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 HOMENAGEM DIGIFORUM - Entrevista com Luiz Claudio Marigo

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Marcos Borges Filho
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MensagemEnviada: Ter Jun 03, 2014 12:36 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

Em homenagem ao fotografo Luiz Claudio Marigo, falecido no dia de hoje, o DigiForum traz de volta sua entrevista, feita pelo nosso usuario Marcos Borges Filho

O fotógrafo Luiz Claudio Marigo é um dos nomes mais importantes da fotografia de natureza do planeta. Planeta que com sua arte ele ajuda a preservar... Conheça um pouco mais do grande homem que existe além das lentes fotográficas:


Apesar de ser um profissional reconhecido a nível mundial, você poderia falar um pouco de você e de sua atividade enquanto fotógrafo? Encaminhe, por favor, uma foto sua para que possamos conhecê-lo melhor?




Image
foto Pedro Cattony
Marigo diz que não gosta de ralar na natureza e pretende ter condições de
trabalhar até os 90 anos, pelo menos.
O fotógrafo no Pantanal, na espera de uma onça-pintada.


É uma pergunta tão geral... Não gosto de falar sobre minha história pessoal, mas posso dizer que desde que comecei a fotografar nunca pensei em outra profissão. Mesmo assim, não a considero uma vocação. Simplesmente gosto muito do que faço, tive sucesso no trabalho e a fotografia me permite viver e desfrutar da natureza, aprofundando-me no conhecimento de um mundo que me encanta. Através da fotografia vivo em muitos mundos, mundos que são os temas de minhas fotografias, as paisagens, as vegetações, as plantas e os animais, e essa é uma fonte inesgotável de deslumbramento e prazer.
Interesso-me por muitas outras coisas, como biologia, conservação da natureza, cinema, literatura, filosofia, e principalmente filosofia oriental, Vedanta, Yoga e Budismo, e tudo isso tem muito a ver com a minha fotografia e o meu trabalho. É tudo uma coisa só. Tudo integrado.


Como você começou a se envolver com a fotografia?

Foi na década de 60, com amigos e família. Meu pai tinha uma câmera japonesa Beauty, não reflex, que eu comecei a usar por pura curtição, e um tio por parte de mãe, o Mafra, era um fotógrafo de publicidade famoso aqui no Rio. Então, já tinha um ambiente de fotografia na família. Com amigos, comecei a me interessar por fotografias de moda de Richard Avedon e Irving Penn, na Vogue americana, Eugene Smith, Ernst Haas, Cartier-Bresson e os fotógrafos da Life e da Magnum. Depois da Beauty, uma Pentax reflex e depois as Nikons, até hoje.


O que o levou ao interesse pela natureza?

Seria melhor dizer por que não perdi o interesse pela natureza. Eu nasci no Leme, entre a restinga e o mar da praia de Copacabana e a mata atlântica dos morros do Rio de Janeiro. Desde criança, eu ia brincar nesses lugares e as experiências da infância deixam uma marca permanente em nosso espírito. Quando conheci minha mulher, Cecília, e comecei a fotografar profissionalmente, ela trabalhava da Editora José Olympio e me encomendou um trabalho no Pantanal Matogrossense, no início dos anos 70. A experiência de sobrevoar os campos inundados testemunhando aquela riqueza indescritível de fauna e depois, em terra, compartilhando da vida do pantaneiro e dos animais, me levaram a escolher a fotografia de natureza como minha profissão. Procurei sempre trabalhos nessa área, e evitei, de propósito, outros tipos de encomendas. No entanto, gosto e faço também fotografia de arquitetura, de patrimônio histórico, de gente na natureza, artesanato e atividades rurais.


Dentre suas premiações e reconhecimentos o que foi mais importante para você?

As premiações no concurso Wildlife Photographer of the Year, da BBC e do Museu de História Natural britânico, publicar os livros com Carlos Drummond de Andrade (ele fez poesias sobre as minhas fotos. Ele levava cópias para casa e escrevia sobre elas! E escreveu “A Câmara Viajante”, que resume o meu envolvimento com a fotografia de natureza!), Jorge Amado, Thiago de Mello e diversos biólogos. A série dos Chocolates Surpresa da Nestlé é talvez a minha mais importante publicação, pois foi muito popular e teve uma distribuição gigantesca. Conheci muita gente que foi estudar biologia influenciada pelo gosto do chocolate associado ao prazer de colecionar figurinhas de animais da fauna brasileira! Mas, principalmente, sei que o meu trabalho, o “conjunto da obra”, ajudou a despertar o interesse dos brasileiros pela natureza e pela conservação de nossa biodiversidade e ajudou a criar a Reserva Mamirauá, no Amazonas. Porém, ainda estamos muito longe de ter uma cultura ligada à natureza. Somos ainda um povo analfabeto de natureza, e isso em todas as camadas sociais e de renda.


O que representa ter um livro com texto de Guimarães Rosa? E fale um pouco de seus livros.

O livro com Guimarães Rosa, “Jardins e Riachinhos”, foi o primeiro que publiquei, e por isso é muito importante para mim, mas eu apenas ilustrei cinco contos desse gênio de nossa literatura. Prezo mais os livros com Drummond e Thiago de Mello, pois foram feitos junto com esses grandes poetas. Tive contato direto com Drummond e convivi com Thiago de Mello, de quem fiquei amigo. Nunca me preocupei em fazer um livro para expor meu trabalho, um portfólio, mas sempre quis abordar um aspecto da natureza para aumentar o conhecimento de todos sobre nossa riqueza biológica. Dentre meus livros publicados, gosto mais dos “Mata Atlântica”, “Bromélias na Natureza”, “Borboletas”, “Mamirauá”, “Ecossistemas Brasileiros”, “Ecossistemas do Brasil”, “Atlas das Unidades de Conservação do Estado do Rio de Janeiro”, “Busy Monkeys” (para crianças, publicado nos Estados Unidos), e agora “Fotografia de Natureza”. Escrevi este livro recentemente, para contribuir com a nossa paixão, para compartilhar o que aprendi, ralando no mato durante quase 40 anos de trabalho.


Qual a maneira de divulgar seu trabalho que mais te agrada e por quê?

Gosto de divulgar meu trabalho... trabalhando, publicando. Meu trabalho é divulgado com minhas publicações. Por que gosto de publicar? Porque uma publicação é reproduzida milhares de vezes, e permanece. Atinge milhares de pessoas, mais do que uma exposição, por exemplo. Meus livros ainda estão por aí, nas prateleiras de livrarias, nos sebos quando já estão esgotados, ou nas casas de meus leitores. Não gosto de fazer propaganda de mim mesmo. Que valor tem isso, afinal? Fiz um web site há anos, uma forma de ficar disponível para contatos, mas nunca tive muita motivação para atualizá-lo. Sinto culpa por isso, pois um site envelhecido transmite uma imagem errada do que fazemos. E acho que seria importante modificá-lo todo, mas estou ficando preguiçoso...


Você teve participação importante para a regulamentação de reservas ecológicas no Brasil. Pode falar um pouco sobre isso?

Logo que comecei a fotografar natureza, viajei para as estações ecológicas, publiquei artigos sobre essas unidades de conservação na extinta Revista Geográfica Universal e a SEMA - Secretaria Especial do Meio Ambiente (hoje IBAMA e ICMBio) comprava da editora Bloch separatas para divulgar essas estações ecológicas. Hoje, o ICMBio dificulta o trabalho de fotógrafos nas unidades de conservação, o que reprime a divulgação de nossas riquezas naturais e o interesse dos brasileiros pela sua biodiversidade. Não é à toa que sempre temos dificuldades de ganhar apoio para as causas de conservação da natureza!
Mas acho que sua pergunta se refere à minha participação na criação da Reserva Mamirauá na Amazônia. Sim, na época em que o meu finado amigo José Márcio Ayres estava estudando os uacaris-brancos na várzea do Mamirauá, fui acompanhá-lo numa de suas excursões e me comprometi com o Dr. Paulo Nogueira Neto, na época o titular da SEMA, a fazer uma proposta de estação ecológica no Mamirauá em troca das passagens de avião que consegui para ir a Tefé, a cidade mais próxima daquela várzea. Depois que a estação ecológica foi decretada, continuei trabalhando no Mamirauá para divulgá-lo e ganhar apoios e financiamentos para projetos. Veja só: é uma política e uma linha de trabalho totalmente inversa da adotada pelo ICMBio. Eu funcionei como um conselheiro do Márcio Ayres sobre a política do Mamirauá para fotógrafos e divulgação, e sempre defendi que a Reserva fosse aberta, que até se convidasse fotógrafos, televisão, equipes de filmagem para trabalhar na região. Não quis fechar o Mamirauá, não quis ser um único privilegiado. Conservação da natureza é um processo social, a gente não pode esquecer a comunicação.


Um dos grandes sonhos de qualquer fotógrafo da natureza é participar de uma edição da National Geographic. O que você, que participa com muita freqüência das edições da Revista, pode dizer para os colegas que ainda não alcançaram essa realização?

Isso não é certo. Eu já publiquei algumas fotos da National Geographic americana, mas nunca uma reportagem inteira, muitas fotos naquele anúncio institucional da Canon de animais ameaçados de extinção, e algumas poucas vezes na edição brasileira. Para meus colegas, digo que se você tiver uma boa ideia de matéria, uma boa pauta, deve propor ao editor da revista e tentar realizá-la o melhor possível, para conquistar a publicação. É importante ver como a revista trata as matérias para trabalhar na linha editorial que ela segue. Qualidade é fundamental, é claro, mas não adianta mostrar fotos maravilhosas se o trabalho não se identifica com as necessidades editoriais e a linha da revista.


De que maneira o fotógrafo da natureza pode contribuir para a preservação do meio ambiente?

A própria natureza de seu trabalho é conservacionista, ajuda a natureza. Só de publicar e divulgar conhecimento sobre a natureza, sempre buscando remuneração (para não ser extinto como os animais silvestres...), ele já contribui, pois nossa maior deficiência é a ignorância sobre a natureza e a nossa cultura de colonizador e desmatador, ainda dominante na população, políticos e governantes. Lembram-se da presidente Dilma afirmando em Copenhague, há pouco mais de um ano, que o “meio ambiente é, sem dúvida, um obstáculo para o desenvolvimento sustentável”?


Em sua opinião fotografia é registro ou arte? E por quê?

Para mim, fotografia é registro e arte. Depende de como o fotógrafo articula seu trabalho, sua linguagem. Eu posso usar palavras para escrever um relatório ou uma poesia, e uma grande poesia ou uma poesia medíocre, o que será apenas uma obra de arte medíocre. Também posso fotografar para registrar uma viagem, paisagens naturais, animais ou plantas. Essas fotos serão o meu registro, mas também, inevitavelmente, a minha visão da viagem, das paisagens, das plantas, dos animais. São arte também, no sentido de expressão pessoal, visão de mundo, olhar. Estarão inseridas na rede de signos de nossa sociedade, influenciando gente e sua visão de mundo. Por que elegemos apenas as fotos expostas em galeria como arte?
Acho uma besteira falar de fotografia de arte, ou cinema de arte. Só porque você emoldura suas fotos, faz uma tiragem reduzida e as expõe numa galeria, com um discurso para justificar intelectualmente seu trabalho (precisa disso?), você estará fazendo arte? Você já ouviu falar de pintura de arte? Teatro de arte? Música de arte? Dança de arte?


Você é uma pessoa que circula por diversos países como fotógrafo. Fale-nos um pouco dessa rica experiência e qual a diferença entre essas diversas culturas fotograficamente falando?

Fotograficamente, algumas culturas, como a nossa, apreciam os fotógrafos e outras os odeiam... No Brasil, as pessoas são amigáveis, gostam de ser fotografadas. Numa comunidade na beira do rio Amazonas, por exemplo, se você começa a fotografar uma criança, logo tem todas disputando a câmera, brincando, subindo e pulando das árvores para serem também fotografadas. Isso pode acontecer também numa favela do Rio de Janeiro, ou você pode ter uma má surpresa... Mas um índio boliviano ou guatemalteco, por exemplo, vai lhe atirar uma pedra ou cuspir em você.
Os fotógrafos desses países têm sua própria tradição artística e são influenciados por ela. Para fotografar as restingas, sofri influência de Pancetti, por exemplo. Para fotografar a mata atlântica, da música de Villa Lobos, e para fotografar a caatinga e o cerrado, da literatura de Graciliano Ramos ou Guimarães Rosa. Em cada país, seus fotógrafos terão suas próprias influências.
Na natureza, é interessante conhecer os ecossistemas, a vegetação e a fauna do país em que você está viajando. Pesquisa é fundamental. Acho que a fotografia de natureza faz mais sentido se você conhece o que está fotografando.


Como se destacar num mercado tão competitivo como o da fotografia?

Acho que o problema do mercado brasileiro não é apenas de competição, mas também de confusão, frivolidade e ignorância. Somos um mercado desorganizado, onde preço importa mais do que qualidade e a visibilidade dos fotógrafos é prejudicada por uma crítica ruim, muitas vezes frívola, elogiando trabalhos medíocres por uma rede de amizades e cumplicidades.
O jeito é trabalhar muito, publicar, aparecer assim, com consistência, e conquistar, passo a passo, credibilidade com qualidade, preço e conhecimento do assunto fotografado.


Na fotografia, o profissional deve se especializar ou fazer de tudo?

É difícil ser especialista em tudo e qualquer área da fotografia é uma especialidade. Fotografia de natureza é uma especialidade, assim como a de publicidade, de moda, de arquitetura, de cobertura política ou reportagem policial. O fotógrafo precisa conhecer o que está fotografando. Na fotografia de natureza, o equipamento também é especializado. E é impossível trabalhar nesse campo sem um bom conhecimento de ecologia, flora e fauna.
O jeito é se especializar e, devido aos nossos problemas de mercado, ser capaz, para sobreviver, de fazer algo diferente aqui e ali.


Como você se mantém atualizado numa área onde as mudanças ocorrem tão rapidamente?

Não me preocupo muito de ficar sempre atualizado, mas atualizado em quê? Equipamento só me preocupa quando sinto a necessidade de algo novo, pelas mais diversas razões. Então, procuro informação com amigos e na internet. A discussão sobre direito autoral está nos jornais. Em fotografia, a gente ouve os colegas, e fica ligado na internet, jornais, livros, revistas... Mas o que mais me interessa são estudos sobre ecologia, botânica, comportamento animal, e informação onde é mais provável da gente encontrar uma anta, uma onça, ou determinado pássaro. Nesse campo, procuro amigos biólogos.


Não estando trabalhando você gosta de fotografar?

Claro! Fotografia para mim é uma paixão, e quando não estou trabalhando, estou fotogra-fando...


Quais suas influências na fotografia, e o por quê?

Tenho influências de fotógrafos, como Richard Avedon que com suas fotos de moda me levaram a prestar atenção nas posturas dos animais... Cartier-Bresson, um mestre da composição e do momento decisivo. Ernst Haas, um mestre da cor, principalmente em seu livro The Creation. Eric Hosking, grande fotógrafo de natureza inglês que me inspirou a usar o esconderijo (o blind) na fotografia de aves. Mas também Pancetti, na fotografia de restinga; Claude Debussy e Eric Satie, com suas harmonias sutis, me inspiraram nas fotografias dos campos de altitude e campos rupestres. Villa-Lobos, com sua exuberância, na fotografia das florestas tropicais. A Bachiana número 4 é uma ode à Mata Atlântica. Guimarães Rosa e Graciliano Ramos, para o Cerrado e a Caatinga. O estado de espírito provocado pela música ou a literatura suscita em nós outras visões e possibilidades na fotografia. O olho só vê o que o coração já sabe.


Encaminhe-nos pelo menos duas fotos suas que você reputa como muito boas, e qual a razão da força dessas fotos?

Envio-lhe três fotos de comportamento animal, da relação entre animais de classes diferentes. Gosto de imagens com boa fotografia, mas que contem uma história. Essa é a minha definição simplificada de uma boa foto.




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A foto da onça com o jacaré é uma imagem rara, de um momento especial – um animal ameaçado de extinção e de difícil observação, predando outro grande predador. Um encontro cheio de energia e poder, de dois titãs das florestas brasileiras. Com tudo em cima, dentes e garras.




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A foto das ariranhas, animais também ameaçados de extinção, mostra um adulto comendo uma piranha, num comportamento de alimentação, e um filhote de olho grande, numa composição simples, mas forte.




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A iraúna-grande tirando carrapato da cabeça da capivara (e a capivara em êxtase, curtindo o cafuné) mostra uma relação de simbiose. Gosto da composição, das expressões, do momento decisivo.
Aliás, acho que as três fotos têm um momento especial.


Duas fotos de terceiros que te derrubam o queixo, e qual a razão da força dessa foto?




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A foto da coruja-da-torre com um camundongo no bico, de Eric Hosking, numa posição heráldica magnífica, num momento especialíssimo. É uma foto pioneira com a técnica de alta velocidade, feita em 1948!




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A foto de Jim Brandenburg, do lobo do Ártico pulando de uma capinha de gelo para outra é um momento mágico, no céu, na água e no gelo. É uma composição lindíssima, o reflexo no lugar certo, relacionando uma espécie magnífica com seu ambiente, com cores suaves, e um astral muito especial. É também de uma simplicidade, delicadeza e sutileza muito especiais. Essas são, para mim, características da natureza, e Jim Brandenburg captou-as magistralmente numa foto de natureza.


Qual seu equipamento, e o porquê desse equipamento?

Tenho Nikon D3 (ISO alto e ruído baixo), D3x (paisagens e ampliações grandes) e D7000 (com seu fator de crop, as teles e os teleconverters, grandes combinações para fotos de animais com boa abertura e foco preciso e rápido com 2.8 ou aberturas grandes). Tenho os zooms 17-35 mm/2.8 e 24-70 mm/2.8, tele de 200 mm/4 macro para insetos e outros bichinhos pequenos, uma 300 mm/2.8 VR-II, uma 400 mm/2.8 VR-II e os teleconverters de 1.4x, 1.7x e 2x. Flash Nikon SB-800 e tripé GITZO. É claro que não uso todo esse equipamento de uma vez só. E uma Hasselblad x-pan, de filme 35 mm para panorâmicas e porque eu ainda gosto de ver e manusear filme. Mas adoro digital, de muito mais qualidade e facilidade de uso e arquivamento. Nenhum preconceito contra, pelo contrário!


Como o equipamento que você usa influi no tipo de foto que você faz?

Influencia muito. Cada vez mais o equipamento importa, e muito! Na fotografia de natureza, esse negócio de dizer que só o olhar importa é um sinal de purismo nostálgico. As teleobjetivas de 300 mm e 400 mm / 2.8, com foco automático rápido e VR-II, combinadas com os teleconverters e a Nikon D3 ou a D7000, me deram acesso a assuntos que antes eram muito difíceis de fotografar. Por exemplo, de dentro de uma lancha voadeira (com motor de popa) posso fotografar com a lancha em movimento lento, seguindo ariranhas ou aves aquáticas, fazer foco preciso e não tremer, devido ao VR-II. Assim, pude fotografar a onça com o jacaré, aves e macacos. Dentro de floresta, esse equipamento também permite que eu fotografe com agilidade, com a câmera na mão, foco preciso e sem tremer. Com a D3, uso até 1000 ISO com a 300 mm e o teleconverter de 1.7x, isto é, o equivalente a uma 510 mm/f: 4.8. Com a D7000, uso até 640 ISO com baixo ruído, e com a 300 mm e teleconverter 1.4x, tenho 630 mm/f: quatro, ou com o teleconverter de 1.7x, uma 765 mm/f: 4.8. Com a D7000 e a tele de 400 mm no tripé e o teleconverter de 2x, vou lá na copa das árvores com uma 1200 mm/f: 5.6. Imagina as aves, macacos e outros bichos que posso fotografar, no tripé, com foco rápido e o VR-II!
Quase nunca fotografo com a lente toda aberta, mas considero a abertura de 2.8 de minhas lentes importante para fazer foco rápido e ter o visor claro dentro da mata. O VR-II então é excepcional. Já fotografei com lentes de distância focal de 500 mm ou 600 mm com velocidades de 1/60s, e até menos!


Qual a importância da edição para suas fotos?

Você se refere à revelação do RAW ou à escolha e seleção das fotos de um trabalho? No primeiro caso, faço ajustes finos nas fotos, mas tento decidir todas as configurações de white balance (nunca AUTO, mas do tipo de luz específico), espaço de cor (sempre Adobe 1998), contraste, sharpen etc. na câmera, pois detesto trabalhar no computador. Meu lugar é no mato.
Evito supersaturação e qualquer exagero de sharpen e contraste. Fotos de natureza, para mim, pedem naturalidade, simplicidade.
Na escolha e eliminação das fotos ruins (a diferença de um profissional para um amador é que a lata de lixo do profissional é muito maior), começo eliminando as fotos fora de foco ou tremidas, depois as de concepção e composição ruins, depois as repetidas. Sempre reviso tudo o que fiz, para editar e para criticar meu trabalho, para entender meus erros e acertos.


Normalmente, qual o processo de edição de fotos de que você faz uso?

Fotografo tudo em RAW (NEF da Nikon) e processo minhas fotos no Nikon Capture NX2. Salvo em NEF (salvar em TIF toma muito espaço no HD e em JPG vai degradando qualidade). Arquivo as fotos com o Expression Media 2, fazendo catálogos com keywords, legendas etc. em português e também em inglês, para enviar para minhas agências no exterior.


Sabemos que idealmente sensibilidade e técnica devem andar juntas, mas como é complicado alcançar o ideal sempre se tende mais para um lado ou para o outro. Então: o que é mais forte em sua fotografia: sensibilidade ou técnica?

Concordo com a premissa de sua pergunta de que sensibilidade e técnica devem andar juntas. Tento fotografar sem muita preocupação com a técnica, que procuro incorporar e usá-la sem muita autoconsciência, sem preocupação de pensar tecnicamente durante o fotografar. Quero estar totalmente disponível e aberto para perceber a luz, fazer a composição, captar o melhor momento. A técnica vem a reboque, já incorporada ao processo, automatizada. Então, a sensibilidade predomina, no meu caso. É como dirigir: o bom motorista já tem interiorizada toda a técnica, e sabe o que fazer na hora da derrapagem.


Vais em busca da foto ou a foto te encontra no meio do caminho?

As duas coisas acontecem. Uma vez, há muitos anos, planejei fotografar o cuitelão, um passarinho raro e ameaçado de extinção, e para isso estudei seus hábitos, achei uma boa localidade, viajei para lá e, na mesma hora, surgiu um mico também ameaçado de extinção, mais difícil ainda de fotografar. Só virei a câmera e consegui fotos ótimas das duas espécies! Em 10 minutos, aconteceram as duas situações da sua pergunta.
Gosto de planejar e correr atrás de animais raros, e nessas ocasiões alguns bônus cruzam o meu caminho. Acontece de tudo. A natureza é vasta, com muitas possibilidades, quase infinita... Esse é um dos baratos da fotografia de natureza.


Gosta de ser fotografado? Ou em casa de ferreiro o espeto é de pau?

Gosto de ser fotografado, e mais ainda de ganhar as fotografias de quando estou trabalhando. Chego até a fazer pose. Como é o caso dessa foto que envio para o Digiforum.


Citação:
Nota:

Aos queridos blogueiros que estão copiando e colando esta entrevista em seus blogs, quero dizer que não temos nada contra exceto o fato de que o façam com ética e respeito por quem criou o conteúdo que está neste tópico (Criadores: DigiForum/Marcos e Marigo). Do contrário apenas estarão comprovando que não ética e respeito por outros sites de Internet.

Em outras palavras, no mínimo: postem a fonte e o link da entrevista.


        Carlos Cazuza
        Editor DigiForum, Admin Geral
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        Staff DigiForum
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        MensagemEnviada: Ter Jun 03, 2014 1:05 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

        Que Luiz Claudio Marigo descanse em paz e receba toda luz ao lado de Deus. Pray

        Celso Rogerio

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        Eu moro aki!
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        MensagemEnviada: Ter Jun 03, 2014 1:59 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

        Sentimentos à família do LC Marigo. A comunidade fotográfica brasileira e mundial perdeu um grande membro, que há muitos anos vinha lutando pela classe, contra alguns impedimentos governamentais à fotografia livre da natureza e biodiversidade nos grandes parques nacionais.

        Merece a homenagem.

        claudiofulas
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        MensagemEnviada: Ter Jun 03, 2014 2:53 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

        Carlos Cazuza escreveu:
        Que Luiz Claudio Marigo descanse em paz e receba toda luz ao lado de Deus. Pray


        2x

        Muito legal essa entrevista que ele deu e senão me engano devo ter em casa um card dos chocolates Nestle, mas na época muito, mas muito pequeno nem me ligava em fotografia!

        gricwb
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        MensagemEnviada: Ter Jun 03, 2014 4:21 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

        Carlos Cazuza escreveu:
        Que Luiz Claudio Marigo descanse em paz e receba toda luz ao lado de Deus. Pray


        3X

        Grande mestre da fotografia do nosso país. Muito triste mesmo, sentiremos sua falta.

        Régis da Silva Presser
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        MensagemEnviada: Ter Jun 03, 2014 4:27 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

        Que lástima. Sou fã desse cara. Grande fotógrafo e articulista. A fotografia mundial está de luto. Cry

        Biggi
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        MensagemEnviada: Ter Jun 03, 2014 11:01 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

        Lamentável.

        fernandomalungo
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        MensagemEnviada: Qua Jun 04, 2014 2:21 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

        Que descanse em Deus.

        eb
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        MensagemEnviada: Qui Jun 05, 2014 9:37 am Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

        Força e paz para a família.

        E torço para que ele seja melhor tratado onde está agora do que foi por aqui.

        Porque querem provar que os animais irracionais vivem nas florestas, onde ele sempre se saiu muito bem.

        Aba
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        MensagemEnviada: Sáb Jun 14, 2014 8:07 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

        Força para a família, e que ele esteja com Deus! Cry

        Ary Nazar
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        MensagemEnviada: Dom Mai 10, 2015 9:04 pm Responder com CitaçãoVoltar ao Topo

        Luiz Claudio Marigo - Entrevista
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