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 Ameaça a atividade dos fotógrafos e liberdade de imprensa

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Ruria
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MensagemEnviada: Qua Jun 08, 2011 5:17 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Pessoal, estou acompanhando de perto esse assunto. Entrei em contato com o curso de Biologia na minha faculdade. Muito está sendo feito, pelo que percebi, e mais, para poder "tranquilizar" a todos, me informaram que o ICMbio não é lá essas coisas (instituição forte) para coibir esse tipo de atividade. Portanto, o pessoal da área está "tranquilo" a esse ponto, pois sabem que esse assunto não irá para frente. Speak to the hand

Mas me pediram que, quanto mais pessoas acessarem e expressarem sua opnião, estaremos fortalecendo um dos principios básicos de nossa constituição..."direito de ir e vir" e "liberdade de expressão"...etc yeah

Só lembrando...toda e qualquer divulgação da imagem dos Parques, com intuito de divulgação de qualquer produto ou marca, caberá sim autorização por uso de imagem, conforme já lei em vigor! Mr. Green

edsonvet
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MensagemEnviada: Qua Jun 08, 2011 7:37 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Pessoal, eu concordo com tudo que escreveram em relação à liberdade de imprensa e ao direito de fotografarmos livremente nas Unidades de Conservação (UC).

Sou Veterinário, amante da fotografia de aves, membro de grupo de montanhismo e escalada (CET - Centro Excursionista Teresopolitano) e frequento bastante o PARNASO em Teresópolis. Por isso, este assunto me interessa.

Entretanto, é preciso observar com atenção o que diz o texto da Instrução Normativa (IN) e, em minha interpretação, a situação é bastante específica. Vou transcrever a parte a que me refiro. Por favor, avaliem.

CAPÍTULO II – DA AUTORIZAÇÃO PARA A CAPTAÇÃO

Art. 3˚ A Autorização para captação de imagens das Unidades de Conservação e de seu patrimônio não constitui autorização para o uso.

§ 1˚ A Autorização somente será requerida para a captação de imagens das Unidades de Conservação e de seu patrimônio quando a atividade envolver o acesso à Unidade de Conservação em condições especiais de horário, acesso a zonas restritas ou quaisquer outras diferenciadas das atividades normais de visitação, assim como quando a execução da captação alterar a rotina dos locais abertos à visitação e de seus usuários.

Portanto, eu vejo que essa é uma situação específica de acesso em horários especiais (normalmente o horário de visitação das UC é de 6:00h às 17:00h) ou locais restritos (como em locais onde haja necessidade de recuperação da vegetação e as visitações são restritas ou mesmo proibidas) ou situações diferenciadas das atividades normais de visitação.

Logo, fica claro, ao menos para mim, que tais autorizações (e toda a IN) NÃO SE APLICAM A UMA VISITAÇÃO NORMAL, EM HORÁRIO DE EXPEDIENTE E EM LOCAIS PERMITIDOS NORMALMENTE. Em minha visão, não afetam as fotos que faço quando vou ao PARNASO.

De qualquer forma, o debate continua aberto e devo parabenizar o Digiforum por este espaço democrático.

Um Grande abraço a todos !!

edsonvet
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MensagemEnviada: Qua Jun 08, 2011 11:33 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Pelo visto, por enquanto, apenas eu e o colega coutinhobr compartilhamos dessa opnião.

A legislação anterior que tratava do assunto (ver art. 33 da Lei nº 9.985 e art. 27 do Decreto nº 4.340) era muito vaga e apenas citava que dependeria de regulamentação posterior, que será feita agora.

coutinhobr, na minha opnião, o parágrafo 1º se aplica ao texto inteiro da IN, inclusive à questão jornalística.

Volto a dizer, o debate é iportante. Todos devem se manifestar no site do ICMBio, até mesmo para que não fique dúvidas quanto à clareza do texto.

mauricioooo
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MensagemEnviada: Qua Jun 08, 2011 11:52 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Marcos Borges Filho escreveu:
Pessoal,

olhem outro absurdo... Vejam o que temos no parágrafo 5 do cap. 9

§ 5˚ Ao final da produção deverá ser entregue cópia do material conforme termo de cessão de uso não comercial para a Unidade de Conservação e para a Assessoria de Comunicação do Instituto para inclusão em seu acervo.

Já pensaram... Tiramos nossas fotos. Muitas pessoais, e teremos que deixar uma cópia com eles...

Outra coisa... Como faremos esas cópias? Quem imagina que em cada parque público vai ter equipamento onde podemos fazer as cópias? Como sempre eles só nos atribuem responsabilidades, a deles é só inventar impostos e restrições a direitos.


Um absurdo !!
Mais um exemplo de autoritarismo e restrição de liberdade de nosso governo petista. Ou melhor, petralha.
Já deixei minhas críticas na consulta pública.
Seria bom se todos participassem.

Celso Rogerio

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Eu moro aki!
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MensagemEnviada: Qui Jun 09, 2011 12:19 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

coutinhobr escreveu:
Olá Celso, li sua mensagem e fiquei preocupado com isso. Uma vez que adoro fotografar em Unidades de Conservação. Bom, acabei de ler essa proposta de Portaria do ICMBio.......

...Pelo que entendi, não é bem assim, de não poder fotografar...

...Pelo que entendi, para o visitante comum, vamos dizer assim, que frequenta as UCs em horários estabelecidos e visita as partes abertas ao público, nada vai mudar. Poderá fotografar normalmente. Então, acho que não é bem assim: estar lá, ver um pássaro e não poder fotografar....


Pode parecer exagero. É isso que você interpretou correto?

Mas com o que você fotografa? Nunca seremos apenas "público" com uma norma dessas pois só aqui no DigiForum tem um monte de fotógrafos amadores de natureza com equipamentos caros, pesados e grandes, mas são amadores, continuarão sendo e não ganharão dinheiro com as fotos, mas nunca serão "público" de fato pela interpretação da autoridade local.

Vai numa UC depois dessa IN aprovada vigente e tenta tirar umas fotos de pássaros com uma 100-300mm ou uma 500mm, ou fazer uma longa exposição com tripé ou foto de insetos e flores com kit macro com flashes remotos...

Qualquer equipamento de amador que seja maior que uma saboneteira vai cair nisso aqui: "ou quaisquer outras diferenciadas das atividades normais de visitação" e vai ser interpretado como uso profissional e você vai ter que ter muita lábia ( ou muita propina no bolso pois dar o poder de liberação aos chefes locais vai gerar isso ) pra poder fotografar em paz. Ou não vivemos no Brasil, onde as interpretações errôneas sempre são piores pro lado dos mais fracos?

Melhor não esperar pra ver Wink

Abs yeah

Eduardo Buscariolli
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MensagemEnviada: Qui Jun 09, 2011 11:17 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Só para se alguém ainda tem dívidas sobre qual é o apito que o ICMBio toca.

http://oecoamazonia.com/br/reportagens/brasil/234-obras-provocam-reducao-de-unidades-de-conservacao

Fala sério, é de se duvidar sobre quais são de fatos os interesses, dessa instituição que tanto quer zelar sobre os ativos da nossa biodiversidade.

oRodrig0o
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MensagemEnviada: Qui Jun 09, 2011 4:20 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

(obs: estou sem ponto final no teclado)

Pessoal,

só para angariar meu comentário - que sei que será pouco apreciado neste espaço;
fotografo desde os 10 anos de idade (estou com 40) e passei por quase todas as experiências na foto; num hiato da minha profissão atual me tornei profissional na foto-arte por pouco tempo; hoje fotografo como ferramenta para minha atividade, nao como objetivo principal; acompanho a digiforum tem muito tempo, mas não escrevo quase;
sou biólogo e atualmente agente florestal na secretaria estadual de meio ambiente do rs - portanto me julgo apto a fazer o comentario tendo conhecimento das duas pontas; e podem apostar que somente estou aqui pois nutro um profundo amor por AMBAS as atividades e desejo, apesar de utopico, um entendimento e apaziguamento do assunto;

muito poucos aqui parecem que perceberam o conteudo global desta proposta de normatização do uso fotografico nas unidade de conservação; a maioria vai pelo "liberdade de imprensa e de ir e vir" alem da emoção da possibilidade de serem tolidos de seu hobby ou profissao;
li a proposta de IN do ICMBio, pode ser aperfeiçoada, é verdade, mas a maior parte do que esta la JA EXISTE em regras em vigor; O que esta sendo normatizado é para aqueles que VAO GANHAR $ com as fotos e não repassar nada ao auxilio na manutenção daquela UC - uma tremenda MINORIA de fotografos; tb está sendo normatizado aqueles que vao entrar em areas agrestes, perigosas, isoladas, em dias, locais e horarios fora da visitação e de acompanhamento normal de um turista; quer passear com a familia e turma de amigos numa visitação comum e rotineira da UC? pode! Vai levar uma maquina profissional E NÃO É PROFISSIONAL? Pode! Se alguem da UC te bloquear ou não deixar de usar a máquina, FAÇA BO NA POLICIA POR DISCRIMINAÇÃO E ABUSO DE AUTORIDADE! Atente antes para que não esteja escrito no Plano de Manejo apenas! Ali é a "biblia" da UC; Se estiver - absurdamente (e a discussão se esta ou nao é outra) - que há uma especificação de equipamento fotografico a ser usado livremente e os que nao sao, ja estava no papel (feito por muitas pessoas e de consulta publica) e os guardas ou gestor não tem culpa de bloqueá-lo; se não estiver é abuso de autoridade e discriminação, principalmente porque o turista nao vive deste oficio - e se for profissional e mentir que é um simples turista, poderá ser processado por falsidade ideológica na mesma forma; Não se pode julgar a lei pela possibilidade de que haverão maus gestores e servidores públicos; não normatizar o abuso tb feito por fotografos/cinegrafistas e outros para que alguns profissionais façam o que quiserem, indo quando e como quiserem e captarem recursos $ para fins exclusivamente particulares não é o caminho;
e se for o ofício de fotógrafo? bom, dai acho justo saber para onde vao as fotos e, especialmente, como sera feita; vc fotografa um macaco e vai para uma campanha gigante da havaianas, por exemplo, e todo mundo envolvido na midia ganha, menos a unidade de conservação que cuida do macaco; mas mesmo assim ainda podera ser feita, o que precisa se saber é em que condições em campo isso ocorrerá e, para controlar o exageiro, uma documentação é necessaria com copia das fotos feitas; nisto é importante que fique esclarecido nas regras que não sejem entregues cromos, negativos nem tampouco os arquivos de alta resolução, apenas uma copia que se possa associar a um futuro enrosco judicial com a materialidade da imagem discutida; NUNCA a formação de banco de imagens por parte da UC nem JAMAIS a autoria ou sombra dela! O que é exigido é a vinculação do nome da UC e local, acho justo; A ideia não é promover a conservação? promovamos a UC no sentido da divulgação da natureza;
ok___ e quanto ao jornalismo? entendo e interpreto da IN que toda a foto feita aérea e fora das divisas da UC continua livre - para que fim for; e dentro é preciso algum tipo de controle nao no sentido de controlar a materia e imagem (a turma do liberdade de imprensa) mas no sentido de preservar a integridade do fotografo e de casos especiais como especies muito raras e delicadas que podem ser afetas qto ao ingresso do mesmo; so um acompanhamento de um guarda florestal ou servidor da UC para alertar e mesmo e acompanhar para que não hajam acidentes e mesmo tragédias ao fotojornalista; imagine um predio publico pegando fogo (ou uma UC), o fotografo quer fazer a materia, o predio é publico, ninguem poderia "bloquear" o jornalista, exceto os bombeiros; por segurança, prudencia, nao é permitido o ingresso de "leigos" em segurança, engenharia, equipamentos, etc até houver o controle destes quesitos; da mesma forma numa UC; houve um "evento especial" para ser objeto de materia jornalistica, o fotografo nao conhece a fundo o ecossitesma local, podera se perder, poderá se machucar ou mesmo morrer, poderá pisar em ninhos de especies endemicas (q em todo o mundo so existem ali!), comprometendo a sobrevivencia da mesma e objeto da propria existencia da UC! precisa haver controle de quem entende do assunto, de quem conhece mais que ninguem aquele local em especial;
há muito o que se falar a respeito; é preciso que se analise de todas as faces e refletir antes de disparar "absurdo!" à IN no ICMBio; meu tempo é publico, mas tenho outras demandas no meu ofício; em outra oportunidade espero poder contribuir;
espero que haja a melhor reflexão neste forum;

um abraço e sempre boas imagens

Rodrigo

Eduardo Buscariolli
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MensagemEnviada: Qui Jun 09, 2011 5:15 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

oRodrig0o escreveu:
ok___ e quanto ao jornalismo? entendo e interpreto da IN que toda a foto feita aérea e fora das divisas da UC continua livre - para que fim for; e dentro é preciso algum tipo de controle nao no sentido de controlar a materia e imagem (a turma do liberdade de imprensa) mas no sentido de preservar a integridade do fotografo e de casos especiais como especies muito raras e delicadas que podem ser afetas qto ao ingresso do mesmo; so um acompanhamento de um guarda florestal ou servidor da UC para alertar e mesmo e acompanhar para que não hajam acidentes e mesmo tragédias ao fotojornalista;


Rodrigo, acho que ninguém questiona necessidade de acompanhamento especializada. Aliás até acredito que é o procedimento correto.

Mas olha:

Art. 4˚ A atividade de captação de imagens associada a matérias jornalísticas sobre ocorrências ou fatos eventuais na região da Unidade de Conservação deverá ser objeto de autorização direta pela chefia da Unidade de Conservação.

Até onde entendo, isso quer dizer que a chefia da unidade pode ou não aprovar segundo seus critérios, que podem não ser necessáriamente quesitos técnicos. Ou seja abre um buraco, permitindo veto de materias que possam ser de interesse do coletividade, até por interesses contrários as necessidades da unidade.

PS- Confesso que não entendi o que você quer dizer aqui...
Citação:
.(a turma do liberdade de imprensa)

oRodrig0o
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MensagemEnviada: Qui Jun 09, 2011 8:56 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Eduardo Buscariolli escreveu:

Rodrigo, acho que ninguém questiona necessidade de acompanhamento especializada. Aliás até acredito que é o procedimento correto.


Acho que sim. Acho que é justamente ai o ponto central da maior parte do descontentamento.

Eduardo Buscariolli escreveu:
Mas olha:

Art. 4˚ A atividade de captação de imagens associada a matérias jornalísticas sobre ocorrências ou fatos eventuais na região da Unidade de Conservação deverá ser objeto de autorização direta pela chefia da Unidade de Conservação.

Até onde entendo, isso quer dizer que a chefia da unidade pode ou não aprovar segundo seus critérios, que podem não ser necessáriamente quesitos técnicos. Ou seja abre um buraco, permitindo veto de materias que possam ser de interesse do coletividade, até por interesses contrários as necessidades da unidade.


Pois é... Concordo que devem haver paragrafos anexos a este artigo para explicar mais, mas para mim diz unica e excluvamente sob o ponto de vista técnico, de quem cuida das unidades, de como se dará esse ingresso. É a visão de quem entende de ecossistema local e particularidades da unidade, nada mais! Ja imaginou se a cada vez que fossem fotografar uma ave ou uma montanha um biólogo colasse em vcs e dissesse que para aves só pode ser com ISO 100 para mostrar as penas melhor quando ampliar, e montanhas ISO 800 porque ela já é grande e não vão precisar ampliar tanto? Que absurdo, não é? Pensem que há particularidades em cada UC que nem sempre os fotógrafos entendem. Imagino, e ai julgo faltar mais detalhes em paragrafos associados ao artigo, que este artigo está normatizando as atividades de imagens jornalisticas porque muitas vezes são feitas repentinamente, e deve ter dado muitos problemas com a disponibilidade imediata de funcionários das UCs para acompanhar estes eventos. Alguem aqui no forum neste tema sugeriu uma matéria que fala na diminuição das UCs para facilitar a licença de hidrelétricas... ali diz q existem 2 funcionarios para cuidar milhares de quilômetros quadrados. Esta é a realidade de praticamente todas as UCs do RS e deve ser de quase todo o BR. Pensem nisso! Acham a estrutura governamental do seu dia-a-dia falha, no meio ambiente não é muito diferente. Mas existe um princípio norteador na legislação ambiental que é o "princípio da precaução". Se a estrutura administrativa não tem condições de controlar a possibilidade de haver riscos ao meio ambiente ao liberar determinada licença para um, dez ou uma coletividade menor que a que pode se beneficiar com a não emissão da licença, é melhor não emiti-la para evitar o possível dano. Licença não é direito. Falando em direito, aproveito para solicitar que algum advogado de plantão fale um pouco mais deste princípio para explicar a todos. Não é minha matéria.
Voltando à permissão do foto-jornalismo, algumas vezes as matérias são em situações perigosas e criticas, por exemplo grandes queimadas ou enchentes, e alguns fotografos acabam insistindo em ir onde é muito perigoso. Eu coloquei lá na consulta popular sobre este item a necessidade de explicar melhor em que situação isso deve ocorrer e também da necessidade de normatizar o tempo minimo de pedido ao gestor e o tempo máximo de resposta, com celeridade por parte dos gestores, talvez mesmo com mecanismos de pre-concentimento ageis como email, fax ou torpedo, não sei. Só uma ideia.
Não vejo uma expressa declaração de controle e cortina de ferro do que se passa na UC, apenas que o ingresso em determinados locais é sim vetado e deve ser controlado. Imagine que há especies muito frageis q são como tesouros para as gerações futuras. Determinadas areas das UCs sao proibidas ao publico em geral e so permitidas a pesquisa cientifica (interesse da coletividade) e para jornalistas leigos no assunto, com acompanhamento de tecnicos, que devem agendar e, ter assim, controle de quem, quantos, onde e como se dará.
As justificativas contrárias dos gestores devem sempre se basear em criterios legais e técnicos. Se não forem, já é objeto de materia jornalistica. Pressionem, esse é o direito de todo cidadão com relação aos administradores públicos! Não podemos é ficar pre-julgando sempre que as leis estão ai para ferrar determinadas classes profissionais.

Eduardo Buscariolli escreveu:
PS- Confesso que não entendi o que você quer dizer aqui...
Citação:
.(a turma do liberdade de imprensa)


Me referi aqueles que pegaram a IN para dizer que é um instrumento contra a imprensa. Não é (ao menos eu entendo assim). Boa parte destas regras já existiam faz tempo, era apenas necessario pormenorizar os detalhes. O Art. 88 do Decreto Federal 6514 diz inclusive das multas (veja abaixo), que não é pouca, e ninguem nunca falou nada. Mas ok... se achou que fui pejorativo, desculpe.

Citação:
Art. 88. Explorar ou fazer uso comercial de imagem de unidade de conservação sem autorização do órgão gestor da unidade ou em desacordo com a recebida:
Multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais).


-------
Que fique claro que não tenho nada a ver com a Instrução Normativa, não trabalho no ICMbio e não quero ficar defendendo a IN, apenas quero passar um pouco do outro lado da moeda de quem trabalha com conservação ambiental e exerce a fiscalização como técnico e como agente, trabalhando com legislação da área todos os dias.

Abraço

Renato_SBC
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MensagemEnviada: Qui Jun 09, 2011 9:10 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Legal suas colocações Rodrigo, mas tenho receio, ou quase certeza, que na prática essa lei (com l minúsculo mesmo...)será usada para abusos - como os que vem ocorrendo em Paranapiacaba, p. exemplo - ou para acobertar desmandos da própria chefia. Speak to the hand

Há sim a questão comercial, mas a saída para aumentar TODOS os investimentos públicos é cobrarmos mais e melhor dos nossos governantes, não cobrar novas taxas. yeah

É claro que essa lei tem seus bons aspectos, mas as brechas que ela abre são tamanhas, e todos sabemos como é 'dialogar' com funcionários públicos 'cheios de razão', que a dispensaria antes mesmo que se gaste mais dinheiro público com seu desenvolvimento.


MAS, uma ótima coisa seria o acompanhamento de monitores para quem quer sair das áreas de turísmo ou que procura um melhor conhecimento da área. Na caverna do Diabo havia (ainda há?) alguns ótimos guias, e com um deles aprendi muita coisa legal - inclusive, o que para nós que adoramos fotografia é um must, 'o que e onde olhar'. Cool

oRodrig0o
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MensagemEnviada: Qui Jun 09, 2011 9:24 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Renato_SBC:
é uma Instrução Normativa, um regramento mais interno que externo da Instituição. É como se fosse apenas 1/10 do poder de uma Lei.
Para abusos do mau uso e manipulação por maus gestores, use a LEI a seu favor!
Não se esqueça, esta IN é para quem trabalha com a foto. Se o cara é fotografo esportivo tem que ter uma serie de documentos e licenças para entrar em estádios e etc. Se ele é fotografo de politica tb tem que ter documentos para poder entrar em alas restritas do Congresso, Camara de Dep. etc. Para fotografar na guerra também, para acessar zonas perigosas no front... O cara que vive disto, providencia as coisas. Imagino que 99% da galera ai é hobista e vai continuar fazendo suas fotos tranquilo. Se não deixarem, se defenda como qualquer inocente que é abusado pela autoridade. Nossa sociedade é muito passiva, acho q tem q reclamar mesmo, não se entregar. Mas neste caso da IN do ICMBio nao consigo ver como o pessoal em geral está tratando a coisa.

Eduardo Buscariolli
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MensagemEnviada: Qui Jun 09, 2011 11:28 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

oRodrig0o escreveu:
ois é... Concordo que devem haver paragrafos anexos a este artigo para explicar mais, mas para mim diz unica e excluvamente sob o ponto de vista técnico, de quem cuida das unidades, de como se dará esse ingresso. É a visão de quem entende de ecossistema local e particularidades da unidade, nada mais! Ja imaginou se a cada vez que fossem fotografar uma ave ou uma montanha um biólogo colasse em vcs e dissesse que para aves só pode ser com ISO 100 para mostrar as penas melhor quando ampliar, e montanhas ISO 800 porque ela já é grande e não vão precisar ampliar tanto? Que absurdo, não é? Pensem que há particularidades em cada UC que nem sempre os fotógrafos entendem. Imagino, e ai julgo faltar mais detalhes em paragrafos associados ao artigo, que este artigo está normatizando as atividades de imagens jornalisticas porque muitas vezes são feitas repentinamente, e deve ter dado muitos problemas com a disponibilidade imediata de funcionários das UCs para acompanhar estes eventos.


Rodrigo, eu entendo a necessidade de controle que você espeficou e concordo que de certa forma, há de haver algum tipo de controle no sentido de se evitar prejuizos.

E achei muito bem observado quando você levanta a falta de recursos humanos para esse controle. Mas custa-me crer que levantar a possibilidade de bloqueio à informação seja a forma correta de se resolver esse problema.

Citação:
Me referi aqueles que pegaram a IN para dizer que é um instrumento contra a imprensa. Não é (ao menos eu entendo assim)


Pode não ser, mas como você observou, do jeito que está é o que acontece. Afinal, você há de concordar, que nem sempre as coisas funcionam como deveriam.

Ainda do seu post anterior:

Citação:
Vai levar uma maquina profissional E NÃO É PROFISSIONAL? Pode!


Aí é que tá. Por exemplo, na hipótese remota, de ser proibido de fotografar: ora, eu não entendo como se possa demonstrar que não se exerce determinada profissão. Você prova que é por exemplo biólogo, eu provo que sou engenheiro. Porém como podemos provar que não somos advogados, ou médicos, ou fotografos profissionais....? Um tanto estranho isso.


Citação:
Que fique claro que não tenho nada a ver com a Instrução Normativa, não trabalho no ICMbio e não quero ficar defendendo a IN, apenas quero passar um pouco do outro lado da moeda de quem trabalha com conservação ambiental e exerce a fiscalização como técnico e como agente, trabalhando com legislação da área todos os dias.


Na verdade, eu agradeço suas observções. Da minha parte, gosto de entender todos os lados.

Um abração

Celso Rogerio

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MensagemEnviada: Qui Jun 09, 2011 11:52 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Todas as opiniões são válidas.

Mas o que vale mesmo é expressá-la nessa consulta pública.

Se você, fotógrafo amador ou profissional, se sente desconfortável com o conhecimento que teve dessa Instrução Normativa, preencha o formulário apontado no primeiro post, onde poderá colocar suas considerações sobre cada parágrafo e ao final fazer uma observação sua sobre o assunto.

Se achar que a instrução não causará problemas àqueles que gostam de fotografar a natureza, tampouco restrições, não é necessário preencher mas é de direito se quiser preencher com elogios ao icmBio, etc.

OBS: Não está em mérito aqui a idoneidade da instituição citada mas sim os efeitos que essa instrução normativa pode causar sobre fotógrafos amadores e profissionais.

Abs yeah

Marcos Borges Filho
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MensagemEnviada: Sex Jun 10, 2011 1:26 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Pessoal, vou postar aqui carta que o Luis Claudio Marigo encaminhou à Diretoria Executiva da Associação dos Fotógrafos da Natureza. Nessa correspondência ele aborda vários pontos que estamos discutindo, de maneira muito correta, nesse espaço.




Citação:
Rio de Janeiro, 2 de junho de 2011



Carta de Conselheiro à Diretoria Executiva da AFNATURA


Venho, através desta, oferecer algumas reflexões sobre a questão da foto-grafia de natureza nas unidades de conservação, com a intenção de auxiliar na so-lução do impasse entre fotógrafos e o ICMBio, sobre a regulamentação da captação de imagens em espaços naturais públicos geridos pelo órgão ambiental federal.

Creio que as exigências e limitações propostas pelo ICMBio ao trabalho dos fotógrafos e a tentativa de controlar o uso das fotografias geram grandes prejuízos para o ICMBio, para os fotógrafos e para a sociedade brasileira.

Para o ICMBio, sua imagem e a imagem das unidades de conservação são prejudicadas quando o ICMBio propõe restrições aos fotógrafos e jornalistas, forma-dores de opinião em nossa sociedade, por causa de equívocos no entendimento da natureza da fotografia e do direito autoral. Também, porque coloca obstáculos para a divulgação de nosso patrimônio natural, protegido pelas unidades de conservação.

Devido a essas exigências que entendo descabidas e desnecessárias, que considero totalmente arbitrárias (exponho minhas razões abaixo), venho evitando, há anos, fotografar nas unidades de conservação-UCs, procurando aquelas UCs com gestores mais amigáveis, e não visitando e divulgando aquelas cujos funcionários ameaçam confiscar equipamentos ou expulsam fotógrafos das UCs, pois não suporto a idéia de ter que pedir autorização para exercer minha profissão ou ofício, ou ter que “doar compulsoriamente” o resultado do meu trabalho para o ICMBio, que não compreende questões de direito autoral e inevitavelmente me provocaria aborrecimentos e ações judiciais pelo uso indevido do meu trabalho.

Acredito que uma instrução normativa equilibrada, respeitando a Constituição Brasileira, a Lei de Direito Autoral, a Lei de Imprensa e boas práticas, vai distensionar as relações entre fotógrafos e o Instituto, e promover a divulgação das Unidades de Conservação e as questões de conservação da natureza de modo proveitoso para toda a sociedade.

A seguir, minhas idéias e sugestões:


DO SNUC:
Art. 33. A exploração comercial de produtos, subprodutos ou serviços obtidos ou desenvolvidos a partir dos recursos naturais, biológicos, cênicos ou culturais ou da exploração da imagem de unidade de conservação, exceto Área de Proteção Ambiental e Reserva Particular do Patrimônio Natural, dependerá de prévia autorização e sujeitará o explorador a pagamento, conforme disposto em regulamento. (Regulamento)
Do REGULAMENTO (Decreto 4.340 de 22 de agosto de 2002)
Art. 27. O uso de imagens de unidade de conservação com finalidade comercial será cobrado con-forme estabelecido em ato administrativo pelo órgão executor.
Parágrafo único. Quando a finalidade do uso de imagem da unidade de conservação for preponde-rantemente científica, educativa ou cultural, o uso será gratuito.
Quando a lei do SNUC é regulamentada pelo decreto 4.340 há um engano nessa passagem da lei para sua regulamentação: a imagem da unidade de conser-vação não se confunde com fotografias, ou pinturas, ou imagens de aspectos físicos tirados nos limites da unidade de conservação. Essas imagens dos aspectos físicos da UC são criações dos autores, e somente o autor tem a prerrogativa de explorar sua obra, e a fotografia como representação artística da natureza em nada difere de outra forma de expressão cultural, como a pintura, desenho científico ou qualquer outra inerente a arte. (Lei do Direito Autoral, nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998).
A imagem da unidade de conservação é a imagem institucional da gestão da unidade de conservação, sem qualquer relação com a personalidade jurídica. Por exemplo, a UC passa uma boa imagem se é bem cuidada, oferece um centro de vi-sitantes com boa apresentação e informações interessantes sobre sua vegetação, flora e fauna, se seus guarda-parques são bem treinados, transmitem segurança e boas informações para os visitantes, se a UC dispõe de boas instalações, trilhas bem cuidadas e sinalizadas, mapas etc. Mas, a imagem da unidade de conservação é prejudicada se seus guarda-parques abordam fotógrafos e coagem fotógrafos pro-fissionais ou amadores, ameaçando confiscar-lhes o equipamento fotográfico por não terem autorização para exercer seu hobby ou profissão em terras públicas. Ou se os funcionários da UC estão mal vestidos, são grosseiros, ou se a conservação das instalações da UC está em estado precário, trilhas abandonadas, sem informa-ção, como se a UC fosse uma área descuidada e abandonada, desconsiderando todos seus objetivos ambientais.
O que seria a exploração da imagem da Unidade de Conservação?
Seria usar a imagem institucional da UC associada a um produto ou marca para daí agregar valor para a imagem ou lucro sobre a venda do produto. Por e-xemplo, anunciar uma água mineral dizendo que sua pureza vem das nascentes do Parque Nacional da Serra dos Órgãos ou que tal condomínio no Alto da Tijuca usufrui das proximidades do Parque Nacional da Tijuca. Isso é explorar a imagem dessas unidades de conservação, embora essa exploração atribua um valor positivo a essas UCs. No entanto, outros anúncios poderiam atribuir aspectos negativos. Não me ocorre nenhum exemplo, pois porque um anúncio de uma marca ou uma empresa iria associar-se a uma UC para transmitir valores negativos? Porque iria dar um tiro no pé? A única hipótese seria se a intenção fosse realmente denegrir a UC, por um inimigo da UC.
Fotografias, pinturas, imagens são criações de seus autores. Assim definidas, conforme a lei de direito autoral, a seguir:
Capítulo I:
Das Obras Protegidas
Art. 7º. São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como:
VII - as obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo análogo ao da fotografia;
VIII - as obras de desenho, pintura, gravura, escultura, litografia e arte cinética;
Fotografias são obras intelectuais, criações do espírito. Como podem confun-dir-se com a imagem da UC?
O perfil da Serra dos Órgãos, o Corcovado, o Pico das Agulhas Negras ou as Prateleiras, são aspectos físicos do relevo dessas regiões (e não apenas dos par-ques nacionais), não são imagens da Unidade de Conservação. Antes da criação do Parque Nacional do Itatiaia esse relevo já existia. A Serra dos Órgãos é um símbolo de Teresópolis, situa-se no município de Magé, é conhecida dos habitantes fluminenses há séculos e se a Instrução Normativa do ICMBio vem confiscar esse relevo como se fosse uma “imagem do Parque Nacional da Serra dos Órgãos”. Antes da criação do parque esse perfil de montanhas já pertencia ao imaginário dos habitantes de Teresópolis.
Nossas fotografias são criações do nosso intelecto e do nosso espírito, e não imagens da unidade de conservação. A intermediação de nossos intelectos e de nossos espíritos criaram entidades novas, a partir de uma interpretação subjetiva (é isso o que significa “obras intelectuais, criações do espírito”) de coisas inertes, pas-sivas, sem personalidade.
O direito à imagem é um direito da personalidade dos quais todos os seres humanos gozam, facultando-lhes o controle de sua imagem... (Da Wikipedia)
Ora, paisagens, árvores, flores, tatus, macacos ou lobos-guarás não são se-res humanos, não gozam de direitos da personalidade, nada lhes faculta o uso de sua imagem, e por que o ICMBio seria seu representante, seu procurador? Me pa-rece a própria incompreensão da cultura!
Tem mais: as UCs são áreas públicas, a lei do SNUC é clara, quando diz que os parques nacionais, estações ecológicas e reservas biológicas são “de posse e domínio públicos”, e pela lei do direito autoral,
Capítulo IV (Das Limitações aos Direitos Autorais):
Art. 48. As obras situadas permanentemente em logradouros públicos podem ser representadas livremente, por meio de pinturas, desenhos, fotografias e procedimentos audiovisuais.

Se obras de arte, criadas por um autor (e autores têm controle sobre sua o-bra, têm direitos autorais), podem ser representadas livremente por meio de fotogra-fias se situadas permanentemente em logradouros públicos, o que se pode dizer de áreas de terras públicas, montanhas, rochas, plantas e animais em áreas públicas, enquanto obras da história natural do planeta?

E mais ainda, também da Lei de Direito Autoral:
Título I
Disposições Preliminares
Art. 6º. Não serão de domínio da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios as obras por eles simplesmente subvencionadas.
A partir dessa reflexão, é claro que nós fotógrafos repudiamos toda ingerên-cia do ICMBio sobre nossas obras. A exploração comercial de nossas fotografias são nossa prerrogativa exclusiva, cabe apenas aos autores. Não queremos compul-soriamente ter como sócio o ICMBio.
NÃO DEVE HAVER NENHUM PARÁGRAFO OU ARTIGO NA INSTRUCÃO NORMATIVA REFERINDO-SE AO USO DAS FOTOGRAFIAS. A LEI DO SNUC NÃO REGULA O PATRIMÔNIO DO AUTOR E ISTO SERIA INOVAR CRIANDO OBRIGAÇÃO NÃO PREVISTA EM LEI, pois cabe apenas ao autor a prerrogativa de explorar sua obra, comercialmente ou não, isto é, de qualquer maneira.
A nossa lei maior, a Constituição da República, pretende garantir a proteção do ambiente, senão vejamos:
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimô-nio público;
...
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monu-mentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;
IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural;

V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência;
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
...
...
X - combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos;
XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recur-sos hídricos e minerais em seus territórios;
...
Parágrafo único. Lei complementar fixará normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.
Creio que a “doação compulsória” de fotografias, a “obrigatoriedade de doa-ção” (sob coação, em troca de autorização para fotografar em áreas públicas de a-cesso facultado a qualquer indivíduo) é uma exigência indevida e arbitrária e margi-nalizará a atividade fotográfica.
A necessidade de solicitar autorização para fotografar em UCs é uma ação discriminatória, que divide os cidadãos em duas categorias: os que os guarda-parques classificam como profissionais ou como turistas. Isso é um um total desres-peito aos cidadãos, aos fotógrafos, aos autores de obras intelectuais protegidas.
Mas, creio que o ICMBio já percebeu a necessidade de corrigir a instrução normativa vigente, abolindo a exigência de autorização para fotografar nas áreas de visitação pública, bastando pagar o ingresso para fotografar nos parques nacionais.
No entanto, outra confusão permanece na minuta da instrução normativa em consulta pública em seu art.3º no seu primeiro parágrafo:
“§ 1º A Autorização somente será requerida para a captação de imagens das Unidades de Conser-vação e de seu patrimônio quando a atividade envolver acesso à Unidade de Conservação em con-dições especiais de horário, acesso a zonas restritas ou quaisquer outras diferenciadas das ativida-des normais de visitação, assim como quando a execução da captação alterar a rotina dos locais abertos à visitação e de seus usuários.”
Creio que essa necessária autorização para o acesso a locais ou horários fe-chados, deve se referir ao acesso, não à captação de imagens. O ICMBio deveria fazer este controle independente da atividade, com isonomia com as demais ativi-dades permitidas em UCs, sem qualquer menção especial a “captação de imagens”.
O Art. 4º do capítulo II da IN– DA AUTORIZAÇÃO PARA A CAPTAÇÃO, in-troduz a censura prévia da imprensa:
“A atividade de captação de imagens associada a matérias jornalísticas sobre ocorrências ou fatos eventuais na região da Unidade de Conservação deverá ser objeto de autorização direta pela chefia da Unidade de Conservação”.
O jornalista ou repórter fotográfico vai precisar de autorização da chefia da unidade de conservação? Isso é censura prévia, é restrição à liberdade de impren-sa.
Compreendo perfeitamente a necessidade de controle e acompanhamento de equipes de produção cinematográfica nas unidades de conservação, pois podem causar impactos ambientais expressivos. Os itens do § 3º do capítulo II são razoáveis e necessários, mas a fotografia de natureza como praticada por nós fotógrafos não causa impactos ambientais significativos. Para um fotógrafo se aproximar de um animal, precisa ser silencioso e discreto, andar devagar, sem movimentos bruscos. Como poderíamos carregar muito equipamento, causar impacto na natureza, andar com muitas pessoas e ainda fotografar os animais? Nosso ideal é fotografar a natureza em seu estado mais puro, mais primitivo. Por isso procuramos as unidades de conservação. Eu diria até que fotógrafos de natureza não causam impacto e lutam pela conservação da natureza por interesse próprio!
Após a solução desses impasses, com a publicação de nova Instrução Nor-mativa-IN, os avanços podem estimular a conservação e proteção ambiental – que elimine todo desrespeito à Constituição da República, à Lei de direito autoral, à Lei de imprensa e o incentivo às boas práticas ambientais – creio que os fotógrafos e o ICMBio poderão voltar a ser aliados pela conservação e até colaborarem em proje-tos específicos, bem formulados e com total clareza sobre suas intenções e execu-ção.
Nós fotógrafos, com a publicação de nosso trabalho em livros, revistas, a-gendas, calendários, portais na internet, já cumprimos importante função conserva-cionista e de defesa das UCs, ao informar e despertar o interesse da população pa-ra nossa riqueza natural, paisagens, ecossistemas, plantas e animais. Aliás, foram os fotógrafos, cinegrafistas e repórteres quem sempre fizeram esse importante tra-balho de divulgação, apesar das restrições impostas, há décadas, pelo IBAMA e agora com proposições do ICMBio.
Esse talvez seja o mais importante trabalho “de fundo” para a conscientiza-ção e a criação de uma massa crítica na sociedade brasileira para a defesa de nos-so patrimônio natural. O desinteresse da sociedade brasileira pela sua natureza, e a visão de que a conservação da natureza e as unidades de conservação são um en-trave para o desenvolvimento, é resultado dessa ignorância.
Nós, fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas, somos o elo de ligação da popula-ção com nossa natureza.
Não somos uma ameaça às unidades de conservação e não há necessidade de se exercer controle sobre o nosso trabalho e sobre nossa obra.
Precisamos sim de estímulo à produção cultural, pois a arte e a educação são ferramentas valiosas da legislação ambiental.

Rio de Janeiro, 2 de junho de 2011

Luiz Claudio Marigo

Conselheiro da AFNatura – Associação de Fotógrafos de Natureza
Membro da IEPA – International Environmental Photographers Association (Japão)
Registro Jornalista Profissional nº 13661 Livro 61, Folha 16
Matrícula 01855 (efetivo) na ARFOC - Associação Brasileira
dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos

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MensagemEnviada: Sex Jun 10, 2011 11:36 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

O BRfoto também está tratando dessa polêmica. Trago aqui um texto do usuário Esequias postado no BRfoto que considero interessante.

Citação:
PROIBIDO FOTOGRAFAR
"ONDE ESTÁ FULANO? QUEM SOUBER ESTÁ MORTO."


À PARTE O TOM DE EXAGERO DO DITADO POPULAR, ESSA É A REALIDADE. PROIBINDO-SE O REGISTRO, INIBE-SE UMA TENTATIVA DE OLHAR, E ELIMINA-SE A POSSIBILIDADE DE UM TESTEMUNHO. ISSO NÃO É APENAS SOBRE TIRAR BELAS FOTOGRAFIAS DE PAISAGENS OU ANIMAIS.

NO BRASIL UMA GUERRA POLÍTICA ESTÁ SENDO TRAVADA NESTE MOMENTO PARA SANCIONAR UMA LEI QUE ANISTIA OS DESMATADORES ILEGAIS DE PAGAREM PELO QUE FIZERAM CONSCIENTEMENTE. SERÁ ESSA A ÚNICA CONTRAVENÇÃO QUE CORRE O RISCO DE SER REVELADA EM ÁREAS DE CONSERVAÇÃO AMBIENTAL? QUANTOS MINERAIS PRECIOSOS ESTARÃO SENDO EXTRAÍDOS ILEGALMENTE DE NOSSAS RESERVAS AMBIENTAIS LONGE DOS OLHARES E PROVAS, CONSTITUÍDAS PELA FOTOGRAFIA OU OUTROS MEIOS DE REGISTRO? QUANTAS ONÇAS PINTADAS CONTINUAM "EMPRESTANDO" SEU COURO A LOJAS DE ARTIGOS DE LUXO NO PRIMEIRO MUNDO? QUANTOS NATIVOS CONTINUARÃO SENDO EXPULSOS E ASSASSINADOS POR INTERESSES EXPLORADORES ESPÚRIOS? COMO SE PODE DIVULGAR E PROVAR ESSES FATOS?

A FOTOGRAFIA SEMPRE FOI AMIGA DA PRESERVAÇÃO AMBIENTAL. PARQUES NACIONAIS FORAM CRIADOS PELO PODER EXPRESSIVO DE FOTOGRAFIAS COMO AS DE ANSEL ADAMS, NOS EUA. E NÃO HÁ QUEM POSSA DIZER QUE A NATIONAL GEOGRAPHIC SOCIETY NÃO PRESTE UM VERDADEIRO FAVOR À HUMANIDADE ATRAVÉS DE SUAS FOTOGRAFIAS. MAS POR QUE AQUI AS COISAS SÃO TORNADAS MAIS DIFÍCEIS?

AO PROIBIR-SE ESSE TIPO DE FOTO PARA USO PROFISSIONAL ABRE-SE UM FORTE PRECEDENTE PARA MAIS RESTRIÇÕES FUTURAS MAIS AMPLAS. HOJE, NO BRASIL, DESESTIMULA-SE A PRESENÇA DO OLHAR DOS PRÓPRIOS BRASILEIROS SOBRE SEU PATRIMÔNIO. PRINCIPALMENTE QUANDO O TURISMO ECOLÓGICO ESTÁ EM ALTA, E AS CÂMERAS POSSUEM GPS, COISA CADA VEZ MAIS COMUM. POIS AS FOTOS PODEM PARAR RAPIDAMENTE EM REDES SOCIAIS, E DAÍ PARA UM TELEJORNAL É UMA QUESTÃO DE HORAS. MAS NINGUÉM COMENTA O QUE NINGUÉM VIU. PARA O CIDADÃO QUE OBEDECE AS LEIS SERÁ MAIS FÁCIL DESISTIR DO ROTEIRO E SE AFASTAR DESSES LUGARES TORNADOS DESINTERESSANTES PELA BUROCRACIA, PORÉM SEMPRE ACESSÍVEIS AOS DEVASTADORES E EXPLORADORES ILEGAIS. SEM OLHAR NÃO HÁ REGISTRO. E SEM REGISTRO NÃO HÁ PROVAS.
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