalhar.





Image

Torres gêmeas que é a imagem mais poderosa do mundo contemporâneo. Essa imagem tem, por exemplo, o poder de produzir 1000 livros de reflexão sobre o significado desse momento em quase todas as áreas do conhecimento humano.



- Não estando trabalhando você gosta de fotografar?

Sim, quando não estou atendendo um cliente, me dedico com prazer a dar visualidade às minhas idéias que estão quase sempre ligadas à vida da cidade onde moro e às questões que tocam a alma.



- Qual seu equipamento, e o porquê desse equipamento?

Tenho Nikon, Canon , Hasselblad e algumas Lumix, principal patrocinador do projeto Our Place, que consiste em fotografar patrimônios históricos tombados pela UNESCO. Apesar da Nikon ter anunciado estar vindo para o Brasil, aos poucos estou deixando a marca porque sempre tive problemas de manutenção e reposição de peças junto ao antigo representante no Brasil. A Hasselblad me torna nostálgico, seu visor quadrado me põe em linha com os craques da Rolleiflex dos anos 50/60 como Jean Mazon e Zé Medeiros.



- Como o equipamento que você usa influi no tipo de foto que você faz?

Não diretamente. Mas equipamento ajuda a compor o quadro técnico, principalmente quando
você tem que obedecer a um layout. A fotografia para mim é, sempre que possível, uma expressão da liberdade individual, ou melhor, uma conspiração das nossas transgressões e nossas conexões artísticas. A massificação da fotografia digital é bem-vinda porque empurra e requalifica alguns fotógrafos para uma produção de alto nível, mais sofisticada e mais pensada.



- Qual a importância da edição para suas fotos? O fotógrafo deve ter o completo controle de todo o fluxo de sua fotografia, ou pode delegar algumas etapas para outros profissionais?

Com tanta oferta e variedade no mundo contemporâneo passamos boa parte do tempo editando o que temos e queremos ler, comer, vestir, ver por aí vai... É o tempo do excesso de ofertas que nos empurra para o consumo desnecessário. Sou aberto a parcerias na hora de editar minhas imagens e dos fotógrafos que depositam suas fotografias em alta resolução no banco de imagens da Tyba ( www.tyba.com.br) onde trabalho como editor e me somo a um grupo fixo de 4 pessoas (gerente, indexador, atendimento e financeiro).



- Vais em busca da foto ou a foto te encontra no meio do caminho?

Minha fotografia costuma ser planejada mas estou aberto a surpresas, trocas e atalhos.
Caso cruze com algo no caminho que me chame a atenção posso mudar de rumo.



- Gosta de ser fotografado? Ou em casa de ferreiro o espeto é de pau?

Nada contra ser fotografado, normalmente quando isso acontece procuro
facilitar a vida do fotógrafo já que acho que entendo partes das suas necessidades como retratista.
Normalmente quando o fotógrafo é experiente trabalha dirigindo a cena e ao
mesmo tempo consegue conversar com você. O inexperiente fotografa calado,
atento às questões técnicas do momento da foto.



- Certamente o “instrumento” mais precioso do fotógrafo é o olhar. Existe alguma maneira de se apurar esse olhar ou esse olhar é um dom e não há nada a fazer?

Sem dúvida a vocação existe mas o olhar deve estar em constante aperfeiçoamento, dialogando com suas dúvidas e buscando a plenitude do seu amadurecimento. A simplicidade e síntese da imagem são os grandes desafios do exercício da criação.
Existem várias maneiras de se apurar o olhar como, por exemplo, ser assistente de um
fotógrafo, buscar por bons fotógrafos na internet, participar de festivais de fotografia, assistir filmes, ler livros, revistas de fotografia e arte, debates, exposições de arte e sem dúvida arriscar com regularidade o exercício da visualidade para testar os seus limites e ganhar confiança.
Uma vez o fotógrafo paulista Cristiano Mascaro arriscou dizer que para ser um bom
fotógrafo recomendava a leitura de Machado de Assis. Pode ser.



-Você foi talvez um dos primeiros fotojornalistas a cursar uma universidade de jornalismo. Foi levado ao jornalismo pela fotografia, ou descobriu a fotografia no jornalismo?

Antes veio a fotografia e depois o jornalismo, que já passou. Fazer jornalismo é surfar na onda da história produzindo imagens. Uma delícia!!!
Deixei as redações de jornal porque queria viver outras experiências. O uso da imagem em jornal é limitado ao contexto noticioso e não poderia ser de outra forma.



- Dentro das redações como se insere o fotógrafo, é um profissional valorizado ou é visto como um apêndice?


Existem as duas modalidades ou mais. Depende da cultura de cada redação, do ambiente e principalmente do posicionamento do fotógrafo no meio.
De uma forma geral nos últimos 30 anos o fotógrafo de jornal se qualificou e hoje é mais valorizado e respeitado.



- Você é um profissional extremamente eclético. Circula por várias áreas da fotografia sempre com muito talento. É comum se ter esse olhar tão apurado mesmo nessa diversidade de fazeres? Você entende que ser eclético é o melhor caminho para o profissional da fotografia?

O mercado na prática prova que a especialização faz a diferença. Eu acabo atuando em várias frentes porque sempre tive dificuldade com especialização, uma limitação minha somada à crença de que a vida especializada é monótona, um tabu que não superei.
Depois que deixei o jornalismo diário para me tornar um freelancer morria de vergonha por não ter resposta quando me perguntavam qual era a minha especialização em fotografia.
Hoje digo que sou fotógrafo e que trabalho com luz controlada, sou um prestador de serviços que diante dos desafios digo se sei ou não fazer o que estão me propondo.
Já como artista gosto de contar minhas histórias com imagens e busco meus próprios desafios. Nesse segundo caso não me preocupo tanto com o mercado.



- Como se destacar num mercado tão competitivo como o da fotografia?

Todo profissional se destaca quando ele consegue acumular um número significativo de bons resultados do seu trabalho. É o reconhecimento. Para isso é necessário um conjunto de predicados difíceis de reunir: qualificação, aplicação profissional, doses razoáveis de paciência, responsabilidade, disciplina, concentração e bom humor.



- Em sua opinião, fotografia é documento ou arte?

Um documento pode ser uma peça de arte e a arte pode ser um documento. Essas
fronteiras são perigosas porque muitas vezes estão ligadas a doses de preconceitos, e
esses devem ser varridos do mapa porque são a pior praga da sociedade. Arte talvez seja
tudo que é feito de forma poética e sincera.



- O que dificulta para a fotografia ser entendida como uma arte ao nível da pintura e escultura? Hoje, no Brasil, temos um bom mercado para a “fine art”?

As galerias de arte cada vez mais trabalham com fotografia. Muitos artistas plásticos estão usando a fotografia para se expressar e são bem aceitos porque já eram velhos conhecidos do ambiente de arte. Os fotógrafos estão chegando aos poucos e muitas galerias já trabalham com fotógrafos. É um longo processo de legitimação que passa pelos museus, colecionadores, galerias, amantes da arte, jornalistas, críticos e uma boa dose de tráfico de influência e lobby, como ocorre em qualquer mercado da nossa sociedade pós-moderna. Tenho dúvidas se o mercado é um mal necessário como muitos dizem. De qualquer forma o balcão de negócios fine arts vem se consolidando desde o advento Robert Mapplethorpe junto aos novos ricos de Wall Street da década de 80 em NY. No Brasil basta verificar o atual faturamento da SP Foto de São Paulo e da SP arte que trabalha com muitas fotografias e chega a vender em 4 dias 30 milhões de reais. Segundo o alemão Hans Michael Herzog, diretor da Daros Latinamerica, ainda existe o preconceito por grande parte do mundo tido como desenvolvido, o que leva a confundir a arte produzida aqui com folclore, plumas coloridas e todas essas idéias idiotas. Concordo com ele quando diz que vender não significa que você é um bom artista. Arte é um sistema complexo que deve ser observado em vários níveis. Para entender a engrenagem desse mercado sugiro o livro “Sete dias no Mundo da Arte” da Sarah Thornton, Editora Agir. Já para observar um bom resumo ilustrado e comentado indico “A Fotografia como Arte Contemporânea” da Charlotte Cotton, editora Martins Fontes.



- Uma foto tem força para ajudar efetivamente numa mudança de um status quo? Se você entende que essa afirmação é verdadeira, poderia nos apresentar uma foto que teve essa força?

As fotos, ou melhor, a imagem do avião destruindo as torres gêmeas em NY, já inserida acima.



- Com a multiplicação dos recursos de imagens nas mãos de todos os cidadãos, percebemos uma tendência de se postar, na mídia em geral, muitas fotos produzidas por populares presentes em determinados fatos. De que maneira essa tendência pode afetar o espaço profissional dos fotojornalistas profissionais?

O repórter-fotógrafo cidadão é um fenômeno crescente, fruto da inevitável massificação da fotografia digital. Um caminho sem volta que diminui o número de postos de trabalho na imprensa e mídias afins. O que está em jogo aí não é mais a defesa de uma categoria profissional e sim a democratização da liberdade de expressão que permite ao cidadão com tecnologia de custo relativamente baixo participar ativamente no processo de formação de opinião pública através das novas mídias e das redes sociais.
Hoje as grandes empresas de comunicação têm uma estrutura só para receber informação do público externo, uma produção espontânea que já funciona em larga escala e merece respeito.



- Conte-nos sobre a Tyba; e como é, e qual a importância dessa passagem de fotógrafo para empresário?

Definitivamente não sou um bom empresário. No passado trabalhei inadvertidamente com uma gerente e duas contadoras perversas. Hoje divido essa responsabilidade com minha mulher que é sócia-gerente do negócio. A Tyba surgiu do braço carioca da extinta agência F4 em 1989. Ricardo Azoury e eu nos juntamos ao fotógrafo Claus Meyer da Câmara 3 para produzir fotos e arrecadar direitos autorais do nosso próprio acervo. Infelizmente Claus faleceu em 1996, mas o Azoury ainda participa como um dos principais colaboradores do nosso banco imagem. Nosso acervo é especializado em temas brasileiros e temos até o momento 40000 imagens para consulta ONLINE e nosso arquivo físico abriga em torno de 800mil cromos/ slides.



- O direito autoral, no que diz respeito à fotografia, é respeitado no Brasil? A legislação que temos é suficiente para proteger os autores e suas obras?

Sim. Apesar da tendência ideológica do creative commons e do royalt free, a lei do direito autoral controlado está em vigor no Brasil e a obra do autor pertence a ele e seus herdeiros até 70 anos após a sua morte.



- Hoje no Brasil, uma série de locais públicos começam a impor restrições a que se façam fotografias. O que você pensa e o que se tem feito a respeito?

Com a avalanche da tecnologia digital os principais museus do mundo como o Louvre em Paris já permitem fotos. Para instituições públicas e privadas o uso do tripé é o diferencial de identificação do fotógrafo profissional. Como o profissional ganha dinheiro com o que faz e normalmente divulga / publica suas imagens, essas instituições querem sempre saber o motivo das fotografias e tentam muitas vezes cobrar por isso ou burocratizar ao máximo o acesso do fotógrafo a esses locais. A publicidade, o cinema e as emissoras de TV que produzem novelas quando escolhem uma locação pagam pelo uso dessa imagem já que existe verba para isso. São situações que geram bons lucros com imagem. Já o fotojornalista no exercício da sua função tem direito, em tese, ao acesso livre para colher informações visuais e assim formar e esclarecer a opinião pública. Eu sempre ando com minha carteira do sindicato e da associação de fotógrafos para uma eventualidade. Pode não resolver mas ajuda. O IBAMA andou se excedendo e os fotógrafos de natureza liderados pelo Luiz Cláudio Marigo estão unidos na luta pelo livre acesso aos parques e reservas florestais.



- Existe espaço para uma edição de uma foto jornalística? Qual o limite ético aqui?

Alterar o conteúdo de uma imagem factual jornalística é contra a ética da profissão. Hoje muitos jornais produzem cadernos ou suplementos temáticos não factuais que falam de filosofia, literatura, ou melhor, de assuntos mais abstratos que vão além da notícia. Nesse caso é tolerado o uso de manipulação para ilustrar um conceito ou uma situação fictícia ou não.



- Como foi acompanhar Ayrton Senna durante três anos, fotografando-o para o Banco Nacional?

Dividir momentos de vida com o Ayrton foi dignificante. Ele era super profissional, gentil e educado. A MPM como agência do Banco Nacional produzia alguns layouts e me contratava para os clics. Ayrton estava no auge da carreira e era muito assediado pelo público. Nossa equipe de produção em alguns momentos chegou a contar com 15 profissionais entre produção executiva, assistentes, jurídico, seguranças, cenografia, make-up, catering , transporte e laboratório de revelação de plantão. Dependendo da produção tínhamos que alugar estúdios maiores como o da Tycon de 500 m quadrados na Barra da Tijuca. As vezes deixávamos dois ou três sets prontos por antecedência e quando havia tempo fazíamos testes de simulação em cromos para verificação de cor, luz e enquadramentos. Parte importante desse processo era o Armando Botelho que trabalhava diretamente com o Ayrton e fazia o pente fino com a nossa produção. Nas cenas externas de autódromo ele era fundamental porque ele entendia as nossas necessidades e conhecia todo o circo da Fórmula 1. Com a morte do Ayrton parei de acompanhar a Fórmula 1.



- Você foi um dos grandes documentaristas do período das Diretas Já. Houve, naquele momento histórico, algum fato relacionado à sua profissão que te marcou? Vocês tinham liberdade para trabalhar? Alguma foto foi censurada na redação? Qual foto sua retrata de forma mais profunda esse período?

Cobrir Diretas Já foi talvez a minha maior participação cívica como fotojornalista. Quando pisei na Av. Presidente Vargas no Rio e na Praça da Sé em SP com um milhão de pessoas querendo votar para presidente me conscientizei que o povo, como diz a letra da música do Geraldo Vandré, pode fazer a hora e não esperar acontecer. Nesse momento não havia mais censura dos militares e tanto a redação da Veja como a do JB onde trabalhei durante o processo das diretas viviam um bom momento de liberdade editorial. Mas ainda havia uma herança maldita: grupos de comunicação comprometidos com a ideologia e interesses econômicos da recente ditadura.



- Dentre os prêmios e honrarias que você tem recebido ao longo de sua carreira, o que mais te marcou?

Não tenho o hábito de participar de prêmios e concursos. Perco os editais por não ter competência para acompanhar os processos convocatórios e preencher formulários.
Ganhei o Prêmio Nacional de Fotografia da Funarte na categoria documental porque fui indicado pelo fotógrafo Marcos Bonisson. Claro que gostei. Falar nisso, Bonisson acaba de lançar seu instigante livro Arpoador.



- Sua foto de Carlos Drummond de Andrade, na praia de Copacabana foi reproduzida numa escultura que talvez seja a mais conhecida do país... Como é ver a foto em bronze?




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É gratificante ter a foto materializada em bronze e poder contribuir para a propagação da imagem do nosso poeta maior. Normalmente as estátuas são solitárias na paisagem das cidades. Já a do Drummond é uma exceção. Ela é muito visitada e bastante fotografada. As pessoas interagem com ele, conversam com ele, fazem carícias, tiram fotos, abraçam e beijam o tempo todo. Podemos dizer que é uma estátua “viva”, que deu certo. No dia em que fiz a tal foto a idéia de levá-lo até a praia para fazer essa cena foi minha. Quando chegamos ao calçadão pedi para ele se sentar no banco da praia, o mesmo da estátua, de costas para a praia. Ele retrucou me dizendo que não ficaria bem um mineiro de costas para o mar, já que Minas não tem praia. Eu retruquei dizendo que dessa forma o leitor poderia desfrutar da imagem do poeta com a praia de Copacabana ao fundo. Ele concluiu: tudo pelos leitores vamos lá rapaz!!!!



- Você foi a referência para a criação do personagem (inclusive com seu nome) do fotógrafo no filme Cidade de Deus, de Fernando Meirelles. Como se deu esse processo?

Um dia, com o filme já em processo finalização, o Fernando Meireles me ligou para dizer que eu estava no filme Cidade de Deus baseado no livro do Paulo Lins. Como eu sabia que se tratava de violência fui logo perguntando se eu era mocinho ou bandido. Meireles me acalmou dizendo que o ator que me representava no filme fazia o papel de editor de fotografia e que produzia cidadania porque incentivava o personagem Buscapé a largar o mundo do crime e virar fotógrafo como era o seu sonho. Concordei.



-Como foi fazer o 14 bis revisitar a França no delicioso ensaio o “Vôo do Papel” para o ano da França no Brasil?




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Link para o ensaio:
http://www.luciaguanaes.com/index.php?option=com_rsgallery&page=inline&catid=74&Itemid=101&lang=br

O Vôo de Papel foi a matéria prima que criei para o projeto Marimage, uma fusão de olhares produzida pelo artista Marco Antonio Portela que organizou um grupo de fotógrafos brasileiros e franceses em Paris para posteriormente casar imagens, com participação do curador francês Alban de La Fontaine . Cada 2 imagens virou 1 na galeria de arte Solar Meninos de Luz localizada na favela do Cantagalo no Rio.
Quando topei entrar no projeto decidi não fotografar Paris de forma convencional já que é uma das cidades mais fotografadas do mundo e bem explorada por fotógrafos consagrados. Daí me veio a idéia de trabalhar de forma lúdica e simbólica com o Santos Dummont . Montamos o protótipo de papelão do 14 Bis que funcionou através de um sistema semelhante ao de marionete com um braço de estúdio. Foi uma experiência divertida nas ruas de Paris, uma performance ao vivo, sem Photoshop.




- Qual a importância de ter seus trabalhos “Surfistas de Trem” e “Microondas” adquiridos pela Maison Européenne de la Photographie (http://www.mep-fr.org/)?

Fazer parte do acervo dessa instituição é claro que mexe com o orgulho de qualquer fotógrafo. Principalmente Microondas que é um trabalho pesado, de difícil digestão, e só poderia ser adquirido por uma instituição. Microondas é uma instalação em back ligth com fotografias da barbárie social aplicadas em 12 pneus. Dificilmente alguém colocaria isso em casa. Quanto à série dos Surfistas de Trem do ramal de Japeri, ela faz parte da coleção Extremos da mesma MEP e será exibida no próximo mês de junho aqui no Instituto Moreira Sales.




- Um dos seus trabalhos mais marcantes é sem dúvida o “Na lona”, que se transformou num livro de muito sucesso. Aqui você nos mostra que carnaval no Rio não se resume a Sapucai, que a fantasia não morreu no imaginário popular, e que há muita vida e alegria no que se considera marginal. O que te inspira para desenvolver projetos tão especiais?




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Depois de anos fotografando o Sambódromo decidi com alguns parceiros da agência F4 como Zeka Araújo a virar de costas para o sambódromo, sair da zona midiática. Foi um projeto de 15 anos que terminei após grande persistência em um período de baixa do carnaval de rua, folião era uma raridade se compararmos aos dias de hoje. Para a publicação do livro tive o apoio da Editora Aeroplano que viabilizou o patrocínio através da renúncia fiscal (Lei Rouanet). O Bruno Veiga, fotógrafo e sócio da Galeria da Gávea que representa essa série do carnaval diz que esse conjunto de retratos marca o fim fotografia urbana sem culpa, ainda distantes da paranóia da indústria das indenizações por uso de imagem. Pode ser!



- Em “Na Lona” me parece que você contou só com um assistente e uma lona de caminhão. É mais complexo desenvolver, com qualidade, algo tão simples; ou qualidade é mais simples de se obter quando se faz o complexo?

Depende da idéia, tem projetos mais complexos e simples. A fórmula ideal talvez parta do simples com qualidade mas nem sempre a coisa funciona como a gente quer que aconteça. Aí temos que rever a chave de trabalho para atingir o resultado desejado. No “Na Lona” trabalhei com Hasselblad, flashes Lumedyne, um assistente, a lona de caminhão e meu automóvel para os deslocamentos. Para esse desafio tive sempre o apoio e incentivo da minha mulher Mayra. Por isso o livro é dedicado a ela.



- Quais seus projetos de momento, e o que podemos esperar pela frente?

No momento trabalho em duas histórias: “Linha de Campo” e “Ninguém é de Ninguém”. No primeiro faço geometria em alto contraste com as linhas de pó de cal do gramado do estádio do Maracanã, um jogo de humor e poesia com as regras do esporte, talvez uma síntese visual das minhas vivências nesse lugar. Já no “Ninguém é de Ninguém” parto do direito de imagem para falar das pessoas sem rosto, camufladas por tarjas assumidas. São imagens não correspondidas, tudo aqui vira um 0800, um padrão prático que engessa as particularidades e produz um déficit de individualidade. Um trabalho sensual e bem humorado onde mostro casais héteros no espaço público.


Editado pela última vez por Marcos Borges Filho em Qui Nov 24, 2011 4:13 pm, num total de 23 vezes

Marcos Borges Filho
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MensagemEnviada: Sex Jun 03, 2011 8:00 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Estamos divulgando o livro do Rogerio Reis: Na Lona. que pode ser adquirido através do Submarino.com com parceria-afiliado para o DigiForum yeah


"Nas fotos de Rogério - que vem documentando personagens do carnaval de rua, desde 1988, em preto-e-branco. Personagens que só vivem nesses quatro dias surgem através da lente do artista, que capta, com plena sensibilidade, a fantasia - real e alegórica - de cada um.
O resultado é uma coleção rara, que não se limita a retratar foliões criativos, mas surpreendentes momentos de desafogo da rotina e suas limitações."


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Eduardo Buscariolli
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MensagemEnviada: Ter Jun 07, 2011 11:01 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Primeiro gostaria de fazer elogios sinceros ao trabalho do amigo forista Marcos Borges Filho : esta entrevista está duca. Parabéns por este trabalho.

Tenho uma ou duas perguntas:

Rogério Reis,, é uma grande alegria poder ler esta entrevista aqui no DF.

Estava vendo o video Avenida Brasil 500 e tive o prazer de re-lembrar algumas fotos - digo re-lembrar porque quando foram publicadas era um adolescente começando a tomar lugar no mundo: o beijo que o Magalhães Pinto ganhou na praia do Botafogo (78), o Cacique Juruna com Leonel Brizola ao fundo, Teotonio Vilela no Frei Caneca (78). Todas contendo aquilo que suponho fazer uma grande foto, capaz de ser lembrada por décadas: o momento e o gancho estético - ora, são fotos bonitas, marcantes.

Assim apelando a sua experiência como fotojornalismo: como balancear as demandas estéticas de uma boa foto e as necessidades da pauta, da cobertura jornalistica e sobretudo com o compromisso com o fato, como se junta essas duas necessidades?

E sob a ótica do editor de fotografia de um veiculo de imprensa, como se junta a pauta, o fato com a estética?

Um forte abraço

xande_mike
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MensagemEnviada: Qua Jun 08, 2011 1:45 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Uma pergunta. Num evento jornalístico vc sai clicando freneticamente ou espera o momento? yeah Excelente entrevista! Cool

Marcos Borges Filho
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MensagemEnviada: Qua Jun 08, 2011 1:35 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Pessoal, as questões já foram encaminhadas ao Rogério Reis que irá responder assim que possível.

email do Rogério Reis em consideração as questões encaminhadas:

Citação:
Salve Marcos,

que bom que as pessoas estão reagindo a nossa entrevista. Vou responder sempre; mas, preciso de um tempinho por conta de muita coisa ao mesmo tempo.

Abs, rogério.

Marcos Borges Filho
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MensagemEnviada: Qua Jun 08, 2011 5:43 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Rogério Reis convida a todos do forum para asistirem a exposição do provocador e criativo ensaio Ninguém é de Ninguém.




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Silvia Linhares
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MensagemEnviada: Qui Jun 09, 2011 9:32 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Marcos, parabéns novamente por esse trabalho com as entrevistas, trazendo até nós desde grandes fotógrafos até gente nossa, colegas do Digiforum.

Rogério, primeiro, parabéns pelo seu trabalho, eu conhecia superficialmente, e me senti feliz por agora conhecer um pouco mais dessa sua história de vida que interage profundamente com a história desse país.

Vamos à perguntinha: O que você faz para conciliar a fotografia, horas de edição, administração de um negócio com a sua família, que sempre exige mais atenção do que nosso tempo permite? É cobrado por eles?

VIOLEIROPESCADOR
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MensagemEnviada: Sex Jun 10, 2011 10:54 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Parabéns ao DifiForum pelas entrevistas de alta qualidade.
Estou adorando.
Abraço a todos!

Marcos Borges Filho
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MensagemEnviada: Seg Jun 13, 2011 5:43 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Respostas do Rogério Reis as questões formuladas:

Resposta à questão do Eduardo Buscariolli:

Eduardo, dar beleza estética aos fatos através da luz e da composição faz parte da cultura da chamada fotografia do momento decisivo.
Algumas pautas favorecem mais esse embelezamento pois acontecem em cenários sugestivos à bons enquadramentos . O fotojornalismo é moderno e como estilo dialoga bem com as linhas, é geométrico por excelência.
Já o flagrante depende de reflexo e da concentração do fotógrafo. Tudo isso acontece muito rápido e funciona em conjunto segundo o repertório de cada fotógrafo..

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Resposta à questão doxande_mike:

Xande, obrigado pelo seu comentário. Em um evento jornalístico funciono em dois canais: um fica aberto a surpresas e outro obedece a um planejamento desenvolvido previamente. Nunca clico freneticamente pois gosto de escolher meu quadro. Meu visor também funciona segundo minha interpretação da realidade, sempre pergunto porque esse ou aquele fato está acontecendo naquele momento e procuro entender a intenção das pessoas envolvidas no episódio. As vezes busco simplicidade, ironia, espontaneidade e quase sempre procuro ser crítico porque admito e respeito a inteligência do leitor.


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Resposta a questão da Silvia Linhares:


Silvia, acho a minha família compreensiva porque já está acostumada com o meu "fuso horário". No jornalismo diário eu trabalhava quase todos os finais de semana e feriados. Hoje minha mulher Mayra trabalha comigo no mesmo escritório e dividimos as responsabilidades profissionais. Mesmo assim é importante planejar férias e cumpri-las. Eu sempre me defendo das cobranças familiares dizendo que o importante é a qualidade da relação e não o tempo que ficamos juntos em família. Desconfio que eles finjam que concordam comigo quando digo isso mas nos respeitamos acima de tudo... O fato é que ainda tem que sobrar tempo para a natação e a meditação para relaxar.

Marcos Borges Filho
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MensagemEnviada: Seg Jun 13, 2011 5:48 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Questão levantada pelo Luis Claudio Marigo:

O que você acha da fotografia de natureza para o mercado de fine art? O perfil dos compradores de fine art é de apreciar e comprar fotos de natureza?

Um abraço,

LC Marigo



Resposta do Rogério Reis:

Grande Marigo, a fotografia de natureza faz parte do interesse dos compradores de arte. Muita gente por falta de informação acha que o atual mercado de arte só compra fotos conceituais o que não é verdade, a tendência de expressão contemporânea é apenas uma parte da história. Existem colecionadores , galeristas e museus ligados a fotografias que eu chamo de explícita, onde o fotógrafo assume sua linguagem de forma direta, sem a necessidade de textos ou atmosferas filosóficas para se fazer entender. Acho que a fotografia de natureza tem importância política porque na maior parte dos casos ela é preservacionista pois é feita por amantes da natureza. Como sempre digo vc é o melhor fotógrafo de natureza da nossa geração e tem todas as credenciais, caso vc tenha interesse, de participar de forma mais ativa do chamado fine art com suas naturezas.

paulo magoo
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MensagemEnviada: Qua Jun 15, 2011 12:07 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Rogério,parabens pela entrevista e qualidade no seus trabalhos, já tinha visto alguns,mas não conhecia o autor, que as vezes é relegado a apenas umas letrinhas miúdas nos cantos das fotos Mr. Green

Com a proliferação digital mts talentos adormecidos estão surgindo e mts se perdendo na mutidão também, o que a garotada de hj teria que fazer pra se destacar e se firmar no mercado ??/

abs

Marcos Borges Filho
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MensagemEnviada: Qua Jun 15, 2011 6:25 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Resposta do Rogério Reis ao paulo magoo:

Caro Paulo, também fico impressionado com a quantidade de fotos produzidas hoje. Acho que a garotada , com exceções é claro, precisa pensar mais e fotografar menos. Elaborar mais antes de fazer o clic. Penso que para isso é necessário um pouco de paciência e disciplina para achar um caminho que pode ser um tema real ou uma idéia original para ser ilustrada com imagens.
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