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 Entrevista: PERIDAPITUBA

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Marcos Borges Filho
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MensagemEnviada: Qua Jun 29, 2011 9:56 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Nesta quinta-feira, 30 de junho, o Digiforum publicará uma entrevista com o PERIDAPITUBA. Um fotógrafo que estabeleceu seu próprio estilo, sua própria assinatura; muito apreciado por uns e questionado por outros.

Vejam um pouco do que pensa o Peri:




Image"O que dá prazer é pegar na cam e vir aquele sentimento que me deixa em transe quando ponho o olho no visor. O prazer está aí, para mim, no antes, na concepção. Porque eu entro num estado de espírito tal, ou num transe, ou como se queira chamar, que não sossego enquanto não vejo a imagem pronta. E eu digo com certeza que meu prazer vai da captura à pós-produção. Adoro tratar meus raw's e vê-los tomando corpo diante de minha tela, é a realizaçao do trabalho, o fim de um ciclo que, se for bem feito, se transformará no prazer."


Editado pela última vez por Marcos Borges Filho em Qui Jul 21, 2011 5:06 am, num total de 2 vezes

Marcos Borges Filho
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MensagemEnviada: Qui Jun 30, 2011 6:08 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Fale um pouco de você e nos apresente uma foto sua para que possamos conhecê-lo melhor:


Brasileiro, casado, 40 anos, formado em economia com pós graduação em economia de projetos, atuo no ramo do comércio, agronegócios e um pouco também na construção civil (construção de imóveis próprios para locação e venda).

Fotos minhas é igual a cabeça de bacalhau ... todo mundo sabe que existe, mas pra ver ... Mr. Green

Aqui tem uma num momento em que fotografava minha cunhada trabalhando nas horas de folga.




Image



Como surgiu esse seu interesse pela fotografia?

Não me lembro bem há quanto tempo surgiu.
O fato é que eu sempre fui o cara com a máquina na mão, em viagens com a família e amigos.
Claro, no começo não era algo que eu me importava e nem algo que tivesse noção de ser uma atividade de importância, mas era algo rotineiro eu "ficar com a máquina".
Lembro também que eu sempre comprava revistas por causa das imagens, de ver as fotos.
Hoje em dia com a importância que a fotografia ocupa na minha vida, reconheço nestas atitudes que eram apenas atos instintivos em um primeiro momento, que existia uma afeição à imagem, a produzir estas imagens.
Logicamente que quando se tem 10-15 anos isto não dura muito e as vontades se dispersam para outros canais, no meu caso os esportes, outro hobbie que sou aficcionado.
Mas o desejo então se voltava às imagens esportivas também, e as publicações que eu comprava então eram no mesmo sentido, ver fotos ... lembro muito bem de sentar com amigos para ver determinadas revistas e sempre reclamar: "poxa tem muito pouca foto aqui ... que revista ruim ..." - risos

Entretanto ainda não existia aquela análise mais sistemática e crítica das imagens no âmbito de construções de narrativas e mensagens, mas existia algo que talvez eu classifique como uma busca pelas imagens que me dessem mais emoções (o que traduz-se em sentimentos).

Eu via as imagens, gostava delas instintivamente mas não sabia o motivo ... só iria descobrir isto anos mais tarde.

Quando comecei a trabalhar, com cerca de 15-17 anos, fui ser office-boy em um escritório de contabilidade do contador de meu pai.
Ao lado deste escritório existia um "foto", que é como eram chamados os locais onde a fotografia na época eram tiradas e os serviços profissionais eram contratados ... não me lembro o nome mas o dono do estabelecimento se chamava Toninho, um gozador nato.

E eu sempre ficava ali perguntando e rondando com uma pessoa chamada Marcelo (era o empregado do 'foto' e era meu parceirão) ... me lembro também de quando surgiu o 'motor drive' para câmeras ditas profissionais na época.

Foi um frisson, todo mundo comprando os acessórios e instalando nas câmeras (ou trocando as câmeras antigas por novas já com o acessório), que agora não mais se passava o filme 'no dedo', a câmera que iria girar o filme para o próximo frame ... me lembro de ir aos laboratórios ver algumas revelações, apesar de nunca tê-las feito

Quer dizer ... são lembranças de bastante tempo que me vêm agora e talvez desde esta época eu já tivesse um interesse mais profundo na fotografia, só que ainda não sabia disto.

Não sei precisar uma idade, mas talvez na passagem da infância para a adolescência já existisse alguma coisa, mesmo que muito incipiente e sem noção alguma de que existia este "algo".



Qual foi teu primeiro equipamento?

Cara, não me lembro.
Talvez uma destas câmeras de filme que eram movidas a 2 pilhas e que todo mundo tinha.

O meu primeiro equipamento que eu comprei e tenho até hoje na área de produção visual foi uma filmadora JVC, onde eu sempre fazia alguns filminhos, principalmente em atividades esportivas.

Depois de muito tempo comprei uma Sony compacta, uma H5, que fiquei anos com ela fotografando de tudo o que vc possa imaginar.

De lua a quero-quero. -risos

Passei para uma Alpha 100, minha primeira dslr em que fiquei outros bons anos e há uns 3 anos atrás comprei uma Alpha 700 que tenho até hoje e me satisfaz plenamente.

Depois de muito tempo também comprei no e-bay uma câmera de filme, uma Minolta Maxxum 5, que ainda tenho lá em casa e de vez em quando ainda uso.

Neste meio tempo tive outras máquinas, mas era tudo muito esporádico e elas ficavam dando poeira e fungo em casa, e eu ia dando uma, jogando fora outra e etc ... não era algo em que eu me importasse de verdade e que valesse a pena ter um zelo tão grande como quando a gente compra.

Agora um lance bacana foi há uns anos atrás quando o Pikyto * me deu de presente uma Zenith 122 com uma Helios 44M7.

Esta máquina hoje foi mandada para um grande amigo que eu tenho em João Pessoa - PB. - risos

Fiz ótimas fotos com ela, algumas abaixo:

Esta do Mercado Municipal aqui de minha cidade, moro em Campos dos Goytacazes-RJ, a maior cidade do interior do estado em área territorial.




Image

Estas 2 próximas em Búzios:

Como quase toda foto tem uma história, com esta quase acontece um incidente.
Tínhamos alugado (eu meu irmão e um amigo) uma casa num condomínio para passar a Semana Santa de 2007 ou 2008 ... éramos os únicos estranhos lá, as outras pessoas eram todas proprietárias das casas neste condomínio em Geribá.

Depois da praia fomos fazer um churrasco na área de recreação do condomínio e eu vi estas crianças brincando na piscina ... estava c 2 câmeras, a Zenith e a digital.

Comecei a fotografar as crianças ... mas como fotografava com a Zenith tive de chegar mais perto.

Cara ... que merd* ...
Uma das crianças viu e saiu fora, correu lá pra dentro de casa ... na hora pensei : "Vai dar merd* isto ..." ... e voltei pro churrasco.

Não deu outra ... c 1 minuto vem o pai de uma das crianças, passa pela gente e vai falar c o administrador do condomínio.

Saquei tudo na hora ... quando ele estava voltando sozinho, cheguei perto dele e disse:

"Você é o pai das crianças?"
Sou.

"Olha, eu já imagino o que vc está pensando ... queria te dizer que não fotografei tuas filhas ... estava aqui fotografando meus amigos no churrasco e acho (??? - Mr. Green) que tua filha achou que eu a fotografava e fotografava as coleguinhas dela ... mas vou te mostrar as imagens que fiz."

Peguei a máquina digital e liguei. Mr. Green
O cara olhou,olhou e nada ... Vc é fotógrafo?

"Sou" ... com a maior cara de pau ... tá fotografando o quê?
"Só uma confraternização com os amigos só nada demais... se quiser pode vir comer um churrasco com a gente ..." Mr. Green

Não precisa, fiquem à vontade ... e desculpa qualquer coisa ...
"Nada, cara .. tudo certo ..." - Mr. Green

Quer dizer, tem horas que o bicho pode pegar geral se a gente não for safo.





Image


Esta outra foi no mesmo feriado e eu dei de presente para meus amigos que tem casa lá.
Eles enquadrarm e puseram na sala de estar deles ... fiquei amarradão de ver.
É uma foto que representa bem o local ... simples, bucólico e de muito bom clima.





Image

*- Acho que o Pikyto vai descobrir agora que eu dei a máquina que ele me deu ... Mr. Green



Qual foi tua trajetoria na fotografia até chegar ao estágio de amadurecimento fotográfico atual; e que fotografia sua, marca o início de sua maturidade fotográfica?

Trajetória ??? .. vc deve estar brincando, não tenho trajetória alguma.
Eu sou apenas um cara autodidata, que nunca fiz um curso de fotografia sequer e que aprendo dia a dia com os colegas e com meus próprios erros.

E que estudo muito.
Te diria que sou um excelente observador e que tenho certa facilidade em antecipar cenas e momentos, que são os pilares da minha forma de fotografar.

Eu não poderia precisar em qual momento eu saí de um"apertador de botões" para alguém que sabe o que está fazendo.
E isto não se trata de pretensão, mas de auto-crítica.

Hoje eu me encontro num estágio que sei o que quero, sei como fazer o que quero e tenho as ferramentas adequadas para isto em mãos, sabendo usá-las conforme o momento pede.
Com estas ferramentas sei jogar o jogo, porque a fotografia nada mais é que isto, um jogo.

Aprendemos técnicas e vemos outras imagens, mas se não conseguimos "entrar no jogo" nada acontece.

Para te dar uma resposta mais condizente eu não vou escolher uma imagem e nem um momento meu porque seria impossível saber, mas de um amigo que me influenciou demais (ainda influencia) e que vc conhece, o Ivan.

A minha fotografia mudou quando eu conheci o Ivan e passei a ver as fotos dele.

E o mais interessante, eu briguei tanto como Ivan, literalmente em palavras trocadas, que hoje em dia o certo seria ele me odiar.

Mas, modéstia à parte o Ivan viu em mim alguém em quem ele poderia "confiar" e passar dicas, que não foram muitas, diga-se de passagem.
E investiu nisto, não sei porque, talvez porque nós 2 (hoje tenho total consciência disto) damos importância ao mesmo tipo de coisa.

Freqüentemente ele elogia minhas fotos e já me disse publicamente que se surpreende com os destinos (entenda destino aqui com a resolução dos problemas que o 'pré-clique' envolve) que dou as minhas capturas.

Como eu resolvo as questões que aparecem,é isto que ele quis dizer.

Sendo ele um cara que sabe muito de fotografia, e principalmente de composição (algo que falaremos adiante ) isto é algo que me satisfaz demais.

Certa vez ele me chamou de "Bresson campista" ... risos ... sabe o que isto significa???

O Ivan me ensinou a pescar ... e eu tou aí pegando minhas traíras desde então. Mr. Green

Qual a foto dele que me abriu os olhos?
Muitas e isto acontece até hoje, mas esta abaixo foi uma das divisoras de águas para mim:

Para quem olha não há nada demais.
Mas analise e veja que temmuita linguagem aí, muita coisa pra ser vista, desde a concepção da captura (a composição) até o momento decisivo que o Bresson tanto falou.




Image
Autor: Ivan de Almeida.

Nas fotos do Ivan eu aprendi um caminho diferente e que muitos não percorrem, a fotografia familiar.
Aprendi que não adianta vc querer fotografar o mundo se antes vc não se voltar para si próprio, para os seus, para o que é realmente importante na vida ... sua família seus amigos e as coisa que vc ama.

Fotografando constantemente minha esposa, meus pais, meus irmãos, meus amgos, minha afilhada, eu aprendo constantemente a dar valor ao que me cerca e consigo as fotos que faço, dando vazão a meus sentimentos.

E na verdade nada sai disto pois a fotografia sempre teve e tem algo de poético intrínseco nela ... e apesar de não gostar de poesia escrita, gosto da "poesia visual".

Gosto de transmitir isto nas imagens que faço ... pelo menos é como tento fazer, sabe?

Com isto consigo imagens que me tocam muito, sejam por quem eu fotografei ou pelos momentos que consegui, como estas:

Minha esposa:




Image

Minha afilhada com poucos meses de idade:




Image

2 cachorirnhos na fazenda:




Image

Uma cena na praia:




Image

Uma outra foto com muito sentimento embutido:




Image

Uma família, que mesmo com os percalços da vida dura do meio rural, permanece alegre com o simples fato de ter sido fotografada, de ter tido alguém que lhes desse o devido valor e respeito:




Image

E disto também trata a fotografia, o respeito com quem fotografamos e a forma como usamos nossas imagens.

É por isto que eu critico tanto fotos de mendigos e não as faço (somente se houver um contexto muito amplo por trás das imagens) que são exibidas e mostradas como troféus em muitos lugares, inclusive aqui mesmo no fórum ... são literalmente exibidas, e os autores então esperam ou louros de uma glória que não existe de fato, pois foram captadas em prol do sacrifício alheio.

Mas se a gente consegue de alguma forma passar sentimentos verdadeiros, como respeito, afeição, dignidade, entre outros, então podemos ficar contentes de que estamos num caminho legal.

Nem certo nem errado, porque isto na verdade não existe, mas em algum lugar que a gente possa prosseguir e saber que na hora exata o mundo vai nos ajudar, apesar dos pesares.

A fotografia não pode ser apenas o belo (e é onde muitos erroneamente se calçam), ela tem de ser antes de tudo o verdadeiro, o compromissado com a vida, o respeitoso ... pois é disto que estamos tratando, da vida.

E isto é muito sério para ser tratado com descaso ou em busca de reconhecimento próprio.


Já pensou em ganhar uma graninha com a fotografia, ou uma graninha a mais não é bom?

Pensar em já pensei, não vou te dizer que não, pois seria leviano de minha parte.
Mas a questão principal é: como?

Eu não gostaria de ser um profissional da fotografia, destes que fazem casamentos, aniversários e etc ... nada contra, mas não é meu perfil, sou por demais tímido para entrar em uma cerimônia engravatado portando uma câmera no pescoço como fotógrafo.

Apesar disto recebi sim alguns convites para fotografar festas, mas nunca aceitei, prefiro do meu jeito ... fotografando sozinho e quando quero.

Então para não ser desta forma, apenas através de vendas de imagens em bancos de imagens ou em exposições ou algo do tipo.

Banco de imagem eu não mando minhas fotos, porque não confio e exposições, vernissages, etc ... bem, ou se é do meio ou não se é.

É uma máfia, sabemos disto, como estou numa cidade de porte médio e onde estas coisas não são valorizadas e também não conheço um marchand para me 'apresentar' ao meio, babau, eu não vou nunca fazer dinheiro com fotografia ... ao contrário, eu gasto é muito, pois imprimo muitas fotos e mando para os amigos e familiares.

Mandei aquelas das canoas para vc e para o Pikyto, mando sempre pro Ivan, mandei para a Lília Vinhas uma série legal de uns cachorrinhos e ela pôs na sala do ap novo dela ... quer dizer, isto tem sempre um custo.

Ganhar $ dinheiro com fotografia?
Acho pouco provável no meu caso.

Uma vez eu tentei.
Uma firma de tratamento de água viu uma foto minha do Rio Paraíba do Sul no Flickr e pôs no seu banner de apresentação.
Depois me contatou querendo saber meu nome e tal's para por os créditos.

Falei que não cederia de graça e rapidinho eles tiraram.
Estes caras querem tudo no mole ... foi como disse a Sílvia numa pergunta parecida que eu fiz a ela.
Ninguém se importa como vc tem de fazer para conseguir sua produção, se vc tem de investir tempo e dinheiro, se vc tem de ficar vendo ângulo de captura, trocando lente ou fotometrando câmera.
Se eles puderem pegar no mole, vão pegar ... o Brasil é o país dos espertinhos, quem não sabe disto?

Aliás, eu sou é explorado até. -risos
Uma vez eu fiz umas fotos de minha afilhada e dei de presente a meu irmão.

Vc sabe que a mulher dele descobriu onde as fotos estavam e foi lá no lab e mandou imprimir mais umas 200 pra dar de santinho no aniversário de 1 ano dela?

Fiquei put* da vida.
Não com minha cunhada, porque eu as daria sem problema algum e não iria cobrar nada ... depois ela disse que não me pediu para que eu não gastasse mais com as imagens ...

Mas com o lab, que não poderia ter feito isto e ainda lucrou com isto ... na época não falei nada porque iria prejudicar a menina do atendimento e foi algo que foi feito com minha cunhada e poderia criar um mal estar danado, então deixei rolar.

Agora imagine o que não acontece em maiores centros e os autores das imagens não sabem...

Além disto não sei se alguém pagaria pra ter minhas imagens, tem muita ... muita gente com mais valor por aí.

O Eduardo Buscariolli, outro amigo que tenho, me disse para eu pendurar algumas fotos na praça da cidade ... e eu lá tenho coragem de fazer isto?

Capaz até de eu ser apredejado - risos

O Julio Paiva me perguntou se eu estava expondo minhas imagens.
Falei que sim, cada imagem é uma exposição diferente dependendo da luz. Mr. Green

Mas pra te falar a verdade eu não estou me importando com isto.
Eu não fotografo pensando no retorno financeiro que eu possa ter.

A fotografia funciona pra mim como um hobbie e como uma forma de expressão de minha vida e do que eu vivo diariamente.


O que te dá prazer em fotografar?

Tudo e nada.

Eu acho que tudo é fotografável quando se consegue imprimir uma marca visual própria e uma linguagem coerente com o assunto fotografado e o que se obtem como resultado disto.

Pensando então por este lado, tudo me daria prazer.

Antagonicamente, nada me dá prazer quando não estou disposto a fotografar.
Então posso ter cenas maravilhosas acontecendo em minha frete e dizer: "Larga esta merd* pra lá ... não estou a fim ..."

O que dá prazer é vc pegar na cam e vir aquele sentimento que te deixa em transe quando vc põe o olho no visor.

O prazer está aí, para mim, no antes, na concepção.
Porque eu entro num estado de espírito tal, ou num transe, ou como se queira chamar, que não sossego enquanto não vejo a imagem pronta.

E eu te digo com certeza que meu prazer vai da captura à pós-produção.
Adoro tratar meus raw's e vê-los tomando corpo diante de minha tela, é a realizaçao do trabalho, o fim de um ciclo que, se for bem feito, se transformará no prazer.

Podemos adiantar um pouco e falar dos assuntos que inspiram e trazem ainda mais prazer quando estamos dispostos.

No meu caso eu gosto muito de explorar cenas com pessoas, sejam trabalhadores, pessoas desconhecidas, retratos, cenas furtivas, cenas de cotidiano, o dia a dia simples de pessoas comuns, cenas familiares ... etc

Claro que dentro destes assuntos sempre tem a forma de abordar cada um deles e isto também é uma fonte inesgotável de prazer.

Conceber uma imagem de forma correta, optando por composições e narrativas firmes e justas é também uma inspiração no meu caso.

Sou obcecado por isto, por composição, então tento adicionar esta obsessão nos assuntos que me inspiram a serem fotografados.

Me encanta quando tem gente ... e quando tem gente, eu tô junto Mr. Green



Nos apresente pelo menos duas fotos suas que te encantam, e qual a força dessas fotos?

Vou postar algumas das quais gosto muito.





Image

Sem dúvida alguma uma de minhas fotos que eu mais gosto.
Além do envolvimento que tenho com o retratado (chama-se Juca e é o seleiro que faz alguns serviços para mim), tem toda a ambientação, o assunto muito interessante e os elementos todos contidos na imagem com muitos detales para serem vistos, além de uma luz linda, o foco cravado.




Image

Esta é uma foto que tem um simbolismo muito grande por trás da imagem.
Há uma correlação entre as estavas em 1º plano e os cavalos ao fundo e tem o pb que deixa a mensagem ainda mais enigmática neste caso.
O 1º plano focado e o fundo levemente desfocado propositalmente.
É uma imagem que me remete a simbolismos, correlações e mistério.
Acho-a muito interessante.




Image

Esta é outra que adoro.
Tecnicamente falando para mim é perfeita ... em todo ponto forte da imagem tem informação importante para a cena.
Terços, diagonais, pontos áureos, cruzamentos de pontos chaves, todos explorados.
E tem o assunto muito fotogênico e muito bem ambientado.
Olha-se a imagem e nada precisa ser dito, tudo entendido e com um atécnica exata e precisa.

Mas é muito difícil escolher na própria produção apenas 3 imagens que gostamos ... acho que esta é a pergunta mais capciosa das entrevistas feitas na seção.

No meu caso que gosto muito de fotografia e fotografo muito, me encanto por muitos detalhes em minhas próprias imagens e cada uma tem uma particularidade que gosto, seria impossível escolher apenas uma ou outra.




Image


É uma imagem que gostei muito de fazer.

A força dela está na inocência infantil, na pureza de uma criança que transforma um ato quase obsceno (se fosse praticado por um adulto) numa poesia, numa imagem de admiração, alegria e curiosidade.

Será que alguma coisa neste mundo paga o registro de um momento como este?

A fotografia é como uma magia, parece até um clichê, mas é exatamente isto.


Até porque minha melhor foto é a próxima ... estas não são as melhores, mas talvez estejam entre as que me deram muito prazer em fazê-las.

Agora esta foi uma das mais especiais dos últimos dias.
Uma foto de street, um tema dificílimo de fotografar, com uma mensagem forte, um momento pleno e na hora exata.
Aliado à técnica o pb, que reforça a mensagem de forma sublime.
Eu simplesmente fico bobo comigo mesmo ao ver esta foto:




Image

Quais suas influências na fotografia, e de que maneira esses fotógrafos marcaram sua fotografia?

Acho que é impossível não falar dos clássicos como HCB, Cappa, AA, McCurry, Salgado, Dorothéa Lange, Thomas Farkas, Richard Avedon, Ródtchenko, Elliot Erwitt, entre outros .

Para ficarmos no âmbito do DF gosto do Botelho, do Flávio Varrichio (oz), dos pássaros do Danilo e do Ed (apesar de pouco entender e não fotografar o tema), gosto do trabalho do Ed Galazzio que faz uma pós-produção muito boa, do Pablo Albino (apesar de ter tido uma rusga com ele que até hoje não foi desfeita, eu indiquei o nome dele como possível entrevistado na seção, e é uma pessoa que tem um trabalho bem consolidado), gosto muito das fotos do Edmar Ivo.

No clube Sony tem um cara que vem fazendo um trabalho legal, que é o Yubokumim, que eu carinhosamente chamo de Yubo-San (pois ele está no Japão).
Ele se beneficiou de uma técnica que eu uso, o UniWB, e vem conseguindo resultados excelentes fotografando com uma NEX e lentes mecânicas adaptadas nela.

O trabalho dele, pelo que eu vejo, ainda não consolidou, mas te digo que é uma das surpresas que eu tive nos últimos tempos aqui dentro, como uma evolição espantosa em muito pouco tempo ... além disto é um cara que eu me dou muitíssimo bem e eu vejo na fotografia dele muito da minha, é uma espécie de simbiose e que me estimula muito acompanhar.

Tem o Gabriel que deslanchou de uma hora pra outra.
Tem muita gente boa que não conheço também, ou talvez yenha esquecido.

Mas apesar disto eu vejo aqui dentro do fórum muito poucas pessoas desenvolvendo um trabalho sistemático de produção visual, com regularidade que eu digo ... ao menos nas salas onde ando.

Era pra ter muito mais disto pois aqui é um fórum de fotografias; uma vez fazíamos (um colega do clube Sony) uma estatística de quem postava mais ... sim,eu estava nas primeiras posições - Mr. Green - sou um compulsivo, vc deve se lembrar pela sala interna de fotos da Moderação que tínhamos.

Eu fotografo muito ...

Freiras ...




Image

Fotografo dirigindo, na estrada ...




Image

Pessoas que vão em minha casa fazer serviços de carpintaria ...




Image

Quase nada escapa, então é natural que eu goste muito de ver produções alheias ... e como não vejo, acho ruim. -risos

Mas isto talvez seja apenas uma impressão minha tb ... não sei ... o Magoo, agora me lembro, é uma destas ótimas exceções, ele tb posta demais.

A nível próximo tem o Ivan, do qual fico bobo com as imagens que produz.
Agora mesmo ele chegou de viagem de NY e fotografou lá com uma compacta e em jpeg ... quem o conhece sabe que ele detesta o formato e é uma das assumidades no formato raw a nível Brasil, tendo inclusive um blog ótimo sobre o assunto, o ABC da fotografia em raw.

Cara ... tú tem de ver as fotos e o que ele fez com uma compacta ...
Só fotografou bobagem, como ele mesmo diz, foi só brincadeira.

Mas a bobagem que ele fez ... putz, dá gosto de ver.

Então um cara deste adquire um nível tão alto na fotografia e tão rapidamente, e que se adapta de maneira tão singular e cabal a vários formatos. que é bom que deitemos o olhar nesta produção se quisermos aprender algo.

Tem o Alex M. de Souza, tem o Bucci ... cara é muita gente ... não dá para falar de todos, pois até corremos o risco de sermos injustos.

A fotografia de outras pessoas se incorpora na nossa (na minha também, claro) de diversas formas.

Dos clássicos pego muito de composição e neste quesito nada melhor que o Bresson.
Do McCurry pego muito da cor e dos tratamentos, dos retratos, da saturação forte.

Do Erwitt a forma simples de capturar cenas cotidianas e lançar isto ao observador.

Do Salgado o respeito ao próximo e a forma como ele idealiza um projeto fotográfico.

Claro, o meu nível é nada se comparado a estes caras e minhas limitações de tempo não me deixam me aprofundar ao ponto que gostaria.

Mas a gente vai pegando uma ideia aqui, outra acolá e vai incorporando à nossa forma de fazer.

E sempre de olho em novas coisas, porque a velocidade é muito grande hoje em dia e a renovação não para nunca.

Mas eu acho que a influência não vêm apenas de fotográfos consagrados que gostamos, mas de qualquer pessoa que esteja produzindo a um nível regular ou não.

Da lomografia ao estúdio, da fotografia de natureza à fotografia de cotidiano, da fotografia de polaroid ao médio formato ... não importa.

O que importa é termos a mente aberta para aceitarmos a produção alheia e saber que ali pode ter algo "novo" que nos dê subsídios para produzirmos as imagens da maneira que gostamos e nos assuntos que nos interessam.

Com a quantidade de imagens produzidas hoje em dia em todas as mídias disponíveis (e aí pode ser orkut, flickr, multiply, facebook e os diabos) e câmeras aos borbotões brotando no mundo e à nossa volta, a influência pode vir de um 'Bresson' da vida ou de um menino de 3 anos ... ou até de um macaco, por que não (já não fizeram experiências neste sentido)?

O que temos de ter em mente é que não importa quem produza, todos têm seu valor e devem ser respeitados por isto, e podem sim servir de influências a qualquer momento.


Nos mostre fotos de terceiros que te encantam, e qual a razão da força dessas fotos?

Eu me encanto com muita coisa e da mesma forma que a pergunta acima, é impossível mostrar apenas 2.

Aqui tem minha lista de favoritas do Flickr , mas mesmo assim vai faltar fotos pois tenho outros canais que não o Flickr e tenho predileção por muitas imagens.

Mas desta lista do Flickr vou extrair 2 para resumir.

Uma sua, esta abaixo (não é 'fazer média', a foto é mesmo especial):




Image
Autor: Marcos Borges Filho.

É uma foto fantástica.
O olhar com um misto entre espanto e medo, o pb granulado fino, a opressão que as grades do berço promovem ...

Mas só que é tudo uma fantasia, e por quê?

Porque a pessoa não está oprimida, não está com medo, não está presa ... talvez tenha apenas se assustado ou se surpreendido com sua presença.

Esta fantasia de ser o que não é, esta mágica de mostrar algo de forma diferente, esta atitude de fotografar é que me encanta e que me cativa.

A outra é esta:




Image
Autor: R'eyes.

Por curiosidade este autor apareceu pouquíssimo tempo aqui no fórum, tempo suficiente para fazer um duelo na seção Duelos.
Acho que eu fui o único a votar na foto dele.
Fiz elogios rasgados na oportunidade e ele me adicionou no Flickr como contato, depois sumiu.

Adorei a foto.
Gosto da luz dourada, do contraluz, dos flares, da menina linda e super charmosa, destes óculos enormes no rosto dela, dos cabelos cacheados realçados pelo dourado do sol.
Tudo me agrada, é uma imagem cativante para mim e de muito bom gosto.

As outras estão lá por motivos diversos ... erotismo, luz, serem diferentes, coisas surreais, momentos delicados e surpresos, poética, composições justas, etc.

É difícil fazer uma análise padrão e apenas olhando-as novamente uma a uma eu poderia precisar o porque de cada uma delas agradar, cada pormenor eu posso falar, mas aí não haveria espaço no banco de dados do fórum. Mr. Green




Image
Autor: Marc Ribould

Para finalizar 2 do HCB que simplesmente adoro e que não poderiam faltar:




Image




Image

E 2 do McCurry, outro de meus fotógrafos clássicos favoritos.




Image




Image


Vais em busca da foto ou a foto te encontra no meio do caminho?

As duas coisas.
Às vezes saio para fotografar, às vezes estou de bobeira e uma foto pinta na minha frente.

Não há regras e o bacana é isto, ser livre para escolher o que fazer e na hora que der na telha.

A única escolha quase pontual é estar sempre sozinho.
Não gosto de andar com outras pessoas e estou sempre só com minhas ideias.
Nunca fiz uma saída fotográfica, até porque isto não existe por aqui que eu saiba, aliás, li algo neste sentido sim dias destes.
Mas eu vejo estas saídas muitas vezes como tudo, menos como um compromisso c o fotografar de fato.
É um tira dúvidas, uma apresentação de marcas e modelos de cam, uma conversaria em torno de tudo ... menos de fotografia.

Então prefiro ficar sozinho e assim seguir, além disto posso ficar mais concentrado para conseguir o que eu quero.

Veja bem, não condeno as saídas fotográficas (vejo umas paradas bacanas do pessoal em SP que fazem muito isto), mas apenas é algo que não se encaixa com o meu estilo de ser.

Mais de 3 pessoas juntas pra mim já é bando. -risos



Gosta de ser fotografado? Ou em casa de ferreiro o espeto é de pau?

Definitivamente não.
No meu caso casa de ferreiro, espeto de pau.
Não me acho nem um pouco fotogênico.
Entretanto não me importo de me fotografarem, mas como gosto de imagens não posadas e tiradas espontaneamente preferiria que fosse desta forma.
Como no meu círculo de amigos e familiares não tem ninguém que fotografe com a mesma regularidade que eu, fica mais dificil de se conseguir imagens minhas.
Se me pedirem para posar então ... fica uma bost*, tenho plena consciência disto. Mr. Green

Tenho esta minha também, feita por mim mesmo. -risos




Image


Qual seu equipamento fotográfico?

Corpo:

Sony Alpha 700, digital.
Minolta Maxxum 5, filme.

Lentes:

SMC Takumar 28/3.5. -> vou vender por absoluta falta de uso.
Super Takumar 35/3.5.
CZJ Flektogon 35/2.4. -> tenho 2 iguais e vou vender uma delas.
Mir 1b 37/2.8.
SMC Takumar 50/1.4.
Industar 50/2, 50/3.5.
Helios 44M6, 58/2.0.
Jupiter 9 85/2.0.

Tenho também 2 lentes digitais Sigma que vieram como 'brinde' quando comprei a câmera de filme.
Uma 28-80 e uma 80-300 que está com problema no motor de foco.
Ainda não vendi porque de uma hora pra outra minha esposa pode querer fotografar algo e como minhas lentes são todas fixas e mecânicas, ela pode se beneficiar de uma destas digitais.
Mas eu mesmo não as uso, apenas as mecânicas.

E não uso flash.

Como o equipamento que você usa influi no tipo de foto que você faz?

Influi de todas as formas possíveis.

A escolha de lentes claras em momentos onde a luz não é boa, de lentes mais wide para tomadas mais amplas, de lentes com distância focal próximas ou iguais a 50mm para retratos e/ou closes e por aí vai.

O fato de eu usar apenas lentes fixas me dá uma versatilidade de conhecimento que não se consegue facilmente usando lentes zoom.

Quando vejo uma cena que me interessa de antemão sei que lente por e como me posicionar para registrar, e isto é muito prazeroso.

As lentes zoom são uma mão na roda, não nego, mas elas muitas vezes ajudam aos fotógrafos a "não pensarem" muito antes do clique.

Eu penso demais antes de apertar o botão, e gosto disto.

Cada clique é um problema a ser resolvido, gosto disto e de poder dar soluções a estas questões, e isto sem dúvida alguma provêm da influência que o equipamento que eu tenho em mãos promove.


Porque essa predileção por lentes mecânicas?

Sobretudo pela qualidade que me oferecem e ao baixo custo disto.
Sou um negociante e gosto de investir o menos possível e ter o melhor resultado possível. Mr. Green

Eu nunca pagarei 1.000 - 1500 dólares numa lente, não tenh coragem.

Mas cada um é cada um e investe da forma que melhor lhe cabe.

E por todo o aspecto antigo e romantico que envolve a fotografia com lentes manuais e fixas.

Gosto de ver no visor as áreas entrando e saindo do foco, gosto de girar o anel de foco de forma macia e ver como se comporta a imagem, gosto de fotografar de maneira calma e consciente.

Meu estilo se adapta como uma luva ao formato "mecânico" e antigo da fotografia.
Mesmo quando tinhas lentes digitais eu usava o foco manual, sempre gostei disto e me adpatei de tal forma que hoje eu te diria que é quase impossível voltar atrás.

Talvez em alguns momentos, por diversão, eu fotografe com uma lente digital ou uma lente zoom; mas se eu tiver fotografando à vera certamente será com uma fixa e da maneira 'mais manual' possível.


Quais as grandes virtudes de algumas dessas suas lentes?

Cada uma tem a sua, mas sobretudo qualidade de imagem e retenção de detalhes como contrastes e micro-contrastes, nitidez abundante e uma apresentação visual que as lentes atuais não dão.

Gosto deste apelo visual que um vidro produzido há 30-40 anos mostra.
Nada se compara a isto para mim e eu, por enquanto, não vi isto em lentes modernas.

Digo lentes de preços acessíveis, não lentes como uma Summicron, por exemplo, que pode custar até mais de US$ 8.000,00.

Aí já estamos falando de outro nível que nem compensa comentar.



Como você define uma boa foto?

Uma boa foto é sobretudo aquela que te toca, independente de que técnica há envolvida ou por quem foi feita.
Lógico, podendo-se unir as 2 coisas é bom, mas não necessariamente uma boa foto é a que tem a melhor técnica.

É difícil definir isto, pois são fatores subjetivos demais para serem rotulados, simplesmente não há fórmulas e ainda se envolve muito de gosto pessoal nestas escolhas.

Mas se eu pudesse mesmo definir o que é uma boa foto, seria aquela que lhe fala ao coração e à alma.


Porque, frequentemente, suas fotos não estão em harmonia com a estética apreciada pelo senso comum? Existe uma impossibilidade de uma interação entre a beleza aceita pelo senso comum e uma composição mais apurada?

Geralmente o senso comum e pessoas que não se dedicam ao estudo mais profundo da fotografia, mas que mesmo assim fotografam, buscam temas, digamos, esteticamente bonitos para suas capturas.

Fotografam flores, fotografam paisagens, por do sol, mulheres bonitas.
E nisto ficam a sua vida inteira fotografando temas e assuntos repetitivos e sem sair do lugar comum.

Isto é, na minha opinião, uma espécie de fotografia que tem seu valor, claro, mas que é passageiro quando vc começa a ir mais a fundo.

É como eu às vezes digo, a beleza não está no que é mostrado, mas da forma que é mostrada.

Para mim, seria muito simples chegar no Rio de Janeiro, por exemplo, deixar o sol ir caindo e partir para o Corcovado e fazer aquela imagem de cartão postal.

Seria uma foto feia, ou uma foto que sem valor?
Absolutamente que não ... eu nunca diria isto ...

Mas que desafio tem produzir uma imagem desta?
O que eu mostraria de diferente, uma vez que já é uma foto "pronta"?

O meu desafio é mostrar meu olhar sobre coisas incomuns, "feias" (entre aspas porque eu não acredito em assunto feio), diferentes e até desconhecidas mas de uma forma harmônica, para que esta estética não usual ganhe valor diante deste senso comum que vc diz.

Além disto, falando com toda a sinceridade, assuntos como por do sol, flores, paisagens lindas e deslumbrantes não me estimulam a fotografar, simplesmente porque acho algo comum e que todo mundo faz.

Eu sou uma pessoa diferente por minha própria natureza, talvez isto explique o porquê de certas escolhas que faço.

Veja bem, eu não estou afirmando que não fotografo assuntos que se encaixam na estética do belo (abaixo uma foto minha que eu considero bonita), eu até os fotografo sim, mas o meu desfaio maior não está aí, nestas "belezas".




Image

Estes cenários não me estimulam * pelo simples fato de serem "fáceis" de fotografar e por não desafiarem minha capacidade de adaptação perante o que não está ligado a esta estética da beleza.

* Não me estimulam ao ponto de eu deter meu olhar sempre e apenas a estes locais, diga-se.


Citação:
Existe uma impossibilidade de uma interação entre a beleza aceita pelo senso comum e uma composição mais apurada?


Não, de forma alguma, ao contrário.

Mesmo quando se fotografa algo batido, algum clichê, algum assunto já fotografado à exaustão, existe espaço para uma composição diferente e um olhar diferenciado por parte de quem fotografa.

E isto deverá partir sempre de quem está 'Por detrás das lentes'.
O fotógrafo deve sempre lançar seu olhar particular para as coisas que registra, e é este olhar o diferencial entre cada um de nós.

Uma prova disto é o caso particular de Ansel Adams que passou uma vida fotografando o parque de Yosemite com regularidade e conseguiu várias imagens belíssimas dretratando sempre o mesmo local ... o olhar diferenciado dele e o estudo apurado e constante foi o mote para as imagens que produziu ... então veja que é possível haver esta variação e diferenciação, basta estudo e empenho.

Mas, geralmente, quando falamos em senso comum as pessoas vão as mesmos lugares e repetem as mesmas fotos, dos mesmos locais, nas mesmas posições e ângulos, sempre procurando o mesmo apelo estético de fotos que já foram consagradamente expostas, mostradas e aceitas em épocas/períodos anteriores.

E então têm-se uma avalanche de fotos de pessoas de braços abertos aos pés do Cristo Redentor, de imagens do Corcovado, do Pão de Açúcar, ponte estaiada em SP, das cachoeiras de Foz do Iguaçú e outros tantos lugares magníficos que existem no mundo.

Talvez isto sirva para eles como troféus, ou como uma mostra de que estiveram em tal lugar e fizeram uma foto idêntica à de Fulano de tal, que é um fotógrafo consagrado, entende?

Não há mal algum nisto, afinal somos pessoas únicas e diferentes em nossas motivações e gostos pessoais, mas definitivamente não é este tipo de imagem que eu busco fazer e nem busco esta estética que o senso comum tanto admira.


Em várias de suas composições, encontramos objetos, aos quais você chama de "desnecessários"; porém, muitas vezes estes objetos assumem, em suas fotos, o papel de protagonistas. Fale um pouco sobre esses objetos e como eles são incluidos em suas narrativas fotográficas?

Veja que o termo 'desnecessários' encontra-se entre aspas, o que lhe atribui um valor gramatical diferente do que o próprio termo quer dizer.

Na verdade quando coloco a expressão "desnecessários" o que eu quero dizer é o contrário (dentro de umcontexto de uma frase por exemplo, mas que aqui foi cortada), eles são primordiais em minhas composições e exprimem uma maneira muto particular de compor e de registrar cenas.

Como é sabido por você eu sou muito criterioso com todos os aspectos em minhas imagens, do que eu registro e da forma como faço isto.

Tudo o que eu mostro tem um motivo, qualquer foto que eu faça tem uma explicação detalhada de porque cada coisa está sendo mostrada, tenho esta consciência ... mais uma vez reafirmo que não é pretensão, mas auto-crítica, e por causa desta auto-crítica desenvolvi um critério absurdamente obcecado com estas composições.

Um destes aspectos (os demais falaremos mais à frente) no qual sou enfático e intransigível é:

Eu não mexo uma palha do que a cena que está a minha frente me mostra.

Se tem uma vassoura na frente, por exemplo, eu não vou lá tirá-la da cena para fotografar.
Se tem uma garrafa pet, idem ... não mudo composições e nem "arranjo" cenários.

Se eu for registrar algo, portanto,estes objetos aparecerão, mas entretanto eu vou dar meu jeito de deixá-los na cena de forma que eles agreguem na imagem que eu capturo.

Isto é ponto pacífico e é imutável na fotografia que faço.

Não condeno as pessoas que agem de outra forma, mas a minha é esta e ponto final, sem discussões.

Este termo surgiu e virou um mini artigo em meu WordPress depois de uma foto que mostrei em uma seção aqui no fórum e que aconteceu um tremendo bate-boca por causa de uma garrafa pet que havia no centro da imagem.

Poucas pessoas na ocasião entenderam a proposta.
Alguns poucos sacaram a provocação que eu tinha feito, outros mesmo não entendendo sabiam que existia uma intenção de minha parte no registro e outros tantos meteram a lenha mesmo, sem dó.

Tranqüilo, isto não me abalaria porque tenho isto muito bem resolvido dentro de mim.

Esta é a foto em questão:




Image

O que aconteceu na cena?

Minha afilhada pediu refrigerante e lhe foi dado um Guaraná.
Ela gosta mais de Coca-Cola e no momento que ela tomou ela não gostou e ficou brincando com o refrigerante na boca, tentando fazer bolhas.

A funcionária lá da casa de minha mãe pôs o copo abaixo, por prevenção, antecipando-se ao pior, mas nada aconteceu e ela acabou de engolir o refrigerante normalmente, e que mais tarde foi trocado pelo que ela gostava.

Pois bem, a foto está aí.
O que foi capturado?

Uma intenção da criança, um cuidado e prevensão de uma pessoa com um possível ato (no caso um vômito ou um descarte do líquido, por assim dizer) e a preocupação de minha mãe na esquerda com a cena.

Aliado a isto as garrafas desfocadas propositalmente para ambientar a cena, pois elas faziam parte do contexto.

É uma foto familiar retratada com extremo cuidado e dando total atenção ao momento em que minha afilhada faz o gesto, à composição das pessoas preocupadas com o ato dela (veja que as faces estão todas visíveis e não tem suas expressões bloqueadas) e os objetos "desnecessários" fechando a narrativa.

Como estavam na frente da imagem, ficaram, porque eu não iria me levantar pra tirar nada da frente. - risos

Isto, para mim, é uma imagem completa.
Não estamos falando aqui de gostar-se ou não da cena ... não estamos tratando aqui de um possível vômito da criança (aliás só o gesto já coloca a imagem em uma classe de 'repulsa' automática por muita gente).

Estamos falando aqui do momento, de uma narrativa fotográfica em que objetos que o senso comum não fotografaria ( te digo com quase 100% de certeza que provavelmente muitos iriam lá tirar as garrafas da frente ou deixariam de registrar a cena) estão sendo usados para agregar informação em uma imagem.

Estes objetos, que para muitos são desnecessários e "enfeiam" uma cena, são primordiais para o tipo de imagem que eu produzo e gosto de fazer.

São parte de nossa vida, são objetos que futuramente (daqui 20 anos por exemplo) ambientarão uma época e nos trarão recordações, são objetos que precisam estar aí.

peridapituba escreveu:
...são objetos que futuramente (daqui 20 anos por exemplo) ambientarão uma época e nos trarão recordações


O que vc me diz quando nos dias de hoje vê uma antiga foto de seus pais quando vc ainda nem era um espermatozóide e estão eles 2 lá juntinhos, seu pai com uma costeleta enorme e ambos com aquelas calças LEE pantalonas?

Que tipo de sensação uma foto desta te trás?Entende o que eu digo?

Provavelmente ao ver a foto vc diria:

"Poxa pai, como vc era feio ...poxa mãe, vc tinha os cabelos mais bonitos quando eram compridos ... como os costumes mudaram ... que bacana eram as calças" ... e por aí vai ...

Então, muitas vezes, estes objetos funcionam até mesmo como algo a nos estimular e trazer sentimentos bonitos de uma época que se foi.

A fotografia também tem esta função e na minha maneira de ver estes objetos são sim necessários neste auxílio.

Nós não nos sensibilizamos quando vemos uma foto do Cappa de uma guerra espanhola de anos atrás?

Ou de um cidadão comum lutando sozinho na praça da paz em Pequim?

Ou até mesmo vendo os aviões terroristas explodindo no WTC de NY?

Claro, deve-se guardar as devidas proporções pois o nosso ambiente exemplificado é o familiar, mas a função parece ser a mesma, entende?

Eu penso hoje, fotografo hoje, mas o futuro talvez já possa ser agora em alguns casos ... e eu penso rápido e penso na frente, me antecipando ... mesmo que em anos.

Uma prova desta cronologia que eu me refiro e que muitas vezes eu também penso é esta matéria:

Fotógrafo passa 36 anos fotografando irmãs para mostrar como o tempo age sobre nós.

Fonte: O Buteco da Net

Olhe que coisa bacana isto.

Será que a fotografia não deve também ter uma função deste tipo, de trazer-nos estas recordações maravilhosas de tempos vividos?

Ou de nos mostrar, através de imagens e de uma cronologia que nos mostre nossa vivência o quão pequeno somos diante do Criador, e assim nos tornarmos pessoas cada dia melhores em nossa passagem aqui neste mundo?

É algo a se pensar ... e eu tenho tido experiências muito plenas e reveladoras depois que passei a observar certas coisas em minhas próprias imagens ... depois que me voltei primeiramente ao meu mundo, entende?

A fotografia também me proporcionou isto.

Outra coisa que talvez explique certas decisões que tomo.

Veja bem, isto é apenas um dos diversos exemplos que eu poderia te dar para justificar meus atos e minha maneira particular de fotografar, mas que absolutamente deve ser vista como verdadeira sempre ... apenas é a forma que eu faço e que eu gostaria que fosse respeitada.

Em um outro exemplo a foto abaixo:




Image

Minha sogra, em um café da tarde lá em casa.
Veja as cascas das bananas que ela acabara de comer.
Os postes de biscoito ... a garrafa de café ... os talheres dentro do prato ...

Como, em sã consciência, eu poderia deixar isto de fora?

Que narrativa sustentaria uma imagem deste tipo se eles não estivessem presentes?
Como eu contaria esta história?

Então, é sobre esta necessidade que eu trato, sobre a inclusão deste tipo de coisa nas imagens que faço, onde nada é por acaso e tudo tem sua função.

----------

PS: Leiam o artigo no WordPress, é só clicar no link lá de cima que cai direto na página.
É um artigo pequeno, mas que talvez possa levar a outras direções.

----------

Para onde aponta essa sua afirmação:
Citação:
Ter uma câmera na mão – mesmo que seja uma simples câmera de 2 MP e sem controle algum – é sempre bom.

Isso impresiona porque você é um fotógrafo que sempre tenta ter o máximo controle sobre suas fotos.


Isto é algo interessante e que passa até mesmo pelo meu estilo de vida, uma curiosidade.
Eu dou muito pouco valor a uma coisa que a garotada gosta muito, telefone celular.

Então como estou sempre andando em estradas interioranas e onde o sinal é ruim eu sempre usei celulares com tecnologia CDMA, analógica.
E tinha um destes celulares bem antigos, pequenos em tamanho, mas muito antigo que me atendia perfeitamente, sobretudo em sinal.

A operadora que uso vai abolir dentro de alguns meses esta tecnologia que passará a ser unicamente GSM para meu estado e estava dando um bônus para troca de aparelhos.

E assim, lá fui eu trocar o meu.
Fui comprar um novo né? ... nada mais óbvio que tivesse câmera. -risos

E aí tou eu todo bobo com um celular de uma câmera vagabunda de 2MP, sem controle algum.

Um dia destes estou na fazenda e não tinha levado a câmera ... mas eu tinha um celular com câmera ora bolas !!! - Mr. Green

E fiz algumas fotos das quais gostei do resultado ... mesmo que totalmente automatizadas pelo aparelho, pois eu não tive trabalho algum a não ser compor as cenas.

E aí me veio a expressão que vc citou.
Na falta de um equipamento melhor, a gente se vira c o celular mesmo.

É uma forma de se estar sempre disponível a fazer algumas fotos.

E mesmo que não se tenha recursos algum (no caso de um aparelho de celular que não nos dá direitos de escolhas) é possvel sim conseguir boas imagens, basta ter um pouco de comprometimento.

Isto também rendeu um pequeno artigo: Fotografias com celular.

Esta é uma foto feita com o meu aparelho:




Image

Não é uma imagem totalmente bem acabada e uma câmera com mais recursos traria sem dúvida alguma um resultado melhor.

Mas dá para se divertir e isto já vale muito.

A afirmação então aponta para isto, estar disponível, pensar e usar o que se tem em mãos, pois só depende de nós.


Uma de suas predileções na fotografia são fotos de teu cotidiano.




Image

Apesar de você priorizar a composição, aspectos técnicos como o foco e nitidez não são relaxados. Como conciliar foco e nitidez com lentes de foco manual em fotografias de cotidiano, não posadas, em que as pessoas nomalmente não ficam estáticas?


Primeiramente antecipando-se às cenas.

E tendo um olhar aguçado para as possibilidades.

Também é preciso ter uma certa dose de sagacidade e conhecimento para saber o que uma cena pode render, e nunca preocupar-se com as fotos "perdidas", mas com as fotos que vai-se fazer.

Na fotografia de cotidiano, ou familiar que acho ser a que vc se refere, as cenas acontecem a nossa frente a todo momento.

Então, se vc não pegar um momento legal agora vai pegar daqui há pouco.

Se não pegar nada ... aí a culpa é mesmo da peça atrás da cam. -risos

Aspectos como foco (que entrelaça-se à nitidez por conseguinte) é algo mais fácil.
Se tem boa luz a gente trabalha com uma abertura menor para ter um profundidade maior e aí não errar neste ponto e ter uma margem de segurança.

Se a luz é pouca, aí tem de ter mesmo alguma habilidade porque a abertura vai ser maior e talvez o dof encurte muito dependendo da lente, mas isto é a coisa mais fácil, e com o tempo se pega.

Mas há de se saber que mesmo em fotografias não estáticas, existe um momento em que as pessoas "param" de se mexer.

Nesta fração de segundo também aproveito para clicar, sempre atento para momentos interessantes.

É um jogo de perseguição, por asssim dizer.




Image




Image

E, nessas fotos de nossos cotidianos, qual o segredo para o fotógrafo se manter "invisível", apesar de estar com uma DSLR apontada para o pessoal, e assim, obter fotos extremamente naturais?

O segredo é exatamente o contrário, é deixar-se notar.

Se uma pessoa sabe que vc vai fotografá-la é muito maior a chance destas imagens serem o mais natural possível.

Eu acredito que ser invísivel com uma dslr não é uma coisa fácil, principalmente para mim que fotografo apenas com lentes fixas.

Eu pelo menos não tento ser, prefiro que as pessoas saibam que as fotografo.

Por exemplo, se estou com uma 28mm ou uma 35mm tenho de ir pertinho do assunto ... talvez para quem goste de teles isto seja mais fácil, mas não é o meu caso.

Em um ambiente familiar com o tempo as pessoas aceitam isto e tudo soa mais natural.

Em um ambiente não familiar uma boa conversa sempre ajuda.



Em sua fotografia você radicaliza em algums aspectos: não usa flash, não se permite fazer um corte (na edição), não altera uma cena. Qual a razão dessa radicalidade?

Eu não vejo isto como algo radical ... Think

... talvez esta palavra seja muito radical. -risos

Eu vejo e entendo como uma metodologia já enraizada na minha maneira de fazer.

Sobre o flash eu sinceramente não vejo motivos para o uso dele no tipo de fotografia que faço.

Além disto em um retrato, quando o pré-flash pipoca não há cristão que mantenha a espontaneidade.
Tente fazer.
Além de ser uma luz feia, chapada, quando é mal usada.

Vale lembrar que não estamos fotografando em um estúdio, onde o controle é total, então o resultado pode ser previsto e potencializado ao máximo.
Sem contar que se a luz mudar ... lá vai vc mudar a regulagem do flash.
Acho isto um saco e realmente não uso e nem vou usar flash.

Sobre crops em edições ...

É por isto que minhas composições são tão afiadas.
Eu corto na hora, no visor e componho ali.

Se vem dando certo até aqui, não vou mudar isto.
É a minha forma de fazer e disto não abro mão.

Mas cada um que use sua ferramenta da forma que mais lhe convier.

Quer cropar?
Cropa, mas saiba que o costume vai se apoderar de vc de tal forma, e vc vai ficar tão dependente disto, que ao invés de vc fazer sua composição de forma mais eficaz, vai ficar perdendo tempo com isto na edição.

E vai sempre fotografar com isto em mente ... "... Ah, se der errado depois eu cropo ..."

Sem contar que, agindo assim, vc pode perder uma informação importante porque não foi suficientemente atento na hora do clique e o crop vai eliminar aquilo que não poderia ser eliminado.

Cada um que faça a sua escolha, vira um cropador nato e submete-se a esta escravidão ou procura fazer um trabalho de melhor qualidade.




Já quanto aos cortes na captura você os faz sem o menor constrangimento.




Image

Certamente você atribui a esses cortes força compositiva. Qual o limite entre um corte que agrega na composição e um corte inapropriado?


Não existe limite, assim como não existe regras.
O limite está em nossa mente e as regras são para serem quebradas.

Nada mais clichê, mas é muito verdadeiro.

Um corte que agrega é quando vc, por exemplo, pode aplicar uma teoria de Gestalt na imagem e isto fazer sentido.

E um corte inapropriado geralmente vem acompanhado de uma composição fraca e sem sentido, onde os objetos cortados interrompem a narrativa fotográfica e não dão lógica ao restante da cena.

É difícil explicar com palavras, mas quem estuda um pouquinho consegue enxergar quando um corte extremo é feito de forma consciente e faz sentido na imagem e quando não é.

Eu vou aos extremos, corto sem dó se tiver de fazer isto, mas sempre a favor da mensagem intrínseca na imagem.

Esta que vc postou como exemplo é uma delas.

Veja que a intenção é situar o observador a respeito do que existe dentro do barco, mostrar isto, e aplicar uma Gestalt onde a própria mente se encarregará de completar as informações pendentes, aqui neste caso os barcos cortados.

Os cortes então tem proporções suficientes para que esta "mensagem" se complete inconscientemente, sem que a gente perceba.

Há os cortes, mas a nossa mente "completa" a informação e sabemos que são barcos (esta é apenas uma forma mais simples de exemplificar, mas há muitas outras variáveis envolvidas).

Mas a eficácia destes cortes estão numa composição em que são exploradas regras gerais da fotografia, regras estas que todos conhecemos.


Normalmente você faz suas capturas em raw e com um balanço de branco peculiar. Poderia, em linhas gerais, nos explicar esse processo?

Uso o raw há anos e o motivo é a qualidade que se consegue na pós-captura sem que haja comprometimento no arquivo original captado.

O WB segue o padrão normal, não tem mistério e é como a maioria faz, procuro seguir a temperata de cor que me dá a visualização exata de como a cena era no momento da captura.

A única diferença é que uso como WB o sistema universal para captura em raw, o UniWB.

Salvando-se apenas os casos em que pode-se aplicar efeitos como sépia (que praticamente não uso), simulações de processo cruzado, de características de algum filme específico, pb's mais suaves ou mais contrastados, e etc, o WB de minhas imagens tenta seguir o padrão real de cores das imagens retratadas.



Em função da utilização do UniWB, como se dá o trabalho de pós-produção?

Não há diferença alguma, a única diferença é que o UniWB mosta as imagens raw convertidas com aspecto esverdeado e isto tem de ser corrigido.

No meu caso eu passo a imagem pra "Grayscale" e escolho com o conta-gotas uma área de cinza médio.

Se for ficar em pb continuo o processo de edição normalmente.

Se for passar para cor, saio da aba Grayscale e retomo o processo normal de edição, agora em cor.

Pode-se pprecisar de novos ajustes de temperatura e tint, se precisar eu refino o wb neste momento.

Eu uso o LR como editor de imagens.



A foto abaixo, feita sem uso de flash, tem uma fotometria que impressiona; pois, apesar do contraluz, e das grandes latitudes envolvidas, tem uma exposição extremamente bem resolvida. Qual a importância do WniWB para se alcançar esse resultado?




Image

A importância está exatamente no fato de que o UniWB possibilita visualizarmos a real latitude que o sensor digital tem.

Como funciona isto?

Quando se fotometra uma cena usando-se como parâmetro o sistema jpeg, geralmente todo mundo expõe subexpondo um pouco para se resguardar de estouros que não possam ser corrigidos na edição.

A fotometria para raw é diferente, porque o sistema admite recuperações maiores das altas luzes (o calcanhar de aquiles da fotografia digital, pois a latitude do sistema é menor do que o sistema de película/filme quando se fotografa em jpeg).

Então se vc fotografa em raw sua fotometria tem de levar em conta isto, pois vc poderá ir além na exposição se souber fazer isto.

Alguns estudiosos do sistema raw conseguiram ver que existia espaço para aumentar ainda mais esta captação de luz e se recuperar estas informações, de forma a dar aos arquivos captados melhor qualidade.
Como?

Passaram a basear-se pelo histograma da imagem e viram que mesmo fotometrando para raw ainda existia espaço para "encher" o histograma.

Encher o histograma significa dizer ter mais informações na imagem.
Mais informações significa melhores imagens.

O máximo possível que vc puder ir à direita do gráfico, enchendo-o, desde que se pare antes do estouro das luzes que se mede, é bom ir.

Como saber se o histograma que vemos é o real para o sistema raw?

Setando-se o UniWB.

O UniWB na verdade, é apenas uma forma de ter na sua cam um histograma que seja o verdadeiro para o raw ( porque quando fotografamos em raw o histograma que vemos é o do jpeg gerado pela cam para nos mostrar a imagem no LCD, pois o raw é um arquivo de dados que não é visível).

E então tendo este histograma verdadeiro, a gente expõe a imagem baseando-se nele e levando a curva do histograma o máximo possível à direita, desde que não haja estouros.

Eu escrevi um artigo aqui no fórum sobre isto, inclusive com imagens demonstrativas.

É só clicar no link acima que tem as informações necessárias para fazer, além de todas as conversas que se desdobraram a partir dele.

Só peço um favor, leiam o artigo e as páginas, porque todas as explicações e os desdobramento que se seguiram estão lá, são cerca de 8 páginas de discussões.

Muita gente não quer ter o trabalho de perder um tempinho se informando e se aprofundando e então fica perguntando repetidamente sobre algo já dito sem ler atentamente o tópico.

Então, para já me prevenir de novas MP's sobre o assunto, fica a dica.


Editado pela última vez por Marcos Borges Filho em Sex Jul 01, 2011 1:45 am, num total de 2 vezes

Tatiane Neves Tavares

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MensagemEnviada: Qui Jun 30, 2011 4:37 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Opa eu sou a primeira Razz

Bem quero aqui colocar algo que o Peri já sabe e que já falei em outras salas e como a maioria no fórum já me conhece eu sou uma pessoa que não tenho medo de falar o que penso (garota de opinião Mr. Green )

Quando olhei as fotos do Peri pela primeira vez me chocaram muito por que são fotos que nos despertam emoções não são fotos para admirar mas são fotos para sentir, uma vez coloquei para ele o que gosto nas fotos que é a facilidade com que ele mistura jornalismo e arte
Sabe vemos aqui mesmo no Fórum um bando de fotógrafos que falam entender de arte e ficam citando nomes da renascença etc., mas para mim tudo teoria e cultura pouco aplicada, o Peri faz isto com uma naturalidade incrível, é dele este é o olhar que ele tem ele consegue ver a beleza no cotidiano e mistura as o que chamamos de Fotojornalismo com o que chamamos de foto Artística.
Tenho que confessar que muitas vezes coloquei que eu não tinha gostado de algumas fotos, mas isto é normal, mesmo os fotógrafos mais renomados com fotos maravilhosas vai ter uma ou outra que não vai causar impacto nem ser atrativa.
O que uma vez falei foi sobre as bordas por que as vezes elas chamam mais atenção que as fotos que são maravilhosas
Bem chega de puxar o saco mas é o que penso tem muito fotografo que se salva com o pos-click por que é bom de edição e consegue com crops e ajustes deixar a foto atrativa as do Peri são fotos naturais do dia a dia e não são para ver beleza é para sentir Smile
Sabe La no foto –critica foi gerado muita polemica por algo que chamo de falta de respeito pela opinião aléia, só por que alguém (pode dizer eu no caso) não gostou de uma garrafa na foto foi altamente criticado e alguns participantes sem critério colocou palavras ofensivas, o que sempre gostei do Peri é isto a coragem e a maturidade de receber criticas, de aceitar e também de colocar sua opinião sem inibir a forma de pensar individual de cada um, desde o inicio foi uma pessoa que me acolheu no Fórum e que sempre respeitou a minha forma de pensar e a minha liberdade de falar o que penso.
Sei que este espaço é para perguntas, mas eu não tenho nenhuma pergunta só a minha gratidão por ainda que virtualmente ter tido a oportunidade de aprender algo como o Peri, e este algo é respeito, ele ensinou a mim e a todos que devemos sempre Respeitar a forma de pensar de cada um e que não existe certo ou errado o que existe são gostos e pensamentos diferentes, o Peri respeitou sempre quando eu elogiei o seu trabalho e também respeitou e recebeu de maneira aberta e madura quando eu coloquei que não havia gostado.
Grata mais uma vez por ter sempre respeitado minha forma de pensar e por ter me ensinado que muita vezes fotos não são para olhar mas sim para sentir

Parabéns pela entrevista muito merecida

peridapituba
Eu moro aki!
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MensagemEnviada: Qui Jun 30, 2011 6:28 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Tatiane Neves Tavares escreveu:
Opa eu sou a primeira Razz

Bem quero aqui colocar algo que o Peri já sabe e que já falei em outras salas e como a maioria no fórum já me conhece eu sou uma pessoa que não tenho medo de falar o que penso (garota de opinião Mr. Green )

Quando olhei as fotos do Peri pela primeira vez me chocaram muito por que são fotos que nos despertam emoções não são fotos para admirar mas são fotos para sentir, uma vez coloquei para ele o que gosto nas fotos que é a facilidade com que ele mistura jornalismo e arte
Sabe vemos aqui mesmo no Fórum um bando de fotógrafos que falam entender de arte e ficam citando nomes da renascença etc., mas para mim tudo teoria e cultura pouco aplicada, o Peri faz isto com uma naturalidade incrível, é dele, este é o olhar que ele tem ele consegue ver a beleza no cotidiano e mistura as o que chamamos de Fotojornalismo com o que chamamos de foto Artística.
Tenho que confessar que muitas vezes coloquei que eu não tinha gostado de algumas fotos, mas isto é normal, mesmo os fotógrafos mais renomados com fotos maravilhosas vai ter uma ou outra que não vai causar impacto nem ser atrativa.
O que uma vez falei foi sobre as bordas por que as vezes elas chamam mais atenção que as fotos que são maravilhosas
Bem chega de puxar o saco mas é o que penso tem muito fotografo que se salva com o pos-click por que é bom de edição e consegue com crops e ajustes deixar a foto atrativa as do Peri são fotos naturais do dia a dia e não são para ver beleza é para sentir Smile
Sabe La no foto –critica foi gerado muita polemica por algo que chamo de falta de respeito pela opinião aléia, só por que alguém (pode dizer eu no caso) não gostou de uma garrafa na foto foi altamente criticado e alguns participantes sem critério colocou palavras ofensivas, o que sempre gostei do Peri é isto a coragem e a maturidade de receber criticas, de aceitar e também de colocar sua opinião sem inibir a forma de pensar individual de cada um, desde o inicio foi uma pessoa que me acolheu no Fórum e que sempre respeitou a minha forma de pensar e a minha liberdade de falar o que penso.
Sei que este espaço é para perguntas, mas eu não tenho nenhuma pergunta só a minha gratidão por ainda que virtualmente ter tido a oportunidade de aprender algo como o Peri, e este algo é respeito, ele ensinou a mim e a todos que devemos sempre Respeitar a forma de pensar de cada um e que não existe certo ou errado o que existe são gostos e pensamentos diferentes, o Peri respeitou sempre quando eu elogiei o seu trabalho e também respeitou e recebeu de maneira aberta e madura quando eu coloquei que não havia gostado.
Grata mais uma vez por ter sempre respeitado minha forma de pensar e por ter me ensinado que muita vezes fotos não são para olhar mas sim para sentir

Parabéns pela entrevista muito merecida


Tatiane, obrigado pelas palavras.

Em muitas oportunidades eu contestei exatamente o que vc disse aí em cima
Muitas pessoas (e aqui eu logo digo que isto NÃO é direcionado a ninguém especificamente) falam de artes, de composição, de teorias, etc e ficam nisto.
Falam falam e falam, mas na hora de mostrar ... nada.

E por esta atitude fui criticado inúmeras vezes.

Eu sempre falei bastante sobre fotografia aqui no DF e sempre fui muito direto e específico em locais onde as imagens são mostradas com propostas de análises.

Coincidentemente eu sempre falei tudo o que mostrei, sempre tive embasado nas minhas próprias imagens o que eu sugeria em opiniões que eu dava.

Esta forma de comportamento, esta maneira particular que eu tenho de emitir opiniões em muitas oportunidades foi mal entendida e levada ao lado pessoal, quando na verdade eu sempre fui sincero o suficiente para tentar ajudar os outros e inteligente o suficiente para entender que críticas às minhas fotos não passam disto, de críticas ÀS imagens apenas.

Mesmo que em algumas oportunidades eu tenha me excedido um pouco, a intenção sempre foi a melhor possível.

Mas a gente tem de entender que isto é algo normal.

Por estarmos nos relacionando numa mídia onde a palavra é o principal, pois não falamos, e estas palavras não possuirem sentimentos/entonações para expressar de verdade o que queremos dizer, é sempre passível algumas más interpretações, e de todos os lados.

O mais importante é a gente ter bom senso, respeito e saber que nada deve ser levado ao lado pessoal.

E se divertir sempre, que é o principal.

Bjs, yeah

Tatiane Neves Tavares

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MensagemEnviada: Qui Jun 30, 2011 10:54 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

peridapituba, Falou tudo

A acho que tambem ja estou me acostumando a ser mal interpretada ha ha ha ha

Sabemos que a paixão pela fotografia é o que move alguns bate papos e as vezes é com a melhor intenção de aprender e de ajudar Smile

Mais uma vez obrigada por toda sua contribuição acho que apesar das fotes criticas as pessoas sabem que acabaram aprendendo muito com você e com o seu olhar Smile

Sou vou pedir uma coisa não muda não acho que você é querido aqui no digi por ser assim o Peri com opnião propia, verdadeiro e com coragem para mostrar o que pensa =D> =D> =D>

Eduardo Buscariolli
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MensagemEnviada: Sex Jul 01, 2011 2:54 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Muito legal sua entrevista. É curioso, ao contrario de muita gente, foi necessário uma entrevista para você mostrar que é o Peri. Prazer em conhecê-lo.



Citação:
O Eduardo Buscariolli, outro amigo que tenho, me disse para eu pendurar algumas fotos na praça da cidade ... e eu lá tenho coragem de fazer isto?

Capaz até de eu ser apredejado - risos


Se me permite vou provocá-lo.... rs...

Não é questão de coragem você deve expor. Muitas vezes vejo-o defendendo de forma ferrenha a sua técnica e suas fotos. Excluindo-se o prazer de compartilhar o que se aprende, o quanto você diria que suas fotos são suas?

Explicando melhor, uma vez feita, a foto, o conteúdo ou o que ela quer dizer será daqueles quem a veem e ouvem. Considerando isso e excluido as fotos familiares, você não acha que deveria doar o que sua fotos dizem àqueles que muitas vezes são o objeto de suas fotos? Mr. Green


Editado pela última vez por Eduardo Buscariolli em Sex Jul 01, 2011 3:36 pm, num total de 1 vez

peridapituba
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MensagemEnviada: Sex Jul 01, 2011 3:30 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Eduardo Buscariolli escreveu:
Muito legal sua entrevista. É curioso, ao contrario de muita gente, foi necessário uma entrevista para você mostrar que é o Peri. Prazer em conhecê-lo.



Citação:
O Eduardo Buscariolli, outro amigo que tenho, me disse para eu pendurar algumas fotos na praça da cidade ... e eu lá tenho coragem de fazer isto?

Capaz até de eu ser apredejado - risos


Se me permite vou provocá-lo.... rs...

Não é questão de coragem você deve expor. Muitas vezes vejo-o defendendo de forma ferrenha a sua técnica e suas fotos. Excluindo-se o prazer de compartilhar o que se aprende, o quanto você diria que suas fotos são suas?

Explicando melhor, uma vez feita, a foto, o conteúdo ou o que ela quer dizer é quem a ve e ouve. Considerando isso e excluido as fotos familiares, você não acha que deveria doar o que sua fotos dizem àqueles que muitas vezes são o objeto de suas fotos? Mr. Green


O prazer é nosso. Mr. Green

Acho que sim, Eduardo.

Mas é um caminho que não está tão disponível para mim por enquanto ... ou eu não tenha a coragem e a disposição suficiente para eu mesmo abrir este caminho.

Talvez por timidez, talvez por medo ... não sei, apesar de, pensando melhor, não ter nada a perder.

Ano passado eu comentei com o Ivan sobre o desejo de fazer uma miniexposção lá na cidade de São Pedro da Serra, região serrana do RJ e onde ele possui uma casa.

Neste lugarejo existe um pequeno centro cultural onde tem um movimento de certa força e ele vez ou outra expõe alguma coisa... o Ivan concordou e inclusive se prontificou a ser o curador desta mostra se eu quisesse fazer.

Tenho pensado nesta hipótese, mas ainda é uma ideia que vem amadurecendo, porque eu gostaria de fazer algo com uma boa qualidade.

Enfim ... concordo contigo, talvez seja a hora de saber o que o círculo não familiar pensa ao ver as imagens.

Quem sabe vc não vira meu curador aí em Ribeirão se a comissão não for tão alta? - risos

Abraços, yeah

Virgilio Libardi
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MensagemEnviada: Sex Jul 01, 2011 5:39 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Não poderia se esperar algo menor do que isso.
O Peri tem a capacidade de causar ao mesmo tempo dois grandes sentimentos com suas fotos e que me lembram (eu era novinho) das questões dos revoltados com o período do regime militar: AME-O OU DEIXE-O.
As fotos por ele produzidas estão muito mais para um estilo atropofotográfico (será que existe?) do que para qualquer outro tipo de estética convencional.
Outra coisa que sempre chama a atenção é o cuidado com os elementos na cena, nisso ele é primoroso.

Agora devo fazer uma observação, lembro-me bem quando esta foto da menina com refrigerante na boca foi ao ar nas FC. Eu comentei na lata que ela não queria a guaraná e estava de olho na coca-cola.... rs.....

Minha pergunta é: quando estiver de féras no ES, pode nos dar o prazer da sua presença em um de nossos passeios mensais do CLIQUES?

Um grande abraço

peridapituba
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MensagemEnviada: Sex Jul 01, 2011 5:52 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Virgilio Libardi escreveu:
Não poderia se esperar algo menor do que isso.
O Peri tem a capacidade de causar ao mesmo tempo dois grandes sentimentos com suas fotos e que me lembram (eu era novinho) das questões dos revoltados com o período do regime militar: AME-O OU DEIXE-O.
As fotos por ele produzidas estão muito mais para um estilo atropofotográfico (será que existe?) do que para qualquer outro tipo de estética convencional.
Outra coisa que sempre chama a atenção é o cuidado com os elementos na cena, nisso ele é primoroso.

Agora devo fazer uma observação, lembro-me bem quando esta foto da menina com refrigerante na boca foi ao ar nas FC. Eu comentei na lata que ela não queria a guaraná e estava de olho na coca-cola.... rs.....

Minha pergunta é: quando estiver de féras no ES, pode nos dar o prazer da sua presença em um de nossos passeios mensais do CLIQUES?

Um grande abraço


Poxa, Virgílio, seria uma honra e um prazer.

Já era pra eu ter ido aí no CLIQUES ou no seu estúdio Umbra, mas não deu mesmo, pois quando fui à Guarapari no último verão eu estava recém-operado dos 2 canais auditivos externos, um sofrimentpo do cacete, e não estava com vontade de fazer nada a não ser descansar ...

Mas o mesmo convite lhe faço quando vc vier da próxima vez aqui em Campos pra gente conversar um pouco.

Naquela vez que vc veio, não rolou e a gente apenas se falou por telefone porque vc tinha compromissos já marcados.

Mas não vai faltar oportunidade, com certeza.

Um abraço meu velho e sucesso.

yeah

PS: Lembro que vc disse na época que ela queria a Coca-Cola. - Mr. Green

aluar
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MensagemEnviada: Sex Jul 01, 2011 7:58 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Adorei ler a entrevista e conhecer um pouco mais do peridapituba.. Smile

peridapituba: Há tempos aprecio as suas fotos e seu estilo fotográfico (como observadora pelas minhas andanças pelo forum.. Mr. Green ) mas, somente depois que entrei para moderação pude conviver um pouco mais "de perto" com vc...e essa é uma das coisas mais gratificantes que o fórum permite..criar novas amizades !.. Smile

Mas, muitas vezes ao postarmos uma foto corremos o risco de nem todos entenderam (por diversos motivos) a mensagem nela contida..(pois, é..também li a enquete da foto das garrafas).

Isso de algum modo o desestimula a postar imagens na internet ? Ou já o desestimulou ? yeah

Bjs

peridapituba
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MensagemEnviada: Sex Jul 01, 2011 8:24 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

aluar escreveu:
Adorei ler a entrevista e conhecer um pouco mais do peridapituba.. Smile

peridapituba: Há tempos aprecio as suas fotos e seu estilo fotográfico (como observadora pelas minhas andanças pelo forum.. Mr. Green ) mas, somente depois que entrei para moderação pude conviver um pouco mais "de perto" com vc...e essa é uma das coisas mais gratificantes que o fórum permite..criar novas amizades !.. Smile

Mas, muitas vezes ao postarmos uma foto corremos o risco de nem todos entenderam (por diversos motivos) a mensagem nela contida..(pois, é..também li a enquete da foto das garrafas).

Isso de algum modo o desestimula a postar imagens na internet ? Ou já o desestimulou ? yeah

Bjs


Ana, querida, e eu lhe retribuo.

Uma das coisas legais que aconteceram ao passar pela Moderação foi o contato mias próximo que tínhamos sempre.

Mesmo que por pouco tempo com o pessoal dos Duelos, eu adorei conviver c a turma de lá ... vc, o Christian e um pouco c o Ferrassoli.

A seção está mesmo em ótimas mãos.

Não, nunca me desestimulou ... e nem vai ...

O que chateia é que às vezes uma pessoa não entende qual a proposta de outra e com isto desmerece o trabalho alheio, faz piada, faz pouco caso.

Esta é uma das coisas chatas que ocorrem em ambientes onde demandam críticas.

Porque uma coisa é vc não gostar de uma imagem minha e dizer isto.

É algo absolutamente normal e que deve ser respeitado, pois são opiniões e todos as temos.

Mas outra completamente diferente é vc não gostar e desmerecer ... aí já é algo menor, entende?

Mas desestimular ao ponto de eu parar de postar??? ... Jamais! ... até porque eu tenho de fazer alguma coisa c este monte de fotos que eu tiro.

Nem que seja postar apenas em minhas páginas pessoais. -risos

As pessoas não podem deixar de fazer o que gostam e acreditam porque outras pessoas não entenderam, criticaram ou até mesmo esculhambaram o que foi feito.

O máximo que pode acontecer é vc se afastar daquele lugar e não voltar mais, como num ambiente qualquer que a gente vá e não é bem recebido.

Existe muito lugar legal pra gente interagir, ver e ser visto, compartilhar, fazer amigos, conversar, afinal se não for assim é melhor ficar recluso em nosso ambiente mesmo.

Uma crítica mal feita ou uma opinião mal dada não é, e nem deve ser, motivo para ninguém desistir ou desestimular-se ... não mesmo.

Isto serve de alerta inclusive para quem é iniciante e está lendo isto agora.

Procure sempre aprender com críticas (positivas ou negativas) que fazem, sempre escute as dicas, os toques e os ensinamentos de pessoas mais antigas ... mas, se em algum momento vc se sentir diminuído por alguém, deixe de lado.

Pegue o que vai te acrescentar, acredite no que vc faz, ignore as falácias e siga em frente.

Sempre vão haver pessoas legais e dispostas a ajudar, sempre.

Bjs, Ana, yeah

Yubokumin
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MensagemEnviada: Sex Jul 01, 2011 8:33 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Muito legal mesmo a entrevista e obrigado pela lembrança oyakata!

Ah Peri-san este UniWB me devolveu o prazer do artesanal que tanto gostava na fotografia analógica.

Parabéns e obrigado a voce, ao Marcão e ao DF por esta oportunidade de conhecer um pouco mais da sua pessoa e do seu trabalho.

Também estou na lista dos que esperam uma mostra de seus trabalhos. Aqui mesmo (Japão) acredito que eles seriam muito bem recebidos

Depois volto com as perguntas.

Um grande abs
yeah

peridapituba
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MensagemEnviada: Sex Jul 01, 2011 8:41 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Yubokumin escreveu:
Muito legal mesmo a entrevista e obrigado pela lembrança oyakata!

Ah Peri-san este UniWB me devolveu o prazer do artesanal que tanto gostava na fotografia analógica.

Parabéns e obrigado a voce, ao Marcão e ao DF por esta oportunidade de conhecer um pouco mais da sua pessoa e do seu trabalho.

Também estou na lista dos que esperam uma mostra de seus trabalhos. Aqui mesmo (Japão) acredito que eles seriam muito bem recebidos

Depois volto com as perguntas.

Um grande abs
yeah


Mais um curador ... do outro lado do mundo ... só resta saber se comissão em Yenes é mais caro ou mais barato. Mr. Green

Como estou mesmo te devendo umas coisas depois da revista que vc me enviou ... vou tentar te enviar umas imagens ($e eu con$eguir - risos), seu endereço tá aqui comigo.

Abração meu velho, yeah

Aba
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MensagemEnviada: Sex Jul 01, 2011 9:32 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

peridapituba, parabens pela entrevisa meu rei, uma perguntinha bem básica, voce usa equipamentos da Sony se não me engano mas eu não vejo muita diferença entres os grandes fabricates de DSLR mas percebo que nesse segmento a Sony tem menos acessórios e parece
que são mais caros com relação a outras marcas, então, houve um motivo especifico pela escolha da marca?

Abraços grande Peri. yeah

peridapituba
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MensagemEnviada: Sex Jul 01, 2011 9:57 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Aba escreveu:
peridapituba, parabens pela entrevisa meu rei, uma perguntinha bem básica, voce usa equipamentos da Sony se não me engano mas eu não vejo muita diferença entres os grandes fabricates de DSLR mas percebo que nesse segmento a Sony tem menos acessórios e parece
que são mais caros com relação a outras marcas, então, houve um motivo especifico pela escolha da marca?

Abraços grande Peri. yeah


O meu caso é específico, Aba.

Eu só uso lentes mecânicas de rosca m42 adaptadas via anel.

O corpo serve apenas para dar suporte à captação das imagens que faço, porque o ítem principal no meu caso são as lentes.

Eu poderia usar qualquer corpo para isto, mas a Sony é a que me dá o melhor benefício.

Por quê?

É um corpo curinga e que aceita muito bem a adaptação das lentes de rosca m42.

Além disto, ela tem um visor amplo e claro, o que é primordial pois o foco é manual e isto ajuda demais.

A Canon é uma marca que tb é boa para esta adaptação, mas o visor não é tão bom quanto o da Sony e o anel adaptador tem de ter chip de confirmação de foco.

Com a Sony posso eliminar isto, pois a focagem manual fica mais fácil.

A Nikon é a mais problemática, aceita a adaptação, mais o anel adaptador tem de ter elemento ótico para dar foco no infinito, podendo degradar a imagem.

Então minha escolha pela Sony é uma questão de ser uma das marcas que melhor adaptam estas lente que uso.

Outro fator tb é que a Sony tem excelente desempenho em ISOS altos, acima de 1600, e eu fotografo muito com velocidades baixas e ISO altos e mesmo só usando o UniWB, o desempenho da marca neste quesito tb ajuda.

Eu não uso flash e então sempre estou trabalhando com baixas velocidades.

Só para te dar um exemplo, olhe esta foto abaixo, feita em ISO 1600 em um local de relativamente boa luz ... praticamente inexiste ruído.




Image

A Pentax é outra marca boa para a adpatação (inclusive não precisa de anel adaptador para as m42) e seria a próxima opção se eu não usasse Sony.

Mas vale dizer que não defendo ferrenhamente a Sony, pois acho que cada um tem de usar a marca que melhor se adapta e todas elas são boas e tem prós e contras.

A Sony inclusive tem deixado muito a desejar no quesito pós-venda aqui no Brasil.

Tenho 2 amigos do Clube Alpha que estão put*s da vida c isto e c o descaso que estão enfrentando tentando fazer alguns ajustes técnicos em suas cam's.

Só que hoje em dia esta questão de acessórios e lentes tem melhorado muito.

Inclusive as novas lentes top Zeiss (de qualidade incontestável e inquestionável) produzidas p a Sony possuem a mesma faixa de preço das concorrentes do mesmo nível das marcas Canon e Nikon.

Sou muito satisfeito c a marca, apesar do que descrevi acima sobre os ajustes de assistência técnica, e se fosse fazer um upgrade de modelo, continuaria nela.

Abraços.
yeah

Vixe Mª!
Adoro isto na sua assinatura. Mr. Green

yeah


Editado pela última vez por peridapituba em Sex Jul 01, 2011 10:21 pm, num total de 1 vez
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